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O que achamos - page 10

O que achamos: Inferno (2016)

em Cinema/O que achamos por

Chegou aos cinemas o terceiro filme baseado na obra do escritor Dan Brown, que ficou famoso por mesclar, nos seus livros, teorias da conspiração, fé e ciência,  usando um ritmo de construção como um quebra-cabeças cheio de reviravoltas que prendem a atenção do leitor até a sua última página.

O primeiro livro de Dan Brown – Fortaleza Digital, de 1998 – chamou pouca atenção, mas já trazia o formato de escrita que seria a assinatura do autor. Mas é Código da Vinci, que o alça ao status de celebridade, sendo até citado pela igreja Católica, uma vez que o livro mexe com cânones da mesma.

Nesse livro temos o personagem Robert Langdon, simbologista, professor da Universidade de Harvard e profundo conhecedor de História da Arte, muito carismático e com potencial gigantesco para agradar até mesmo os não leitores do livro. O estudioso tem uma forte habilidade para desvendar das mais complexas. Um prato cheio para Hollywood, que ultimamente sofre um pouco na criação de personagens desse tipo. Seria este um Indiana Jones misturado com Sherlock Holmes, nos tempos modernos.

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Deste modo, em 2006, tivemos a adaptação para o cinema do livro; um trabalho que trouxe a essência do personagem e da narrativa, porém, abordado de forma mais palatável, feito  para um público que quer a resolução de tudo em duas horas.

É nesse ponto que começam os questionamentos. A forma de narrativa de Dan Brown requer uma atenção que é difícil no cinema de grandes públicos, e ele também enche os livros de citações históricas e detalhes que tornam um tanto complicadas as adaptações para outras plataformas, como o cinema, principalmente pelo fato dele precisar ser um blockbuster. Até a forma como ele vem construindo os seus livros, vem cansando um pouco, após o quarto ou quinto (e eu li todos), a fórmula começa a se desgastar e o leitor tende a se cansar, pular partes.

No cinema tivemos a adaptação de Código da Vinci, Anjos e Demônios e, agora, Inferno. Nos livros, Anjos e Demônios é anterior a Código da Vinci. Depois temos um livro chamado O Símbolo perdido (que foi preterido por Hollywood), para chegarmos em Inferno.

No cinema temos uma boa adaptação de Código da Vinci, Anjos e Demônios também é interessante, mas como eu disse antes,  Inferno parece mostrar um pouco de desgaste.

Mas eis que nem tudo está perdido.  O diretor Ron Howard, que também dirigiu os filmes anteriores, nos apresenta algo diferente, tanto dos filmes anteriores, quanto dos livros. Ele simplifica a história e torna o filme mais fluido e dinâmico. Entretanto, ao fazer isso, ele tira a alma mater do herói, pois com uma trama mais simplificada, o enredo se resume a um jogo de gato e rato, entre Langdon e Bertrand Zobrist, um geneticista bilionário que almeja salvar o planeta eliminando metade da raça humana.

O filme começa com Langdon (Tom Hanks) acordando em um hospital em Florença, sem lembranças do que acontecera nas 48 horas anteriores. Ele é atendido pela médica Sienna Brooks (Felicity Jones, aqui meio forçada), que será sua companheira na jornada. Ambos são atacados no hospital por uma assassina misteriosa e conseguem fugir para a casa da doutora. Chegando lá, Langdon descobre um cilindro em suas roupas guarda uma mensagem. Esse é o ponto de partida para a aventura, tendo como base a história do Poema e da vida de Dante Alighieri, se desenvolvendo pelas ruas de Florença, Veneza e Istambul. Eles precisam assim encontrar a arma que o geneticista Zobrist (Ben Foster), criou para a eliminação de metade da raça humana, seguindo as pistas que vão sendo deixadas por ele. No encalço da dupla estão a OMS – Organização Mundial da Saúde, personificada na sua diretora-geral Elizabeth Sinskey (Sidse Babett Knudsen, melhor que Felicity Jones), e outros órgãos mais obscuros, que dão validade à ideia de conspiração.

A direção de Ron Howard é sempre competente e os seus filmes são bem feitos, mas ele pecou ao não conseguir trazer, desta vez, o carisma da personagem que se torna a sidekick de Langdon, com Felicity Jones atuando meio que por obrigação. O próprio Langdon de Tom Hanks não tem mais o carisma dos filmes anteriores. O saldo positivo fica mesmo com Sidse Babett Knudsen e a sua doutora Elizabeth Sinskey. O “Vilão” Zobrist de Ben Foster, tem pouco tempo de tela, não comprometendo o resultado final.

Mesmo simplificando a narrativa do filme e trazendo técnicas diferentes, como uma câmera na mão, montagem acelerada, flashbacks caóticos, entre outros, o filme, assim como os livros, começa a perder fôlego, justamente por trazer, ao tentar porpor uma nova roupagem, acaba repetindo uma fórmula, não superada pelas reviravoltas na trama. O roteiro fica previsível.

Por fim, é um filme bom de ver, mas que já demonstra um certo desgaste. Código da Vinci, por exemplo, teve uma versão estendida com 174 minutos,  Inferno, tem 121 minutos, soa apressado.

Se você busca uma diversão com uma trama interessante, com elementos históricos, cenários belíssimos e que prenda sua atenção por duas horas, é uma boa pedida. Se você nunca viu nada de Dan Brown, também é recomendado. Já para os conhecedores da obra, será uma jornada interessante, mesmo sentindo que o fôlego começa a faltar para o bom doutor Robert Langdon.

Abraços e até a próxima.

O que achamos: Kubo e as Cordas Mágicas

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Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and The Two Strings), é um presente para a criança que existe em cada um de nós. Caminha na linha tênue entre o simples e o espetacular, nos deixando completamente imersas em uma trama que aborda questões profundas como: relação familiar, autodescoberta, amor e a compreensão sobre o que você nasceu pra ser e o que te levará até lá.

O longa coloca os estúdios Laika, responsável pelos filmes Coraline e o Mundo Secreto, ParaNorman e Os Boxtroll, entre os grandes estúdios de animação da atualidade. É dirigido por Travis Knight e conta a história de Kubo, um garotinho filho de uma feiticeira poderosa e de um guerreiro samurai. Fugindo de um poderoso clã de feiticeiros, a mãe de kubo precisa deixar tudo para trás e se esconder em um pequeno vilarejo. O pequeno garotinho sobrevive ouvindo a contação de histórias míticas e sempre está no limiar de uma enorme ameaça.

Kubo e as Cordas Mágicas consegue criar habilmente uma atmosfera de identificação e verossimilhança, em um universo dominado pela fantasia e pela cultura oriental. Apesar de contada através dos olhos dos ocidentais, o longa consegue conferir um caráter universal às velhas lendas de espadas e magia do oriente. Percebemos que houve por parte dos realizadores um enorme trabalho de pesquisa sobre um Japão medieval. Como também é visível uma forte influência dos filmes de samurais, parecem até ter saído da imaginação de Akira Kurosawa.

O filme tem basicamente três personagens centrais, Kubo, a Macaca das neves e um guerreiro Besouro… As expressões faciais desses personagens nos fazem“esquecer”que estamos diante de uma animação do tipo Stop-motion. Talvez o maior “defeito” do longa tenha sido a aridez do tema, que fará o filme de difícil entendimento para crianças menores.

Kubo está repleto de imagens grandiosas, cenários exuberantes e lutas de tirar o fôlego. Na torcida para que encontre o devido reconhecimento e ajude o espectador em sua jornada pessoal ao lado do nosso herói.

Menção honrosa para a versão de While My Guitar Gently Weeps dos Beatles cantada pela maravilhosa Regina Spektor e para os origamis, a arte tradicional japonesa de dobrar o papel, que aqui cria novas representações.

O que achamos: O Bebê de Bridget Jones

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O filme O Bebê de Bridget Jones não tenta reinventar a roda, é um filme simples e apresenta uma coerência impressionante para uma sequência que esperou 12 anos para ser lançada. No distante ano de 2001 o público conheceria e se apaixonaria perdidamente por uma Londrina desastrada e cheia de inquietações. O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones’s Diary), baseado no best-seller de Helen Fielding, encantou plateias do mundo todo e se tornou um sucesso instantâneo de público e crítica. A sua continuação Bridget Jones no Limite da Razão (Bridget Jones: The Edge of Reason) foi lançada em 2004 e também era baseado em um romance da mesma autora do primeiro, não teve a mesma receptividade e pareceu sempre uma obra menor, quando comparada ao primeiro.

O triângulo amoroso principal (Bridget, Daniel e Mr. Darcy) foi desfeito e esse fato traz uma dinâmica maravilhosa para o andamento da história. A recusa de Hugh Grant foi tratada de maneira natural e trouxe com a sua explicação um dos melhores momentos do filme. A pergunta que ficou no ar por longos 12 anos… Que P*R*A aconteceu após o pedido de casamento de MR. Darcy foi finalmente respondida para os milhares de fãs ao redor do mundo. A vida, meus caros, foi isso que impediu o “felizes para sempre” do casal. E por falar em casal, é maravilhosso ver que a química de Renée Zellweger (Bridget) e Colin Firth (Mr. Darcy) continua impressionante com os dois absolutamente a vontade em seus papeis.

Bridget está solteira novamente é verdade que ainda escuta All By Myself e continua mantendo um diário, mas já não se cobra tanto. Tem um emprego que adora, como produtora de um telejornal e chegou ao peso ideal. Todas essas mudanças na vida de Bridget pavimentam o caminho para o envolvimento com um homem diferente: Jack Qwant é o primeiro grande papel de Patrick Dempsey após a sua saída de Grey’s Anatomy e ele soube aproveitar, está maravilhoso no papel do cara fofo e desencanado.

O filme é recheado de bons momentos e não decepciona os fãs, mas é necessário um conhecimento prévio para compreender nuances importantes. O roteiro, apesar de recheado de clichês consegue divertir e emocionar. Todos os ingredientes dos filmes anteriores estão lá: Os pais que a amam e oprimem (quase na mesma proporção), os amigos que casaram, tiveram filhos e estão curtindo a “vida adulta”, o homem dos sonhos VS o homem real e o trabalho.

Com direção de Sharon Maguire, do primeiro filme, ‘O Bebê de Bridget Jones’ é uma comédia romântica moderna e atual (embora talvez tenha exagerado um pouquinho na tentativa de se afirmar como tal), leve e descontraída. É um filme que te coloca pra cima, com uma protagonista humana e cheia de falhas, que sabe rir das próprias desgraças mesmo nas situações mais embaraçosas que a vida proporciona. Vale muito a ida ao cinema.

Menção Honrosa para a Emma Thompson, que além de fazer parte da equipe de roteiristas está absolutamente maravilhosa no papel da ginecologista de Bridget.

O que achamos: Angry Birds, diversão para todas as idades

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Um recurso lucrativo e muito utilizado no cinema é adaptar para a sétima arte histórias de outros universos. Livros, HQs, jogos de video game, séries e reportagens de TV já viraram roteiros de suce$$o para os grandes estúdios. Em Angry Birds, a Sony Pictures aposta em um novo filão desse mercado, a adaptação de aplicativos de celular para as telonas. Pela empolgação da companhia e do público, a iniciativa tem tudo para dar certo.

Inicialmente lançado em 2009 como app para celulares do sistema iOS, Angry Birds rapidamente virou uma febre entre os consumidores da Apple. Não demorou muito para chegar a outras plataformas digitais. Hoje em dia, os pássaros raivosos estão presentes em vários segmentos da indústria cultural.

No filme, conhecemos a pacata ilha onde vivem os pássaros que não voam. No local moram Red (Jason Sudeikis/Marcelo Adnet), Chuck (Josh Gad/Fábio Porchat) e Bomba (Danny McBride/Mauro Ramos). Eles são tipos raivosos que não conseguem conviver com demais animais da espécie e passam a ser disciplinados por Matilda (Maya Rudolph/ Dani Calabresa) para conter seus ataques de fúria. Tudo muda na ilha com a chegada dos porcos verdes liderados por Leonard (Bill Hader/Guilherme Briggs). O desenrolar da trama é regado com piadas, musicais e algumas lições de moral às avessas.

Na versão nacional, os artistas famosos escolhidos para dar voz aos personagens conseguem arrancar risos do público. Sem desprestigiar os dubladores profissionais, o trio Adnet-Porchat-Calabresa forma uma ótima parceria e certamente deve permanecer nas futuras sequências do filme. Com eles, a utilização do “tá tranquilo, tá favorável” soa mais risível que a de Guerra Civil, talvez pela identificação dos atores brasileiros.

Quanto ao texto, é interessante destacar que Angry Birds não é uma animação tipicamente infantil. Apesar da história leve, com condução simples e óbvia, Jon Vitti insere no roteiro algumas piadas e situações de duplo sentido com intuito de conquistar também os pais das crianças e os adultos que toparem embarcar nessa aventura. Com isso, o filme consegue surfar entre as faixas etárias sem grandes percalços.

A direção de Fergal Reilly e Clay Kaytis explora os detalhes da paisagem construída para a animação e os estereótipos dos pássaros. Eles também utilizam referências de marcas famosas e de outros filmes na produção (há uma cena em câmera lenta do veloz Chuck que o público vai recordar do Mercúrio do X-Men). Os diretores ficaram devendo apenas no 3D. O recurso é pouco utilizado e acaba nem sendo notado, o que é uma pena porque o longa oferece grande possibilidade de utilização desse tipo de tecnologia.

Angry Birds é uma animação idealizada para agradar o grande público. Com pegada leve e despretensiosa, os 97 minutos de projeção seguem linearmente sem atropelos narrativos. É uma produção que chega forte para competir com as outras franquias do gênero. Uma excelente opção de entretenimento. Vale o ingresso e vale o riso.

Crítica: Independence Day – O Ressurgimento

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2016 é o ano das continuações na indústria do cinema. X-Men, Tartarugas Ninja, Invocação do Mal, Capitão América, Super-Homem estão entre as produções que tiveram suas histórias estendidas recentemente. Nesse filão das releituras e sequências chega às telonas Independence Day – O Ressurgimento. A produção é cercada de efeitos especiais, aventura e muita ação para contar a história de uma nova invasão alienígena na terra.

O filme se passa 20 anos após o primeiro ataque extraterrestre, evento mostrado no primeiro longa lançado em 1996. Vários atores estão novamente no elenco interpretando os mesmos papéis, a exceção é Will Smith que ficou de fora, mas é bastante lembrado no decorrer da projeção. Na tentativa de oxigenar a trama, foram inseridos novos personagens para reproduzir a mesma lógica da história anterior. Liam Hemsworth, Maika Monroe e Jessie T. Usher encabeçam a lista de novatos com mais tempo de tela.

No filme, o mundo sofre uma nova ameaça alienígena arquitetada pelos mesmos invasores de vinte anos atrás. Só que desta vez, eles estão mais fortes, inteligentes e organizados. Teoricamente, os terráqueos também estão preparados para novas invasões, mas não é bem o que acontece. Os roteiristas Nicolas Wright, James A. Woods, Dean Devlin, Roland Emmerich e James Vanderbilt abusam do inusitado e forçam a barra para contar a aventura. Alguns fatos soam surreais até mesmo para um filme de ficção científica. Um líder africano mata aliens usando foices, uma nave alienígena da dimensão do Oceano Atlântico não é detectada por nenhum radar, extraterrestres falam inglês, humanos pilotam máquinas alienígenas com total aptidão e propriedade. Esses são alguns exemplos da viagem narrativa da produção.

O roteiro fantasioso conduz de forma truncada e ingênua o interesse dos aliens em destruir o planeta e como os humanos conseguem reverter essa situação. Também ficou estranha a participação da presidenta do EUA. Interpretada por Sela Ward, a personagem poderia ser um diferencial na trama, mas acaba sendo um trampolim para o Ex-Presidente Whitmore (Bill Pullman), mais um papel feminino subutilizado. A trama também aposta na imagem da terra como uma nação unida e feliz com várias crenças e cores, todos liderados pelos norte-americanos. Em dado momento da história, um E.T. diz que os humanos “são uma espécie extraordinária”. Infelizmente, diante dos últimos acontecimentos mundo afora tem sido difícil acreditar nisso.

Novamente dirigido por Roland Emmerich, o filme é repleto de excelentes cenas de ação em naves, colisões, perseguições intergalácticas, confrontos armados entre humanos e aliens. Os efeitos especiais são o ponto alto da produção, sobretudo nas cenas de destruição e apocalipse. As imagens impressionam e prometem arregalar os olhos do público.

Independence Day – O Ressurgimento tem orçamento aproximado de 200 milhões de dólares. A expectativa é que a produção alcance bons números de bilheteria e atraia o público que acompanhou a primeira incursão cinematográfica da franquia na década de 90 e também conquiste as novas gerações. Pensando nisso, há um investimento pesado em marketing e até em app de jogos para celular sobre o filme. Há a possibilidade de termos uma continuidade, formando uma trilogia da saga. Vamos apostar que nas sequências prometidas, além dos efeitos especiais de ponta, as histórias sejam apresentadas de forma mais verossímil e com menos clichê. Fica aqui nossa torcida.  

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