CONSCIÊNCIA COLETIVA

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Pedro Henrique - page 2

Pedro Henrique has 14 articles published.

Professor de inglês, DCnauta, Nintendista e aspirante a Mestre Pokémon, gosto de usar minhas horas vagas para ver seriados, ler HQs, jogar, escrever e, claro, problematizar.

A crescente representatividade LGBT nas HQs da DC Comics – Parte 2

em HQ/LGBTQI/Nerd por

Já faz algumas semanas que eu falei aqui da Batwoman e de como a DC Entertainment tem feito progresso com a representatividade LGBT nos últimos anos em seu universo fictício de super-heróis. Como uma andorinha só não faz verão, neste texto quero abordar outros proeminentes personagens LGBT que viram um bom momento em suas histórias nos últimos anos!

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  • Alysia Yeoh

No mesmo ano que todo mundo se decepcionava com a proibição da DC ao casamento lésbico da Batwoman, a escritora Gail Simone nos dava alguma alegria no título da Batgirl ao revelar que a colega de quarto e melhor amiga de Barbara Gordon era uma mulher transgênero. Embora ela não seja a primeira personagem trans da DC, a notícia ganhou bastante atenção da mídia e Simone continuou promovendo a personagem como uma coadjuvante importante durante todo o tempo que esteve à frente de Batgirl.

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Alysia Yeoh foi criada como uma ativista e amiga leal à Barbara e logo conquistou os leitores. Quando a DC removeu Simone do título para que Batgirl fosse colocada numa nova direção artística pelas mãos de Brenden Fletcher, Cameron Stewart e Babs Tarr, houve uma séria preocupação sobre o que aconteceria com a personagem e a própria Simone lamentava publicamente que sua remoção de Batgirl a impediria de trabalhar histórias que ela tinha planejado. Pra aumentar a complicação, na nova fase Barbara Gordon iria para o bairro universitário de Burnside, mudando-se do apartamento que dividia que com Alysia.

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Apesar de admitirem não terem muita ideia do que fazer com Alysia logo que assumiram o título da heroína ruiva, Fletcher, Stewart e Tarr a mantiveram como uma presença recorrente na vida da Batgirl até enfim expandirem sua história: a personagem ganhou uma namorada e, em outubro do ano passado, a amiga da Batgirl pôde casar com sua esposa numa edição histórica! Para melhorar ainda mais, personagem também foi incluída em DC Comics Bombshells.

  • Bissexuais sim e com orgulho!

Por muitos anos, dizer que um personagem era bissexual envolvia colocá-lo em relacionamentos exclusivamente heterossexuais enquanto ele flertava aqui e acolá com algum outro personagem do mesmo sexo. Esse foi o caso de Constantine. Revelado bissexual em 1992, através de diálogos, o poderoso mago era muito raramente mostrado se relacionando de forma sexual ou romântica com outros homens. Por anos, esse era apenas um mero detalhe da sua personalidade que a maioria dos roteiristas não achava importante o bastante para ganhar atenção – embora ele fosse visto com certa frequência se envolvendo com mulheres.

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A situação começou a mudar somente em 2013, quando o popular mago ganhou uma nova revista solo que logo em seus primeiros capítulos explorou a bissexualidade de Constantine abertamente, mostrando-o se envolvendo com outros homens, assim como mulheres. Infelizmente a qualidade do título não era das melhores, resultando em seu cancelamento pouco tempo depois. Em 2015, o personagem ganhou uma nova chance com Constantine: the Hellblazer, publicada este ano no Brasil como Constantine: Hellblazer pela Panini. Buscando apresentar um novo olhar sobre o personagem e resgatar alguns elementos de suas origens, os artistas responsáveis pelo título, Ming Doyle e James Tynion IV, mostraram um Constantine ainda mais confortável com sua sexualidade.

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Tal ato veio de forma reconfortante uma vez que a série de TV do personagem pela NBC, lançada em 2014 (e cancelada já no ano seguinte), vergonhosamente fez questão de propagar aos quatro ventos que seu Constantine, interpretado por Matt Ryan, era heterossexual. A justificativa do produtor executivo Daniel Cerone era justamente a de que o personagem não havia sido mostrado se relacionando com homens ao longo de seus mais de 20 anos de existência nas histórias em quadrinhos, logo por que se preocupar em mostrar isso na tevê? Felizmente, Doyle e Tynino IV estavam dispostos a mudar isso.

Quem também saiu do armário como bissexuais foram as Sereias de Gotham: Mulher-Gato, Arlequina e Hera Venenosa. Ano passado, Selina Kyle deu seu primeiro beijo em uma mulher, sob o roteiro de Genevieve Valentine. Considerada uma das melhores fases da personagem escritas até hoje, a Mulher-Gato de Valentine foi um momento ideal para introduzir um elemento queer na história da personagem. Considerando o passado extremamente sexual da anti-heroína e como seu conceito pode ser muitas vezes resumido a um velho fetiche masculino, sua primeira experiência como uma mulher bissexual poderia ser visto apenas como apenas a realização de mais um fetiche para agradar ao público masculino.

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Porém, Valentine marcou sua passagem pela revista solo da Mulher-Gato com uma trama profundamente íntima e emotiva, que levou a personagem a um novo e elevado patamar. Dessa forma, o beijo entre Selina Kyle e Eiko Hasigaway se tornou um desenvolvimento a mais para Selina, um genuíno momento de descoberta que a autora trabalhou muitíssimo bem. A arte de Garry Brown também ajudou a dar um tom distinto a todo o arco, evitando as típicas sexualizações tão comuns nas HQs americanas.

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Igualmente importante foi a decisão da DC Comics de oficializar Harleen Quinzel, a Arlequina, e Pamela Isley, a Hera Venenosa, como um casal. Desde a criação da Arlequina por Bruce Timm e Paul Dini para Batman – A Série Animada, as personagens tinham um dos relacionamentos mais legais de se acompanhar no Universo DC. Elas eram amigas e parceiras de crime e se importavam uma com a outra e se ajudam mutuamente. Era visível como o relacionamento de Arlequina com Hera Venenosa era exatamente a antítese do relacionamento abusivo que a personagem tinha com o Coringa. Pamela até mesmo se posicionava contra o namoro bizarro dos dois e estimulava a parceira a se emancipar definitivamente do criminoso.

A primeira confirmação do namoro veio através do Twitter, em junho do ano passado, durante um papo dos artistas responsáveis pelo título solo da personagem, Amanda Conner e Jimmy Palmiotti, com os leitores da revista. Mais do que confirmarem que as duas são namoradas, os roteiristas também explicaram que elas não estão num relacionamento monogâmico, o que também é ótimo! A decisão de evoluir esse relacionamento do campo da amizade para o campo romântico provou-se ser um dos maiores acertos da editora nos últimos tempos, já que até resultou na palhaça do crime finalmente se libertando da sombra seu ex maníaco definitivamente.

No momento, Arlequina é uma das personagens mais populares da DC, o que apenas aumentou com sua presença em Esquadrão Suicida nos cinemas, numa performance muito elogiada de Margot Robbie. A revista solo da personagem ainda conseguiu ser a mais vendida de agosto deste ano nos EUA, portanto sua bissexualidade declarada é apenas algo a ser celebrado. Além disso, a própria Margot Robbie conseguiu convencer a Warner Bros a deixá-la produzir o filme solo da personagem.

Além da presença de Robbie nos dar esperança para um tratamento mais digno à personagem e já se fala na presença de Hera Venenosa no filme! Além do Universo DC tradicional, o namoro de Arlequina e Hera Venenosa também está sendo explorado na terra paralela de DC Comics Bombshells, que mostra as mulheres da DC liderando a luta na Segunda Guerra Mundial.

Na parte final desta série de textos, vamos falar dos personagens gays da DC, da representatividade LGBT nas séries de TV e das expectativas que temos para o futuro não só da editora, mas também da indústria de HQs como um todo!

Tchau, família?

em LGBTQI/Opinião por

Viver em família nunca foi algo fácil. Conviver todos os dias com pessoas que possuem personalidades e pontos de vista que podem divergir dos seus nem sempre é fácil e enquanto choques geracionais sempre ocorreram, a atual situação política do Brasil parece intensificar esses conflitos. Desde as eleições de 2013 nos vemos diante de um país que tem se dividido de maneira cada vez mais acentuada. A saída do armário da direita fascista brasileira fez com que aqueles mais à esquerda e as minorias tradicionalmente silenciadas ou postas de lado pelo conservadorismo reagissem na luta desesperada para garantir seu espaço, cada vez mais ameaçado.

E se esse conflito tem separado amigos (a busca constante pelo sempre maior número de amigos da era do Orkut foi substituída pelas frequentes faxinas na lista de amigos do Facebook), o dano à família não tem sido menor. O problema acaba sendo maior para quem defende os valores de esquerda já que a famosa família tradicional brasileira não só está presa ao conservadorismo, com o apoio da mídia, grupos religiosos e outros setores, como parece querer se agarrar a eles com ainda mais força.

É quase impossível ouvir falar de algum grupo de família em que a tentativa de corrigir aquela tia que fala que bandido no Brasil “recebe mais dinheiro que um trabalhador honesto” não resultou num grande drama familiar, ou que a defesa a pessoas LGBT daquele tio machista, homofóbico e transfóbico não virou chacota do mundo que está “ficando chato demais”. E quando por se posicionar contra o golpe não virou motivo para que diversos primos lhe chamassem de “petralha comunista”? Não à toa que as festas de fim de ano e o famigerado encontro com os tios se tornou motivo de piada e temor.

De fato, a convivência familiar vai se tornando cada vez mais difícil e isso acaba sendo um problema ainda maior para pessoas da comunidade LGBT. Se viver em família já é difícil per se, como lidar quando ela ainda vem acompanhada de preconceitos e atitudes hostis sobre quem você é? A questão é que se o modelo de família tradicional parece cada vez mais quebrado, ainda há esperança para as “ovelhas negras”.

Se os gays de antigamente ficavam restritos ao seu círculo social homofóbico, sem muita escapatória, o advento da Internet permitiu que gays, lésbicas, bis, trans e travestis se encontrassem, se unissem e formassem comunidades nas quais podem se apoiar, conversar e encontrar aquela empatia que não se encontra em casa. Além disso, muitos daqueles que possuem as condições necessárias, acabam conseguindo deixar seus lares para se mudarem para ambientes onde são bem recebidos.

Sair da casa dos pais conservadores intolerantes acaba se tornando um sonho e sua realização, um alívio. A verdade é que para muitas pessoas família já deixou de ser um lugar de acolhimento, amor e bem-estar. Para muitos, nunca foi. As pessoas que te criam acabam também se tornando as que mais te oprimem e desrespeitam, as que menos te ouvem e te aceitam como você é. Deixar esse mundo de silenciamento e repressão para trás acaba se tornando um alívio para muitos.

Porém, essas pessoas estão longe de ficarem sem família. Nós já passamos da hora de entender que família não é determinada pelos vínculos sanguíneos que alguém tem com você, mas por laços de amor, confiança e cuidado que cultivamos uns pelos outros. Dessa forma, amigos que são unidos, se amam, se respeitam e cuidam uns dos outros se tornam nossas novas famílias. Se aqueles que te acompanham desde sua infância e cresceram contigo ainda não aprenderam a te aceitar como você é, então talvez seja sim hora de dar aquele “tchau, família”.

Batwoman e a crescente representatividade LGBT nas HQs

em HQ/LGBTQI/Nerd por

Não tem sido fácil ser fã da DC Comics nos últimos anos: só este ano, tivemos que lidar com as produções decepcionantes tanto no cinema quanto na TV, inclusive a forma equivocada/objetificada como as mulheres foram representadas no filme Esquadrão Suicida e até o fato absurdo da editora ainda manter entre os seus empregados um assediador, mesmo após a chuva de denúncias feitas por várias ex-funcionárias.

Ainda assim, existe um elemento da editora que merece elogio, reconhecimento e nos dá uma pontada de esperança: a DC Entertainment tem trabalhado cada vez mais para inserir personagens LGBT nas suas produções: seja elas histórias em quadrinhos, séries animadas para TV e até filmes. Apenas há algumas semanas, tivemos o atual roteirista da revista da Mulher-Maravilha, Greg Rucka, falando abertamente sobre a sexualidade queer da personagem e das outras amazonas da Ilha Paraíso, além das primeiras imagens da vindoura, HQ do casal gay Meia-Noite e Apolo e do anúncio não só do retorno do título solo da Batwoman ano que vem como da websérie animada estrelando um personagem gay.

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Então, vamos começar por aquela que esteve no topo, caiu, e promete voltar ao lugar a qual merece…

  • A Lacradora Batwoman

A Batwoman Kate Kane foi estabelecida como uma personagem lésbica em 2006 na série 52, tornando-se uma das mais importantes personagens LGBT da DC. É também bastante justo creditar a ela esse ressurgimento LGBT dentro da editora. Apesar da editora ter inseriodo outros personagens gays e lésbicas, que estrelavam ou coestrelavam histórias em quadrinhos, como a policial Renee Montoya na premiada “Meia Vida”, publicada dentro de Gotham Central (lançada no Brasil ano passado em Gotham DPGC: No Cumprimento do Dever), foi só com Os Novos 52 que vimos uma personagem LGBT protagonizando uma revista solo na DC Comics. Assim, Batwoman se tornou a primeira publicação mensal protagonizada por uma heroína lésbica!

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Em Batwoman, acompanhamos a história da Kate Kane, uma heroína determinada que havia transformado sua experiência traumática do passado em energia para salvar aqueles que mais precisavam – afinal em Gotham City, nunca falta alguém que precise de ajuda – ao mesmo tempo acompanhávamos e torcíamos por seu conturbado romance com a policial Maggie Sawyer.

Foram dois anos de alegria, até a DC acabar com a festa em 2013. Apesar de por muito tempo ter sido considerada uma das melhores HQs lançadas entre 2011 e 2013, os artistas responsáveis pelo trabalho, J.H. Williams e W. Haden Blackman, deixaram os fãs devastados quando anunciaram que estavam deixando o título porque a DC estava fazendo-os mudar os rumos de suas histórias com frequência e ainda proibiu o casamento de Kate Kane com sua noiva, Maggie Sawyer. A razão estúpida dada pela DC foi que nenhum dos seus heróis poderia casar, porque isso seria uma espécie de final feliz, o que supostamente nenhum deles devia ter.

A decisão gerou uma imensa revolta entre os fãs e a editora foi alvo de inúmeras críticas, tanto de leitores (as) quanto de críticos. A decisão editorial também acabou custando à DC uma de suas melhores publicações na época, uma vez que não só viu uma queda de qualidade devastadora nas histórias subsequentes, como também uma queda nas vendas que resultou no eventual cancelamento do título ano passado.

Enquanto sumida do Universo DC principal, Kate Kane encontrou uma nova chance de ser a heroína que ela merecia nas páginas da webcomic DC Comics Bombshells. No universo que dá vida a popular série de estátuas colecionáveis da DC, o mundo tem poderosas heroínas na linha de frente dos conflitos da Segunda Guerra Mundial. Logo na primeira edição, a Batwoman de Kate Kane é introduzida e parece feliz em um relacionamento ao lado da sua parceira, Maggie Sawyer.

Este ano, a personagem também coestrelou o filme animado Batman: Sangue Ruim ao lado de outros membros da Batfamília. Um grande mérito do filme foi também lidar abertamente com a sexualidade de Kate, mostrando-a tentando iniciar um relacionamento com Renee Montoya (que fora a primeira grande namorada da personagem nas HQs). Com o evento editorial deste ano, Rebirth, a personagem fez um retorno muito digno ao Universo DC ao lado de Batman e outros heróis em Detective Comics.

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Há também uma chance da personagem aparecer na segunda temporada do seriado Supergirl, o que seria muito legal, uma vez que Maggie Sawyer já teve sua estreia confirmada. Porém nenhuma notícia é mais empolgante do que a do retorno da personagem a seu título solo confirmado para o ano que vem. Uma das razões para aumentar nossa empolgação é que a nova revista estará nas mãos de Marguerite Bennett, escritora abertamente LGBT, que também é responsável pelos roteiros de DC Comics Bombshells.

Se a DC pôde tirar uma lição de sua mancada de não deixar que os fãs vissem o esperado casamento entre Kate e Maggie se concretizar, foi: que não só queremos mais personagens LGBT recebendo seu devido destaque, como também queremos vê-los vencendo e sendo felizes ao lado das pessoas que amam, especialmente as lésbicas!

Logo no começo deste ano, a morte de uma personagem lésbica em The 100 levou a uma revolta generalizada por conta do grande número de personagens lésbicas que são mortas em seriados todos os anos. Só até abril deste ano, 10 lésbicas haviam sido mortas em séries americanas! Portanto, a DC precisa sim dar a Batwoman e a Maggie Sawyer, a felicidade e as vitórias que elas merecem, e que essa história impulsione o surgimento de muitas outras. E a Marvel já fez seu movimento anunciando que ano que vem também publicará uma HQ solo da Miss America: uma Jovem Vingadora latina, que também é lésbica! Mal podemos esperar.

O algoz

em Autoral/Devaneios por

Há um sentimento que me tortura, que me subjulga, que me coloca aos seus pés, que faz de mim servo e me acorrenta, que crava espinhos por todo meu corpo, que me faz reviver fantasmas de sentimentos, de sentidos. Por ele, sou forçado a relembrar beijos que me marcaram, toques que nunca fui capaz de esquecer, cheiros que me possuíram, promessas que jamais se cumpriram. Sou possuído de tal forma que sinto minhas próprias forças esvanecerem, sou tomado por esse poder maior e por um momento esqueço quem sou e vivo uma vida que já não é mais minha. Lembranças recentes e antigas se misturam num único grande sentimento e o que outrora fora alegria, prazer e amor de repente é tornado angústia, a angústia do presente que inveja a alegria que o passado consumiu.

É o eterno estado mutável das coisas que mantém a roda girando.

Mas o que seria da vida sem a efemeridade? É o eterno estado mutável das coisas que mantém a roda girando. E por isso eu me entrego a meu algoz, sem restrições. Entrego-me com as mãos estendidas, antebraços se tocando, prontas para serem algemadas, entrego-me com a cabeça baixa de quem se resignou, entrego-me como alguém que está pronto para oferecer nenhuma resistência. Entrego-me ao meu algoz porque sei que por mais cruel e perverso que ele seja, eu quero sentir. A alegria que o passado reserva me preenche, mas o presente clama pelos sentimentos que se foram, tateando desesperandamente para tocá-los e sendo capaz de sentir apenas os vultos e sombras do que fora outrora.

A saudade fez de mim seu escravo e eu alegremente aceitei. E ainda lhe ofereci biscoitos e um leite quente.

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