CONSCIÊNCIA COLETIVA

Você é do tipo que sempre corre em direção ao final feliz?

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Todos nós sonhamos com um final feliz para nossas vidas. Nas narrativas infantis felicidade é sinônimo de casamento com um príncipe encantado. Ao longo da vida, nos damos conta de que podemos ser felizes de outros jeitos. E mais do que isso: descobre-se também que a felicidade não pressupõe um final.

Sempre me pareceu uma ameaça a ideia de felicidade contida no final feliz, como se as pessoas, após supostamente conquistá-la, se obrigassem a manter-se reféns desse troféu, a permanecerem num estado de letargia. Todo final feliz é redentor e triunfante, mas ao longo dos anos a impressão que tive é que por trás dele sempre se escondeu um sentimento discretinho e comedido. Politicamente correto, usando uma expressão da moda.

Por falar em modismos, criticamos abertamente o excesso de felicidade que se suplantou nas redes sociais. Essa felicidade, aliás, não é nem um pouco tímida ou discreta. O que há de mal nisso? Afinal, ninguém recebe convidados na sala de visitas com um semblante cabisbaixo.

Estão lembrados dos versos: “Sorrir quando a dor te torturar e a saudade atormentar os seus dias tristonhos, vazios…” Lá pelas tantas, se diz que ao notar que se sorri todo o mundo irá supor que se é feliz. Não me ocorre agora o autor da canção, mas quem escreveu certamente compôs o melô das redes sociais, lugar em que costumamos disfarçar tristeza com felicidade.

O mal que há nisso tudo é a distinção equivocada entre o que é ser feliz e o que é ser triste.

Ser triste é esperar passivamente por um final feliz. Sabemos que felicidade não se compra, mas esquecemos de que ela não se ganha gratuitamente. Tristeza então é supor que a felicidade é um troféu clandestino à cuja posse paga-se às custas de muita dor e sofrimento.

Sentimento nenhum é ilegítimo se for encarado como oportunidade para evolução e autoconhecimento. Mas fazer da vida uma eterna via crucis é adiar o aqui e agora da aventura que é estar vivo.

Felicidade é o oposto da indiferença. É estar a todo instante à procura de algo que nos imante ao mundo e procurar fazer dessa conexão um exercício longo de aprendizado, que ora ensina com riso, ora entre lágrimas, embora sempre valioso. A felicidade genuína comporta a alegria, a melancolia, a euforia, a introspecção, o melodrama. Ser feliz é saber que o registro de um sentimento que àquele momento nos conecta ao mundo é um certificado de que estamos vivos. Dá pra ser feliz até estando triste.

Sendo feliz, você descobre que dá pra ser feliz ao longo da vida, e não apenas no final; ao longo do ano, e não apenas no fim do ano; ao longo do dia, e não apenas à noite; ao longo da semana, e não apenas no final de semana.

E sem nenhum motivo, sem nenhuma promessa de felicidade, sem nenhum fim: feliz, bem feliz.

Crédito da Imagem : aqui
  • Juliana Sampaio

    Gostei tanto desse texto que fui atrás dos outros escritos por Gabriel, você ganhou uma fã.

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