CONSCIÊNCIA COLETIVA

Dez excelentes road movies para quem quer pegar a estrada da vida

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Os road movies, ou filmes de estrada, é um estilo de filme em que a história se passa durante uma viagem, por meio de longas estradas, e normalmente ocorrem várias situações inusitadas. Nesse contexto, na maioria das vezes, os personagens percorrem uma jornada de mudança, reflexão e redenção, e frequentemente nos identificamos com suas angústias e aspirações. São filmes que possuem a característica de prender a atenção do telespectador, pois os cenários estão em constante mudança. Assim, eu separei alguns filmes que servem como uma introdução para quem quer pegar a estrada em direção ao universo dos road movies.

Transamérica (Diretor: Duncan Tucker, 2005)

Transamérica é um excelente filme para percebermos como a estrada pode aproximar as pessoas. Felicity Huffman está muito bem no papel de Bree, uma transexual que parte em uma viagem para resgatar o seu filho, Toby, da prisão. Nesse contexto, o caminho de volta funcionará como uma espécie de purgatório para os dois personagens, cheio de emoção e autoconhecimento. Em seu segundo e até então último filme, o diretor e roteirista Duncan Tucker narra uma história de redenção bastante influenciado pelos filmes de Almodóvar, mas com particularidades que promovem uma ótima e nova experiência cinematográfica.

Sinopse: Bree Osbourne (Felicity Huffman) é uma orgulhosa transexual de Los Angeles, que economiza o quanto pode para fazer a última operação. Um dia ela recebe um telefonema de Toby (Kevin Zegers), um jovem preso em Nova York que está à procura do pai. Bree se dá conta de que ele deve ter sido fruto de um relacionamento seu, quando ainda era homem. Ela, então, vai até Nova York e o tira da prisão. Toby, a princípio, imagina que ela seja uma missionária cristã tentando convertê-lo. Bree não desfaz o mal-entendido, mas o convence a acompanhá-la de volta para Los Angeles.

Paris, Texas (Diretor: Wim Wenders, 1984)

O filme mais cultuado do gênio Wim Wenders — tirem um tempo de suas vidas e assistam as obras desse carinha, sério —, “Paris, Texas” é uma aula de como fazer cinema. Essa obra possui quase tudo de melhor que eu já vi em filmes: fotografia perfeita — ou como diz os hipsters: que paleta de cores —, trilha sonora que pelo amor de deus, atuações soberbas, e a melhor coisa de todo o filme: os diálogos. Wenders usa toda sua genialidade para explorar a condição humana de amar, e como isso machuca, como isso deixa uma ferida em carne viva bem lá no fundo do coração, no fundo mesmo… É uma obra-prima inigualável e obrigatória.

Sinopse: Um homem é encontrado exausto e sem memória, em um deserto ao sul dos EUA. Aos poucos ele vai se recordando de sua vida, sendo acolhido pelo irmão Walt, que é casado com Anne. Com eles vive também Alex, filho do homem sem memória, que aos poucos volta a se identificar com o pai.

Thelma & Louise (Diretor: Ridley Scott, 1991)

A sensação de aprisionamento, quando percebida, é quase que insuportável para o ser humano. Uma vez que tomamos consciência dela, dificilmente não tentaremos subjuga-la. É com esse “insight” que Thelma e Louise decidem percorrer o caminho da liberdade, em uma das maiores aventuras que o cinema já proporcionou. “Thelma & Louise” é uma história incrível sobre a amizade de duas mulheres, que decidiram ser livres a qualquer custo. Para muitos especialistas, o filme possui um dos melhores roteiros do cinema. Vale destacar também a trilha sonora elaborada por Hans Zimmer, que melhora ainda mais a qualidade da obra.

Sinopse: Cansadas da vida monótona que levam, duas amigas, uma garçonete quarentona (Susan Sarandon) e uma jovem dona-de-casa (Geena Davis) resolvem deixar tudo para trás num fim de semana. Mas no caminho se envolvem em encrencas e acabam sendo perseguidas pela polícia.

E Sua Mãe Também (Diretor: Alfonso Cuarón)

Esse maravilhoso filme mexicano conta a odisseia de dois adolescentes em busca de algo comum a todos os adolescentes: viver a vida ao máximo. Para mim, é um dos melhores relatos sobre a juventude, aquela juventude ousada e aventureira, que está sempre à procura do incerto e do perigoso. O estilo “road movie” favoreceu demais a história, pois é na estrada da vida, aquela que percorremos todos os dias para ir à escola, ao trabalho ou ao desconhecido, que acontece os pequenos ou grandes eventos que nos moldam.

Sinopse: Tenoch (Diego Luna) e Julio (Gael Garcia Bernal) são dois adolescentes de 17 anos que são controlados pelos seus hormônios e desejam se tornar adultos rapidamente. Em uma tarde festiva eles encontram Luisa (Maribel Verdú), uma garota espanhola 11 anos mais velha que eles e que é casada com o primo de Tenoch. Eles a convidam para uma viagem à praia de Boca del Cielo, convite este inicialmente recusado e posteriormente aceito, após Luisa receber uma desagradável notícia. Porém, tanto Julio quanto Tenoch não conhecem o caminho até a praia e nem mesmo se ela realmente existe, fazendo com que os três se aventurem em uma viagem onde inocência, sexualidade e amizade irão colidir.

Uma História Real (Diretor: David Lynch, 1999)

Esse é o filme do David Lynch menos linchyano de todos, tanto que eu só vim saber que era dele depois de ler os créditos. Não vemos aqui a marca surrealista do diretor, mas testemunhamos um dócil e sensível filme, em que transborda amor e perseverança. Eu posso dizer que “Uma História Real” é um dos filmes mais belos já feitos, com um nível de sensibilidade fora do comum. Vale ressaltar a atuação de Richard Farnsworth, que por injustiça do universo não ganhou o óscar em 2000, vindo a falecer no mesmo ano. Corram e assistam essa maravilha, mas com um lencinho do lado.

Sinopse: Baseado em fatos reais, filme conta a história de Alvin Straight, homem de 73 anos que efetua uma jornada de centenas de quilômetros usando um trator cortador de grama como transporte. O motivo da viagem? Fazer as pazes com o irmão que está gravemente doente.

Pequena Miss Sunshine (Diretora e diretor: Valerie Faris e Jonathan Dayton, 2006)

Pense em uma família peculiar, com tantas frustrações e amarguras que é capaz de contagiar quatro gerações futuras: essa é a família Hoover. “Pequena Miss Sunshine” é isso, a história de uma família que poderia ser facilmente a nossa, só bastava haver uma sinceridade acima da média, que não deixasse a hipocrisia vir à tona. O filme é todo perfeitinho, com situações nonsense que se aproximam demais da realidade, fazendo a gente rir e chorar, sentir ódio e amor, criando o sentimento de querer fazer parte da família Hoover e abraçar a todos.

Sinopse: Nenhuma família é verdadeiramente normal, mas a família Hoover extrapola. O pai desenvolveu um método de auto-ajuda que é um fracasso, o filho mais velho fez voto de silêncio, o cunhado é um professor suicida e o avô foi expulso de uma casa de repouso por usar heroína. Nada funciona para o clã, até que a filha caçula, a desajeitada Olive (Abigail Breslin), é convidada para participar de um concurso de beleza para meninas pré-adolescentes. Durante três dias eles deixam todas as suas diferenças de lado e se unem para atravessar o país numa kombi amarela enferrujada.

Morangos Silvestres (Diretor: Ingmar Bergman, 1957)

Assistir aos filmes do Bergman é sempre uma experiência única, uma viagem pela psique humana. Ao narrar uma história em que um médico decide viajar de carro ao invés de avião para receber uma premiação numa universidade, Bergman deu um ar de road movie a um de seus filmes mais sensíveis. A decisão de Isak — protagonista principal — fará ele cruzar com personagens estranhos e por caminhos reflexivos e nostálgicos, o levando a constantes reflexões sobre sua vida. “Morangos Silvestres” não possui a mesma obscuridade e profundidade existencialista presentes em outras obras do diretor — como em “Persona” e “O Sétimo Selo” —, mas consegue nos fazer refletir sobre a condição humana, mesmo que de forma mais sútil.

Sinopse: A caminho de uma cerimônia de premiação numa universidade, um médico é assediado por situações e personagens que o conduzem a um mergulho em sua vida pregressa.

Coração Selvagem (Diretor: David Lynch, 1990)

O road movie mais viajado de todos, “Coração Selvagem” narra a história de um jovem casal rebelde que atrai violência e personagens estranhos por onde passa, em cenários que exalam feromônios e recheados de sexo depravado. Apesar de não estar entre os melhores filmes do Lynch, o diretor consegue utilizar elementos surreais caraterísticos para dar uma roupagem psicodélica a uma história de amor que por muito tempo foi um sonho almejado por grande parte dos jovens americanos: um amor rebelde, proibido, sanguinário e pervertido.

Sinopse: Nesta estranha homenagem ao filme “O Mágico de Oz”, Sailor e Lula são dois amantes que vivem intensamente a vida e a paixão. Tentando fugir das garras da mãe da garota, os dois caem na estrada para uma viagem violenta e psicodélica, uma vez que a mãe de Lula contrata um grupo de assassinos profissionais para matar Sailor.

Cinema, Aspirinas e Urubus (Diretor: Marcelo Gomes, 2005)

Um road movie que se passa em pleno sertão brasileiro, “Cinema, Aspirinas e Urubus” narra a história de uma amizade inusitada construída em meio à seca e a vida sofrida do povo sertanejo. O longa é baseado nas histórias contadas pelo tio avô do diretor Marcelo Gomes, que não demonstrou nenhuma pretensão de fazer um filme inesquecível. O filme é bastante simples e se sustenta nas belas paisagens secas e diálogos sinceros dos personagens, mas é essa simplicidade circundante, desde o roteiro, que torna a história convincentemente mais real. Vale ressaltar também a competente atuação do ator João Miguel, que nos hipnotiza a cada cena.

Sinopse: Em 1942, no meio do sertão nordestino, dois homens vindos de mundos diferentes se encontram. Um deles é Johann (Peter Ketnath), alemão fugido da 2ª Guerra Mundial, que dirige um caminhão e vende aspirinas pelo interior do país. O outro é Ranulpho (João Miguel), um homem simples que sempre viveu no sertão e que, após ganhar uma carona de Johann, passa a trabalhar para ele como ajudante. Viajando de povoado em povoado, a dupla exibe filmes promocionais sobre o remédio “milagroso” para pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema. Aos poucos surge entre eles uma forte amizade.

Na Natureza Selvagem (Diretor: Sean Penn, 2007)

Quase que eu não colocava na lista por se tratar de um filme muito conhecido, mas vai que você nunca assistiu essa maravilha, seria um crime não indica-lo. Para quem tem abuso dessa sociedade capitalista, é perfeito; para quem quer ver como a vida é difícil, é perfeito; para quem ama sua família, é perfeito; para quem quer se emocionar, é perfeito… É um filmão, que possui cenas que demoram para sair da memória, e essas cenas juntamente com a trilha sonora belíssima faz desse filme uma experiência para a vida toda, daquelas que ficam guardadas lá no fundo da alma. Ah, é baseado em uma história real.

Sinopse: Início da década de 90. Christopher McCandless (Emile Hirsch) é um jovem recém-formado, que decide viajar sem rumo pelos Estados Unidos em busca da liberdade. Durante sua jornada pela Dakota do Sul, Arizona e Califórnia ele conhece pessoas que mudam sua vida, assim como sua presença também modifica as delas. Até que, após 2 anos na estrada, Christopher decide fazer a maior das viagens e partir rumo ao Alasca.

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