CONSCIÊNCIA COLETIVA

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Leandro Gantois

Leandro Gantois has 9 articles published.

Leandro é jornalista por formação e estudante de Cinema e Audiovisual pela UFPE. É cinéfilo desde a infância e tem interesse por debates sobre identidades culturais. É fã de música new wave e sintetizadores em geral, novelas de Gilberto Braga e acredita que Madonna é a única messias possível | Para segui-lo no Twitter: @leandro_gantois

[LISTA] 25 obras LGBTQIs indicadas ao Oscar de Melhor Filme

em Cinema/Listas e Homenagens/Novidades por

A primeira vez que vi dois gays e duas lésbicas se beijando na televisão aberta foi no ano 2000 no videoclipe de “American Pie” de Madonna no programa Disk, que era exibido às seis da tarde, na MTV Brasil. Eu tinha 12 anos e aquelas imagens me marcaram. Não era a primeira vez que via gays e lésbicas na mídia, é claro. Muito cedo, como cinéfilo, descobri a “seção de arte” das videolocadoras, que era um eufemismo para algo como “filmes europeus, premiados ou que tem cenas de sexo homosssexual”. Ali você descobria filmes como “A Lei do Desejo” (1987), “O Padre” (1994), “Almas Gêmeas” (1994) e “Eclipse de Uma Paixão” (1995) . E ainda ganhava eventuais elogios das atendentes: “você é tão novinho e só gosta de filmes densos”. Eu só não poderia revelar qual densidade eu estava procurando.  O clipe de “American Pie” da Madonna, cover do clássico de Don McLean, me marcou por ser exibido diariamente e por singelos beijos que duravam poucos segundos. Sintomático sobre o quão LGBTQIs foram sub-representados na mídia mainstream ao longo dos anos. Continue Lendo

O que achamos: The Square – A arte da discórdia

em Cinema/Novidades/O que achamos por

Em 2013, fiz intercâmbio de um ano em Toronto no Canadá. A minha escolha levou em consideração o fato de o país ser conhecido por ter uma grande abertura cultural e um imenso respeito por todos os grupos sociais. O canadense tem como contrato social o multiculturalismo, por necessidades econômicas, que o faz ser visto de forma um pouco caricata pelo excesso de educação, polidez, cuidado nas palavras e por opiniões politicamente corretas. Não nego admiração pela maneira como o país conseguiu se organizar socialmente de forma a promover o respeito aos mais diversos indivíduos das mais variadas identidades culturais. Esse excessivo cuidado em soar respeitoso, entretanto, as vezes criava situações inusitadas e até constrangedoras. Continue Lendo

O que achamos de “Me Chame Pelo Seu Nome”

em Cinema/Novidades/O que achamos por

*** Contém Spoilers

“Me Chame Pelo Seu Nome”(Call Me By Your Name, 2017) poderia ser descrito como um cinema pós-gay? Mas o que seria cinema pós-gay? O romancista americano Bret Easton Ellis, autor de “Abaixo de Zero” (1987) e “Psicopata Americano” (1991), em artigo publicado na Revista Out, classificou “Me Chame Pelo Seu Nome” como um filme pós-gay por não ter como tema central a saída do armário, a epidemia de Aids, o bullying, a homofobia, a luta por direitos civis, a culpa, a tragédia ou o sofrimento. Questões que foram sendo debatidas pelo cinema ao retratar a homossexualidade. O cinema pós-gay, então, teria uma menor preocupação com a ratificação de identidades e em educar o público. As relações gays seriam mais livres para serem mostradas sem parecer um didático manifesto. Para alguns críticos, o cinema pós-gay estaria apontando para um momento em que a homossexualidade passaria a ser retratada sem as amarras de provar a sua naturalidade. Mas será que “Me Chame Pelo Seu Nome” pode ser encaixado nesse conceito? Continue Lendo

O que achamos de “O Destino de Uma Nação”

em Cinema/Novidades/O que achamos por

O cineasta François Truffaut cunhou em 1954 a expressão “cinema de papai” no famoso ensaio “Uma Certa Tendência do Cinema Francês” publicado na Cahiers Du Cinéma. Truffaut tinha como alvo um cinema conservador do ponto de vista formal, que não imprimia o estilo do diretor, e viria a ser conhecido como “política dos autores”. O “cinema de papai” é um cinema preso à narrativa quase literária. São filmes em geral edificantes, podendo ser biografias ou adaptações de romances gravados de maneira correta, sem muita novidade, com um suposto bom gosto para determinado público. Truffaut, um dos representantes da Nouvelle Vague, queria com a provocação uma maior ousadia dos cineastas. E se tem algum lugar em que é fácil achar representantes daquilo que Truffaut define como “cinema de papai” é a premiação do Oscar. E “O Destino de Uma Nação” (Darkest Hour, 2017) é mais um desses exemplares, que parece ter sido filmado como um “Oscar material”, possuindo como maior objetivo obter algumas estatuetas na premiação da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood. Continue Lendo

O que achamos de “Roda Gigante”, novo filme de Woody Allen

em Cinema/Novidades/O que achamos por

Lembro muito claramente quando entrei em contato com um filme de Woody Allen pela primeira vez: foi através de um acervo lançado pela Revista Caras em VHS na década de 90, a Folha de São Paulo e a Revista IstoÉ tinham coleções nos mesmos termos, que tinha “A Rosa Púrpura do Cairo” (1985) no catálogo. Fiquei encantado, ainda criança, com Cecilia, personagem de Mia Farrow, que utilizava a cinefilia como fuga da recessão econômica da década de 30 nos Estados Unidos e da violência doméstica de seu marido. Depois disso, ficou fácil entrar no universo do cineasta através de qualquer videolocadora, seus filmes não eram difíceis de achar, até pelo uso constante de nomes do star system de Hollywood. Continue Lendo

O que achamos: Jumanji – Bem-Vindo à Selva

em Cinema/Novidades/O que achamos por

“Jumanji” (1995) é um filme que possui um lugar especial para uma geração nascida na metade final da década de 80 e de toda a década de 90. O filme de Joe Johnston – diretor de “Querida, Encolhi as Crianças” (1989) – está na memória afetiva de muita gente que se acostumou a ir na videolocadora e alugar a obra algumas dezenas de vezes. Fenômeno hoje cada vez mais distante, raro e quase nostálgico na indústria cinematográfica. “Jumanji” foi uma das maiores bilheterias de 1995, típica película família, que trazia Robin Williams no papel principal e a ainda criança Kirsten Dunst, estrela em ascensão após “Entrevista com o Vampiro” (1994). Continue Lendo

Alabama: pedofilia, corrida ao senado e o voto dos negros

em Novidades/Opinião/Política por

“Redneck”, que em tradução literal significa “pescoço vermelho”, é um estereótipo e uma caricatura do americano branco, caipira e de baixa escolaridade que trabalha em plantações nas áreas rurais e normalmente possui uma visão de mundo conservadora: uma coleção de armas em casa e pouca simpatia por grupos sociais minoritários. O Alabama, um dos estados mais atrasados e pobres dos Estados Unidos, sempre esteve associado ao conceito de redneck e costuma ser olhado com certa desconfiança por estados do norte mais liberais. E a eleição especial para o Senado de 2017, após Donald Trump indicar o incumbente da cadeira para o cargo de Procurador-Geral, parecia ratificar a ideia de que o Alabama seria um local parado no tempo e em dissintonia com o resto do país. Continue Lendo

Flashdance como símbolo da era Reagan

em Cinema/Novidades/O que achamos por

O estado da Pensilvânia, tradicional reduto do Partido Democrata, ajudou a selar a vitória do candidato republicano Donald Trump nas eleições presidenciais americanas de 2016. A mudança no perfil do eleitor pode ser explicada pelo declínio das indústrias de aço, especialmente na cidade de Pittsburgh, com a intensificação do processo de globalização nas últimas décadas e pela fuga dessas indústrias para países periféricos. O mesmo, aliás, aconteceu com a produção automobilística de Michigan, especialmente em Detroit, outro estado que preteriu a candidata democrata Hillary Clinton. Continue Lendo

O mal-estar na França pós-industrial de Laurent Cantet

em Cinema/Novidades/O que achamos por

O Festival de Cannes passou 21 anos sem premiar com a Palma de Ouro um filme francês desde que, em 1987, Maurice Pialat venceu sob vaias com “Sob o Sol de Satã” (Sous Le Soleil de Satan, 1987) por ter desbancado o então favorito “Asas do Desejo” (Der Himmel Uber Berlin, 1987) do alemão Wim Wenders. Pialat receberia o prêmio e soltaria um “também não gosto de vocês” contra os autores dos gritos. A França voltaria a ser laureada apenas em 2008 com “Entre os Muros da Escola” (Entre Les Murs, 2008), obra sobre o sistema educacional do país, que jogaria luz sobre a carreira do cineasta Laurent Cantet. Continue Lendo

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