CONSCIÊNCIA COLETIVA

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Opinião - page 14

Ser estranho pode te deixar sozinho, sabia?

em Comportamento/Opinião por

É engraçado o que algumas pessoas pensam sobre uma relação amorosa. É mesmo necessário ser igual a todo mundo para que um namoro dê certo? Precisamos nos encaixar nos padrões para que uma relação dure? Na minha humilde opinião, creio que não.

Não temos que nos encaixar nas expectativas alheias para que uma relação dê certo, o modelo é dela (e), não nosso. Já ouvi tanta coisa sobre isso, me disseram que preciso ser menos expressivo ao falar, ser mais claro, pois deixo as pessoas voando em alguns momentos; que tenho que demonstrar atenção 24 horas por dia, pois se não fizer isso, me torno uma pessoa desatenciosa e mais ainda, desinteressada.

Um conselho: não limite as suas ações ou mude as suas escolhas por outra pessoa, fazendo isso, você está deixando ela permanentemente no controle. Se você se sente bem sendo como é, apenas seja; encontre alguém que compartilhe e entenda as suas nóias, que também possua manias, que veja graça quando você necessitar organizar milimetricamente cotonetes em uma embalagem, porque a sua mania de organização e o seu TOC exige isso.

Para ilustrar essa pequena revolta, segue um recado da sábia tia Frances.

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Beijos de luz!

Todo mundo já teve um Mr. Big.

em Comportamento/Opinião por

Outro dia, numa mesa de bar no centro do Recife, me vi conversando com uma amiga, que assim como muitx de nós, já vivenciou e, quem sabe, vivenciará uma não-relação com alguém que é um “Mr. Big”. Eu havia acabado de ter um date e, até aquele dado momento, foi bem sucedido. O fato é que aquilo me colocou em um estado de epifania no qual eu pude constatar que até então eu só havia me relacionado com homens “Mr. Big”.

Quem acompanhou a série Sex in The City sabe a quem me refiro, quem é o homem Mr. Big. É aquele homem que se mostra (inicialmente) sedutor, cortês, atento e, acima de qualquer coisa, cem por cento interessado em você. É um homem com uma “grande personalidade”, por isto o Big. Com o passar do tempo ele na realidade te mostra que é evasivo, egoísta e que tem uma dificuldade enorme em se comprometer, mas em se comprometer com você. No geral, depois de algumas saídas contigo, ou ele acaba surgindo com um relacionamento sério nas redes sociais ou então some do teu círculo de convívio, do bairro, da cidade, quiçá do estado. O que motivou o Mr. Big a agir assim? Jamais saberemos. É… Jamais.

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No ápice das nossas especulações nós acabamos nos sentindo incapazes de tomar uma atitude questionadora, de colocar o Mr. Big contra a parede e dizer “e aí, boy, qual é a tua?”. Se já fiz isso com alguém? Não. Gostaria muito, mas não. Infelizmente. A explicação mais frequente que a gente (se) dá é a de que não vivemos um relacionamento sério com o outro e, portanto, não podemos “cobrar nada”. E digo que essa é a tentativa de justificativa mais comum por já ter vivenciado história(s) com Mr. Bigs e por ter feito uma “pesquisa de campo” com vários amigx que já vivenciaram uma não-relação dessas também. E o Mr. Big sabe da não-relação que existe e usa ela como escudo pra entrar e sair das nossas vidas quando quiser como se a porta estivesse sempre aberta.

O Mr. Big é realmente uma figura intrigante. Sim, ele é! Por que te coloca num estado de vulnerabilidade emocional extremo, quando na verdade o mais vulnerável e inseguro é ele. Eu diria que ele é até covarde (?). Explico. Nos dias que vivemos todos nós, inclusive o Mr. Big, por mais desconstruidão que possa ser, tem suas raízes no conservadorismo e tenta ao máximo proteger sua face pra que não seja rotulado como o trouxa da (não)relação. Ninguém quer ser o trouxa e é nesse pavor de ser que acabamos sendo, todos nós.

Não nos permitimos, não nos dispomos a vivenciar ou tentar experienciar uma relação sólida porque a urgência da vida diz que precisamos ser líquidos.  E nossa liquidez entra em ebulição e evapora tão rápido quanto a nossa emergência em viver que quando nos damos conta estamos com uma lista de pessoas que passaram por nossas vidas, nos marcaram de alguma maneira e que vamos fingir que não conhecemos quando encontrarmos em bares ou festas.

A última característica comum do Mr. Big é o “eterno retorno”. Como a (não)relação não teve um fim, o ciclo não se fechou, a porta está sempre entreaberta. O Mr. Big vai tentar se fazer presente por um like em um status, uma foto, uma direct parabenizando você… ele sempre vai buscar maneiras de não se fazer esquecer. Não sabe ele o quão inesquecível já é, mas não da maneira mais positiva.

O silêncio da geração TCC

em Comportamento/Educação/Opinião por

A vida acadêmica, mesmo diante da democratização e expansão estrutural dos últimos anos, ainda é um privilégio. Repleta de folclores e de desafios, ser um jovem universitário hoje, no Brasil, é viver uma espécie viagem com destino quase desconhecido. Na bagagem, você vai acumulando uma série de perguntas que não serão respondidas e acaba recebendo de graça milhares de vícios que dificilmente vão desaparecer.

Enquanto as especificidades (reais) de cada área do conhecimento são usadas erroneamente, para justificar o maior investimento em determinados cursos e a deterioração de outros, vamos nos afastando gradativamente das necessidades concretas e urgentes da sociedade, inclusive daquelas que moram ao lado dos muros do próprio campus.

Essa semana um médico corrigiu de forma preconceituosa a fala de um paciente, usando o seu “conhecimento” acadêmico elitista, que supervaloriza a norma culta, para aprofundar ainda mais essas distâncias. O curso de medicina, por exemplo, ainda é um celeiro de brancos e burgueses, formado em grande parte por filhos de empresários, grandes comerciantes, advogados e engenheiros. São jovens que tiram as maiores notas nos vestibulares, que conquistam esse espaço frequentando os cursinhos mais caros da cidade. Perguntas surgem inquietas: qual a visão de mundo desses estudantes? Qual o papel social que eles pensam (se é que pensam) que possuem? Estão eles familiarizados com a realidade da maioria das famílias brasileiras? Com os seus futuros pacientes?


Nas outras áreas essa fissura se repete e se manifesta de outras formas, inclusive nos cursos de Licenciatura. É assustador, mas muitos licenciados não estão interessados em investigar e atuar nas escolas, eles ingressam nos cursos para se projetarem como grandes pesquisadores. É excelente que a pesquisa faça parte da nossa formação, mas perguntas como: para quem estamos pesquisando? Sobre o quê? Olhando para onde? são quase nunca levantadas. Por mais que alguns professores bem-intencionados, de fato, se preocupem com essas questões, são raros os que abrem caminhos visíveis e possíveis para que os alunos possam realmente se sentir inquietos diante do que vem sendo discutido na sala de aula. Na verdade, muitos alunos acabam retirando o tema do seu trabalho de conclusão da bibliografia de alguma disciplina ou acabam se submetendo ao que algum professor já vem pesquisando.

Pesquisar, certamente, não é achar um título apenas e sair criando uma sinfonia de citações. Pesquisar deve significar: mergulhar, diagnosticar, reverter, confirmar, retribuir, propor e antes de tudo transgredir a realidade. O problema é encontrar tempo dentro desses cinco anos para ser perceber como agente ativo dessa jornada. Não existe muita democracia nos espaços acadêmicos, é tudo pré-determinado e imposto. Acabamos nos sentindo pouco protagonistas e passamos rapidamente a seguir os comandos. Não somos vítimas isoladas, isso é certo, mas estamos de fato dentro de um sistema opressor, que ainda é mediado por relações de poder verticais e que silencia os mais fracos (em importância Lattes).

Claro que esse texto não é um retrato determinista da realidade acadêmica, nem é o que pretende ser. Afinal, existe uma teia bastante complexa e rica, que pode nos mostrar dados até bem positivos. Porém, é preciso ficar atento, em alerta, procurando entender essas diferentes realidades. Apesar da diversidade de experiências, muitas práticas estão presentes de forma homogênea e isso, sem dúvida, é um sinal preocupante. O conhecimento construído dentro da sala de aula é o conhecimento que pode contribuir para transformação dessa sociedade tão repleta de doenças. Vamos torcer que daqui para frente esse debate fique ainda maior, que a comunidade científica comece a entender que mais importante do que a nota da monografia e do que a sua vaidade, é a vontade de querer mudar as bases desse sistema que tanto nos sufoca e (contraditoriamente) vem nos libertando.

A Culpa nos Relacionamentos

em Comportamento/Opinião por

Angústia, sensação de remorso, negativismo sobre si mesmo e autopunição: estes são apenas alguns sentimentos que estão atrelados à culpa, que é o foco deste texto. Mas aqui iremos analisar e refletir como ela se expressa no contexto de um relacionamento, seja qual for, a partir de minha experiência e de pessoas próximas. Teremos como objetivo discutir esse sentimento tão presente na vida das pessoas e que as afeta de forma substancial no que se refere aos relacionamentos amorosos, até mesmo impedindo-as de adentrarem em uma nova relação.

Presencio diariamente nas redes sociais, especialmente no facebook, pessoas reclamando o quão estão sozinhas e o quão os seus relacionamentos, quando possuíam, eram destrutivos. Frases como “Alugo-me para o dia dos namorados” e “ninguém me quer” são frequentes, mesmo tomadas em um ponto de vista mais humorístico e que mascaram, na grande maioria dos casos, uma grande insegurança e até uma parcela de culpa, mesmo que disfarçada de bom humor. Um dia desses vi no facebook de um amigo uma sequência de imagens, com os dizeres: “ tutorial de meus relacionamentos” que dava um passo a passo de um modelo de relação amorosa que, apesar de possuir um início aparentemente saudável, não tinha um bom desfecho, terminando com as seguintes palavras: “a pessoa enjoa de mim, termina e eu me fodo”.

Brincadeiras estas que denotam, além de todos os sentimentos negativos anteriormente citados, uma grande parcela de culpa. Tomando como exemplo o caso referido, o indivíduo provavelmente deve se sentir culpado por sempre se sentir “rejeitado” nos relacionamentos que possuiu. Aquele sentimento de culpa que vem sempre atrelado com a frase clássica: “qual o problema comigo?” que, mesmo não se expressando em palavras, temos em nossos pensamentos. No fim de um relacionamento, especialmente se não fomos nós que terminamos, constantemente surge uma sensação de inadequação, de que temos algo ou fizemos algo de errado para que o sujeito de nossa afeição tenha nos rejeitado. Neste contexto pode vir a surgir a culpa, que vai se tornando maior se a alimentarmos.

Nos sentimos culpados pelo que supostamente fizemos de errado e passa uma espécie de “filminho” nas nossas cabeças nos transportando de novo para as situações passadas, onde as analisamos e pensamos “ e se eu tivesse feito diferente aqui?” E isto, para uma parte das pessoas, acaba durando por meses, e até mesmo anos. Muitas ficam com medo de iniciarem relacionamentos amorosos por ainda sentirem culpa do que supostamente fizeram nas relações anteriores. E às vezes esse sentimento é tão grande que até as justificativas mais bobas se tornam motivo para explicar a rejeição: em uma conversa com um amigo sobre o tema, ele me falou que sempre se sentia culpado quando as relações dele terminavam por se achar gordo demais. “Eu achava que sempre terminavam comigo pelo fato de ser gordo, me sentia péssimo, vivia me culpando e rejeitando a mim e meu corpo”. No caso dele, ainda os términos eram marcados, geralmente, por traições da parte dos ex-namorados, o que contribuía de forma significativa para o fortalecimento deste pensamento, pois serviam como justificativa, pois, para ele, o traíam por não o considerarem atraente. Já outro me relatou que se culpou em uma época por ter a rotina corrida, já que era estudante de medicina e tinha pouco tempo para se dedicar ao relacionamento, mesmo falando com o namorado todos os dias e o vendo cerca de duas a três vezes por semana. O relacionamento terminou e ele se culpou bastante, a ponto de achar que era impossível conciliar uma carreira com um relacionamento saudável.

A culpa também possui se faz muito presente também quando ocupamos a posição de “parte que rejeita”, em que muitas vezes esse sentimento vem acompanhada]o de arrependimento: “ eu não deveria ter terminado com ele / “ele está sofrendo muito por minha causa” são frases que frequentemente são pensadas por pessoas que se sentem culpadas após terem tomado a iniciativa para terminarem um relacionamento. Uma amiga, a qual chamaremos de K, me relatou que passou 3 anos se sentindo culpada após terminar seu namoro de 1 ano e meio. Ela narrou que encerrou o relacionamento pelo fato de não se sentir mais feliz com a ex-namorada, já que elas brigavam bastante pelos ciúmes da referida. Após ter terminado, sua ex sofreu bastante, entrando em um processo depressivo, tendo que ser tratada com medicação. K relatou que tomara conhecimento da situação de sua ex e se sentia responsável pelo estado de saúde dela, aliado ao fato de que amigos e pessoas próximas, em sua maioria, ratificavam essa culpa e constantemente a questionavam o porquê dela não voltar com sua ex, já que estava sofrendo muito, além das duas “combinarem” aos olhos dessas pessoas. K no início achara que havia tomado a decisão certa e não se culpava por isso, mas de tanto ouvir dessas pessoas que ela deveria voltar e de ver o sofrimento de sua ex, passou a se sentir culpada e assim resolveu se afastar dessas pessoas e de sua ex-namorada, a fim de tentar minorar esse sentimento, que se tornara insuportável para ela.

A culpa se maximizou e passou a se considerar uma pessoa má, infeliz e incapaz de fazer alguém feliz, já que foi responsável pela dor de outra pessoa, que injustamente merecia passar por aquilo. Com este pensamento fixo, K afirmou que há 3 anos não consegue se relacionar com mais ninguém; sempre quando começava a se envolver mais profundamente com alguém, ela se autosabotava, fazendo com que a pessoa se afastasse ou relatando para a “ficante” que não queria mais se envolver. K hoje tem acompanhamento psicológico e está aos poucos superando isso. “ Eu me impeço de ter um relacionamento saudável e de ser feliz com alguém, pelo fato de me sentir culpada por todas as coisas negativas que aconteceram no meu relacionamento anterior”, narra ela. E K destaca: “ inclusive essa minha ex já está em outro relacionamento, mas eu me puno inconscientemente há anos”. Neste caso, como vemos, a culpa tomou uma proporção gigantesca, a ponto de “travar” a vida de uma pessoa por muito tempo. A crença arraigada de que K é uma pessoa má e não merecedora de um relacionamento foi fruto de uma concepção negativa da sua relação anterior, no qual ela se deixou levar pelas circunstâncias e pela opinião das pessoas e assim tomou a culpa para si, a ponto de deixá-la como sentimento base para sua vida.

Vemos que, quando lidamos com a culpa, sempre saímos perdendo, seja qual for a posição que ocupamos no término de uma relação. Embora o destaque o tempo todo tenha sido na separação, ela é bastante comum no decorrer do relacionamento. Volta e meia as pessoas se sentem culpadas pelos sentimentos dos outros, como em casos que o outro se sente triste por coisa que dissemos ou também quando nos sentimos culpados pela insatisfação ou desagrado do outro. Para melhor exemplificar isso, tomo como base uma experiência minha: constantemente me sentia culpado por reclamações que recebia em uma relação, de coisas bobas, como a forma como respondia as mensagens no whatsapp, julgada pelo outro como “seca” e também pela percepção do outro de que eu estou sempre “triste” pelo simples fato de não ser uma pessoa muito expansiva e expressiva. Eu me recordo que me sentia bastante culpado por não corresponder à expectativa do outro e este também sentia culpa por eu me sentir assim, e isto consistia em um ciclo que os dois saíram perdendo, até que a relação acabou e o que aconteceu? me senti culpado pelo fim e comecei a comer descontroladamente como uma forma de autopunição, mesmo que inconsciente. Para superar isso, demorei muito tempo, a partir do momento que tomei consciência de que não há culpados quando um relacionamento acaba.

Nos meus relacionamentos, geralmente eu sou a parte que sofre a rejeição, e durante muito tempo tive que conviver com culpa, e confesso que até hoje ela ressurge quando eu menos espero. É um pouco difícil lidar, porque sempre em uma relação, especialmente quando termina, temos a tendência de procurarmos culpados para isto. Só que não existem culpados para o fim de um relacionamento: simplesmente temos que aceitar que aquela união, naquele momento, não dá mais certo, mesmo que a outra parte sofra bastante com isso. Acredito que o objetivo primordial de todo ser humano é ser feliz, e não dá para sentir felicidade em uma relação desgastada, que não nos faz bem. As vezes mantemos um namoro ou casamento destrutivo porque estamos acostumados, por conveniência ou até mesmo para não ficarmos sozinhos. Só que temos que ter coragem para encarar a realidade, de que aquela relação não está mais sendo saudável para nós. E mesmo que apenas uma das partes ache isso, temos que nos conformar, porque afinal, o que adianta ficar com alguém que não se sente feliz com a gente ou mesmo não se sente feliz consigo mesma, para estar em um relacionamento?

Quando aceitamos que não existe culpa quando um relacionamento acaba, aí sim temos coragem para seguir em frente sem arrependimentos e sem sentimentos negativos, e ficamos de bem com o outro e com nós mesmos. Cada um é o melhor que pode em determinado momento da vida, e não tem sentido ter qualquer tipo de culpa quando se tem isso em mente. Chega um momento em que as pessoas simplesmente não combinam mais em um namoro, mas isso não quer dizer que não possam ser amigas, já que o carinho e o amor geralmente não acabam de uma hora para a outra.Na vida, sempre estamos entrando em novas relações no decorrer do tempo e também desfazendo-as e ressignificando-as. Aceitar que a vida é esse eterno fazer e desfazer é sinal de maturidade, que vamos aprendendo com o tempo; não devemos nos lamentar nem sentir culpa, já que outras relações esperam por nós e esta que tivemos será remodelada e será assim no decorrer de nossas vidas.

Sim Igor, e como lidar com isso? Tendo como base minha opinião, a culpa deve ser combatida sempre com um sentimento positivo em relação ao relacionamento, toda vez que um pensamento negativo surgir. Me senti culpado por não ser tão amoroso quanto ele esperava? rebato com o pensamento que eu fui o melhor que pude. Me senti culpado por falar algo que achei necessário que ele se sentiu mal e não gostou? penso que foi preciso falar isso e ele tem que aprender a lidar com uma crítica. Me senti culpado porque o outro está mal e até doente com o fim do relacionamento? respondo com a ideia de que todos passam por términos no decorrer da vida, e cabe a ele aprender a lidar com isso, já que a vida exige e é dura com todos, não apenas com ele.
Gostaram do texto? aceito e preciso de sugestões para o próximo, no qual tratarei sobre o Medo nos relacionamentos. Do que vocês sentem medo em uma relação? sentem medo de iniciar novos relacionamentos? sentem medo de terminar ou de dar uma nova significação para seu namoro ou casamento? deixem seus comentários!

A Moda do falso ativismo Capitalista

em Comportamento/LGBTQI/Opinião por

A moda atualmente é uma das partes fundamentais da estrutura do sistema capitalista. A alta rotatividade de tendências é muito mais rápida que há 10 anos: o que é tendência hoje não será daqui a três meses, mas poderá voltar a ser daqui a um ano, gerando assim o consumo desenfreado. Devido a este caráter rápido e descartável de consumo, a moda sempre esteve ligada aos movimentos sociais e urbanos em busca de novidades e estilos que possam ser vendáveis, se apropriando dos discursos vigentes para vender peças, pregando uma falsa ideia de estilo, pertencimento e bem-estar.

As discussões sobre os direitos humanos e das minorias estão mais presentes na nossa sociedade. Percebendo essa movimentação e falta de representatividade, a moda vem criando linhas para conquistar novos consumidores e surpreender os antigos, valendo-se de um falso apoio que só visa ao lucro e ao buzz, e pior, com propostas preguiçosas e mal desenvolvidas.

Pegando carona nos debates de gênero, a Zara – rede mundial de vestuário, famosa por utilizar mão de obra escrava – lançou uma coleção de roupas com o conceito de “sem gênero”, intitulada Ungendered (“sem gênero”), no começo de março deste ano. A campanha apresentava, basicamente, modelos brancos com um perfil meio andrógino vestindo roupas básicas e moletons, cores sóbrias e de modelagens retas. O público nas redes sociais não perdoou e fez várias críticas à coleção, afinal, a Zara não apresentou nenhuma inovação, utilizou o estilo das roupas de sempre, acrescentando apenas uma nova etiqueta. Roupa sem gênero significa cores sóbrias? Sem modelagem? Menina vestindo roupa de menino? O que a Zara apresentou nos faz pensar que a roupa sem gênero precisa anular a feminilidade, presente nas roupas femininas, e imperar a sobriedade das roupas masculinas. A Zara apresenta coleções masculinas muito mais femininas do que na coleção Ungendered. A coleção apresentada é desonesta e pouco se importa com os anseios do público por uma moda mais igualitária e inovadora.

A rede nacional de fast-fashion, C&A, também se apropriou do discurso da moda “sem gênero” e apresentou no mesmo mês da campanha da Zara a sua campanha “Misture, ouse, divirta-se”. Diferente da Zara, a C&A não nos apresentou os modelos vestidos com a mesma peça de roupa. Na loja física e virtual permaneceram divididas as seções por gêneros, e o que a rede mostrou de mais ousado foi um frame do vídeo da campanha em que um modelo parece vestir um vestido. O intuito da campanha seria abrir o debate para a questão de gênero e para que o público se sinta à vontade em ambas as seções divididas por gêneros.

O cliente, nesse caso, pode ir ao provador feminino provar vestidos? O que a C&A nos apresenta é uma proposta rasa e sem compromisso, não aprofunda o debate, não mexe na estrutura, apenas menciona, ausentando-se de toda a responsabilidade. Alguns defendem a campanha como um começo, mas na moda sempre houve meninos vestindo peças ditas femininas e meninas usando roupas masculinas, basta olhar nas passarelas e nas ruas. Quando, então, virá efetivamente uma nova proposta e a tão esperada ruptura?

A rede de lojas Topshop convidou a artista Beyoncé para lançar uma linha de roupas. Em abril, a popstar, que se autointitula feminista e militante negra, lançou a coleção Ivy Park, cuja proposta é empoderar as mulheres usando estampas com letras de música da cantora. Neste mês de maio, o tabloide britânico The Sun publicou a notícia de que a fábrica responsável pela confecção da linha, situada no Sri Lanka, paga apenas cinco euros por dia aos seus funcionários, caracterizando isto como mão de obra escrava, mas vale ressaltar que esta quantia chega a ser ainda superior à média nacional paga no país asiático. A maior responsável por isso é a Topshop, porém não devemos deixar de pensar sobre a presença de Beyoncé dentro deste sistema exploratório do capitalismo que terceiriza a produção de roupas em países mais pobres a fim de obter o lucro. Beyoncé vende o empoderamento nas roupas confeccionadas por mulheres no Sri Lanka que, paradoxalmente, não podem adquirir uma peça sequer, produzida por suas próprias mãos.

Próximo ao dia mundial contra a homofobia, a marca Converse declarou apoio à comunidade LGBT lançando uma linha de três modelos Chuck Taylors estampados com as cores do arco-íris, símbolo da bandeira gay. É sempre bom ter marcas que apoiam as minorias, mas esse apoio deve ser sempre analisado. Quem lucrará mais com esse apoio? A Converse ou a comunidade LGBT? Os gays brancos classe média são um forte público consumidor e estão sempre sendo visados pelas grandes marcas. Nenhum apoio é em vão, nenhuma marca vai associar o seu nome a uma proposta que a faça diminuir seu lucro, o importante é lucrar. Sempre!

A carência e falta de representatividade da minoria leva este público a impressionar-se com qualquer marca que diz apoiar a sua causa, devemos estar atentos aos discursos pregados por estas marcas, e não só isso, devemos estar atentos aos produtos, o que de fato eles oferecem em nosso benefício e como ocorreu o seu processo até chegar à loja. Toda campanha, todo alarde feito por uma marca é bem pensado e pesquisado, nada é feito em vão, tudo é visando o lucro, tanto que estas campanhas não revertem nenhum por cento do seu lucro para projetos que ajudem essas minorias as quais dizem apoiar.

A moda precisa não só trabalhar com linhas menores direcionadas às minorias, mas precisa ser inclusiva e naturalizar as comunidades marginalizadas. Muito mais honesta foi a coleção Pink Beach, da Adidas, feita com colaboração do músico Pharrell Williams, escalando apenas modelos negros na campanha. Não fez alarde, não apresentou uma proposta militante, mas conseguiu buzz por naturalizar a escolha dos modelos. O lucro pelo lucro, porém sem um discurso frágil e desonesto.

Prazer, eu sou o Medium

em Opinião/Tecnologias por

medium

Quando a internet surgiu, no início da década de 80, trouxe a esperança de que um ambiente democrático, em que todas as pessoas pudessem compartilhar ideias e espalhar conhecimento, fosse possível. No início dos anos 2000, o surgimento dos blogs simbolizou a concretização dessa ideia.

Apesar de no primeiro momento, em meados de 2005, alcançarem extrema popularidade, os blogs entraram em curva decrescente em tempos recentes, isso ocorreu por um conjunto de fatores, o principal deles: as redes sociais. A partir da popularização do Twitter, que nos permite até hoje a divulgação de pequenos textos, do (finado) Orkut e  do Facebook, as mensagens automaticamente migraram para essas plataformas. Enquanto os conteúdos que possuem maior densidade, acabaram migrando para sites/portais mais especializados.

Esse processo migratório foi,  a princípio, bastante proveitoso: os textos se apresentam de forma mais clara, acessível e o feedback é mais efetivo, permitindo comentários e curtidas. Paradoxalmente, o maior obstáculo, passou a ser exatamente a proposta principal das redes: a instantaneidade. Os textos que hoje foram postados, amanhã se perdem, não são notificados e acabam no esquecimento.

Tudo com seus prós e contras. Mas e agora? Onde posso escrever? O Medium.com surgiu com uma proposta de somar os dois prós e entregar um ambiente em que se soma blog+rede social, buscando o maior alcance possível para as boas histórias.

A plataforma necessitava primeiramente apenas de uma conta de Twitter para se associar, podendo agora também ser acessada através do Facebook. O grande diferencial entre o Medium e as plataformas para blog, como WordPress, é o uso das Tags, que podem ser acessadas através das buscas. Tags são espaços voltados para os textos, ao buscar por “literatura”, por exemplo você será redirecionado à página daquela tag, e lá encontrará os principais textos ligados ao assunto.

Mas como são determinados os principais textos? Através das recomendações. Recomendação é um botão em formato de coração que se localiza abaixo de cada texto, diferente dos likes de Facebook e Instagram, o “recommend” serve como uma forma de propagar: ao recomendar um texto, meus seguidores por exemplo, receberão aquele como indicação de leitura, se mais alguém recomendar, um novo leque de leitores se abrirá e a história se espalhará.

Tá ok, curti todas as minhas Tags, segui todas as pessoas de meu interesse. Como vou saber o que ler? De duas formas: A primeira é o “Digest”. Digest são emails enviados pela equipe do Medium com os melhores textos das tags que você segue, bem como recomendados e publicados por amigos. A frequência poderá ser escolhida por você, variando entre Daily Digest (todo dia) e Weekly Digest (semanal).

Além disso, na página inicial (medium.com) ficam listados os principais textos de tags, pessoas que você segue e recomendações. Uma montagem semelhante às linhas do tempo por exemplo, visando mais a instantaneidade à quantidade de recomendações em si.

Somando-se à essas vantagens, o medium oferece o “Stats”, que são índices numéricos, informando quantas pessoas leram, desistiram, ou somente abriram seu texto. Isso tudo baseado em um sistema de cálculo de tempo de leitura, que informa ao leitor antes de abrir, quanto tempo precisará para ler aquilo.

Gostou do Medium? Faça sua conta! Aqui vão alguns textos enviados pela equipe Medium Brasil para quem quer começar, bem como recomendações deste que vos escreve 😉

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