CONSCIÊNCIA COLETIVA

Descubra-se Gamer (parte 2): Vamos brincar de andar?

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Existe na comunidade gamer um termo mal visto (ou bem visto, depende de que lado da discussão você esteja): walking simulators. Esse termo é usado para designar jogos em que a mecânica principal é andar, portanto simuladores de caminhada. É um termo chulo. Pessoalmente falando, claro. Esse termo foi cunhado como forma de deboche para jogos que priorizavam a narrativa e careciam de mecânicas mais robustas de combate, movimento, etc. Pena que o feitiço virou contra o imperador. Hoje em dia, ver a tag de walking simulator em um jogo só me faz ter mais vontade de jogá-lo.

Um dos primeiros exemplares desse “gênero” (noir mandou um beijo) foi Dear Esther. Primeiramente um mod de Half Life(modificações de jogos feitas por usuários, seja para adicionar elementos ou fazer jogos novos a partir da base já estabelecida), Dear Esther é um game em que o jogador caminha pelo cenário em 3D e a medida que explora, um narrador anônimo lê trechos de cartas para uma personagem chamada Esther. Ainda não joguei esse jogo, mas recomendo a todos ouvir a trilha sonora dele aqui:

Jessica Curry é fantástica. Sempre recorro a ela quando quero ouvir músicas pra me inspirar. Ah, você pode encontrar Dear Esther aqui. E a tradução em PTBR aqui.

Com o sucesso de Dear Esther, diversos outros desenvolvedores perceberam o apelo que aquele tipo de jogo tinha com o público. Jogos que não focavam em combate e podiam criar suas mecânicas em torno da narrativa (e não apesar dela.) Desde então, dezenas de jogos que se encaixavam nas diretrizes de simuladores de caminhada foram lançados, alguns bons, alguns ruins. Graças à Atena (insira sua divindade aqui) nunca me arrependi de ter jogado os que joguei até agora. Estou aqui para ajudar você a encontrar aquele joguinho que vai fazer seu coração feliz. Vem comigo!

The Vanishing of Ethan Carter (2014, The Astronauts)

Um famoso investigador paranormal recebe uma correspondência de um fã de 12 anos, Ethan Carter, que o motiva a viajar até a cidade natal do garoto. Chegando lá, fenômenos paranormais e sinais de violência começam a aparecer enquanto o investigador procura pelo menino. Horror e mistério se misturam em uma ficção do bizarro, que remete à Lovecraft e Edgar Allan Poe. Qualquer revelação a mais, estragaria o jogo. Na verdade, isso se aplica a todos os jogos aqui. O jogo também está disponível para PS4  e Xbox One . A tradução em PT-BR você encontra aqui.

Gone Home (2013, The Fullbright Company)

 

Imagine que você foi fazer um intercâmbio e voltou dois anos depois. Ao chegar em casa, ela está deserta e agora cabe a você desvendar o que aconteceu com a sua família enquanto você estava fora. Essa é a situação de Katie. Chegando em casa, ela apenas encontra um bilhete na porta da frente de sua irmã mais nova, pedindo para ela não tentar descobrir pra onde ela foi e um dia elas se encontrariam novamente. Um mistério para ser desvendado! Todos os personagens dessa casa são extremamente bem desenvolvidos e cada uma de suas histórias é realmente interessante. Para saudosistas, o jogo se passa em 1995 e consegue trazer várias referências à época. Por favor, jogue esse jogo com fones de ouvido. O jogo também está disponível para PS4 e Xbox One. A tradução em PT-BR você encontra aqui.

Soma (2015, Frictional Games)

 

Simon Jarret se envolveu em um acidente de carro que lhe deixou com uma lesão severa no cérebro. Ele aceita participar de um projeto que visa estudar formas de reverter lesões cerebrais e para isso precisa ter seu cérebro escaneado. Aparentando desmaiar durante o escaneamento, Simon acorda quase um século depois, em uma estação submarina abandonada. Misturando ficção científica com elementos de horror, Soma consegue ser tenso e intrigante do início ao fim. Não quero dar spoilers da história (que é excelente), mas o caminho percorrido será tortuoso e reflexivo. O jogo também está disponível para PS4  e e Xbox One. O jogo já vem com legendas em PT-BR!

Firewatch (2016, Campo Santo)

Você é Henry, um homem que acabou de aceitar o emprego como guarda florestal após um dos maiores incêndios florestais já registrados nos Estados Unidos. Sua única companhia durante os próximos meses é virtual: uma outra guarda florestal, chamada Delilah, se comunica diariamente com você pelo walkie-talkie, sendo sua supervisora e lhe designando tarefas. O ponto forte desse jogo é testemunhar a evolução da relação entre os personagens. Apesar de você não encontrar Delilah no começo do jogo, sua voz se torna familiar à medida que o tempo passa. O jogador pode escolher o que responder pelo rádio, e a relação dos dois pode evoluir de diversas maneiras diferentes. O enredo do jogo é espetacular e o final é digno de controvérsia, mas garanto que a jornada vale a pena. O jogo também está disponível para PS4 e Xbox One. Você pode achar legendas PT-BR aqui.

The Stanley Parable (2013, Galactic Cafe)

Você é Stanley, um homem que trabalha em um escritório, monitorando dados e apertando os botões exigidos sem hesitação. Um dia, a tela do computador de Stanley se apaga e ele sai de sua sala para explorar o resto do escritório. É difícil explicar esse jogo. Minto, não é difícil. Esse jogo é uma sátira de todos outros jogos nessa lista. Aliás, é uma sátira da indústria de video games em si e como os jogos utilizam as narrativas. O jogo é todo baseado na escolha do jogador e um narrador ditando regras que podem ou não ser seguidas. A miríade de escolhas é gigante e todas são divertidíssimas. Recomendo jogar esse jogo se você já tem familiaridade com video games, já que sua narrativa e piadas dependem da familiaridade do jogador com clichés dos jogos. ANTES DE JOGÁ-LO, PORÉM, ASSISTA AOS TRAILERS E BAIXE A DEMONSTRAÇÃO! (todos eles podem ser achados na página do jogo na Steam) Você pode achar a legenda PT-BR aqui.

 

Victor Leite é estudante de Cinema&Audiovisual na UFPE. A cada dia tenta aprender um pouco mais sobre jogos, quadrinhos, filmes e música. Espera que um dia consiga escrever pra todas essas mídias e todo dia reza para Bayonetta lhe ajudar | Para segui-lo no Facebook: /victorc.leite

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