CONSCIÊNCIA COLETIVA

O melhor da música em 2017 segundo o #anallógicos

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Nem de longe 2017 foi um ano fraco na música nacional e internacional, grandes eventos e lançamentos inesperados dividiram o público e abriram espaço para debates importantes, como representatividade e gênero. Ainda assim, um passeio nas listas com as músicas e discos mais ouvidos no mercado internacional mostra que os homens voltaram a dominar as paradas e são eles também que ocupam as maiores posições nas listas de premiações.

Aqui no Brasil, apesar da enorme popularidade dos artistas masculinos, artistas como Anitta, Pabllo Vittar, Ludmilla, Marília Mendonça e Simone e Simaria protagonizaram, aqueceram o mercado, e estão hoje entre os nomes mais fortes da cena. Os colunistas do anallógicos finalmente sentaram para eleger os hits do ano (pelo menos nas nossas playlists) e decidir também quais os maiores eventos, nomes e revelações da música pop.

Para Bruno, por exemplo, o disco do ano foi Evolve, do Imagine Dragons;

O terceiro álbum da banda de indie rock é, sem sombra de dúvidas, o trabalho mais coeso que ouvi esse ano. Desde o encarte do cd, passando pelas capas dos singles até a letra de todas as músicas, o álbum se mostra como o melhor da banda e se encaixa nas mais variadas situações na vida de quem ouve. Com certeza o que mais marcou e que mais ouvi em 2017.

Carlos ficou com o “Tell Me You Love Me”, lançado por Demi Lovato em setembro desse ano.

Na minha opinião, Demi teve muito sucesso na produção desse álbum porque soube escolher músicas em que pôde explorar tudo que há de melhor em sua potência vocal ao flertar fortemente com o soul e o R&B.

Sempre correndo na praia indie, João Gusmão foi de  Letrux, com o disco “Em Noite de Climão”;

Letícia Novaes, ex-integrante da banda Letuce, se vestiu na persona de Letrux e lançou um álbum dançante, intrigante e fascinante. Fala de amor, fala de relações, fala de você e fala sobre mim. Não tem como não se identificar.

Renato ficou com o “Melodrama” de Lorde, alegando que esse é um disco sem glamour e com pouquíssimo ego, um retrato lindo do coração quebrado na juventude – com faixas que também ponderam sobre o mundo ao redor e como a gente se encaixa nele.

Djalma também abraçou o “melodrama”, que definiu como um CD feito por uma adolescente para os adolescentes que moram em todos nós, ele acabou trazendo de volta sentimentos de nostalgia que eu tinha sentido apenas ouvindo “We Are Young”, do fun (mas sem ser tão chata depois da 3ª ouvida).

Ainda sobre melodrama, que como vocês perceberam já ganhou a votação, Igor Icael disse:

A grande responsabilidade que a jovem cantora Lorde tinha de oferecer um sucessor à altura do maravilhoso Pure Heroine de 2013 foi muito mais que cumprida, transformando-o no álbum que mais ouvir em 2017. Ela reinventa sua sonoridade, em canções que nos transportam para outros lugares, em uma viagem que nos evocam emoções e nos estimulam sensorialmente.

Raphael foi de SZA com o disco “Ctrl”, que definiu como a trilha sonora perfeita para relacionamentos (incluindo os fracassados);

Sza traduz com poesia a diversidade do amor atual, as letras podem parecer passionais, mas são também políticas, na medida em que defendem categoricamente a liberdade de “ser”. Adoro The Weekend e como essa letra fala sobre uma relação a 3, compartilhada e bem resolvida:

My man is my man, is your man
Heard it’s her man too 

Meu homem é meu homem é seu homem
Ouvi dizer que é o homem dela também

Por fim, Natalia, muito sensata, entrou na conversa para dizer que “Estratosférica” de Gal é maravilhoso e saiu sem dizer mais nada.

Quando o assunto foi a melhor música brasileira do ano, Everly apontou o hit “Pesadão”, de Iza com participação de Marcelo Falcão, enquanto Igor foi de Elza Soares com Pitty em “Na Pele”;

O ícone Elza Soares nos presenteia com essa música incrível que, com a Pitty, foi feito o contraponto perfeito para a expressão das emoções e sensações expostas na canção. A artista, mesmo com anos de carreira e consagrada no mundo todo, não vai para o lugar comum, inovando e nos surpreende com seu novo material musical.

João Gusmão fez uma escolha chique e disse que “As Caravanas” de Chico Buarque foi a canção brasileira do ano;

Desde 2011 sem lançar um álbum de enéditas, Chico nos surpreendeu e nos presentiou com o disco Caravanas. A música “As Caravanas” fala sobre a segregação e o preconceito que o morro sente quando desce e vai ao mar desfrutar de um direito que é de todos, a letra mosta que Chico continua atento às questões sociais e é sempre atual. 

“Necomancia” de Linn da Quebrada e Gloria Groove foi lembrada por Renato;

Feroz como todo o Pajubá, disco de estreia da Linn, Necomancia é um pancadão pesado sobre não se deixar ameaçar e sobre abraçar sua identidade, mesmo que ela seja considerada PeRYgozAH. <3

Djalma justificou seu voto em “Loka” de Simone e Simaria com Anitta;

Me perdoem todos que consigam, mas eu não consigo ficar parado quando toca Loka em QUALQUER lugar. É realmente impressionante, e eu diria que foi a melhor coisa que a Anitta lançou esse ano inteiro.

Raphael incluiu K.O na lista;

Além da letra divertida e do clipe bacana, K.O carrega uma sonoridade bem brasileira, todo mundo canta. Foi a música que mais ouvi tocando pelas rádios, geral sabia o refrão. Foi realmente impressionante ver o trabalho de uma Drag como Pabllo Vittar na boca do povo. 

Por falar em Pabllo Vittar, Natalia, sempre prolixa, disse que “Corpo Sensual” é a música de 2017, simplesmente porque foi a que ela mais ouviu.

Pegando o gancho, Carlos defendeu que “Na sua Cara” foi o hit nacional;

Acho muito difícil pensar em 2017 e não lembrar de Sua Cara. Apesar de a canção figurar no álbum da Major Lazer, que não é brasileira, temos na música os vocais em português de Anitta e Pabllo Vittar. 

Por falar em Anitta, 3 dos colunistas a elegeram a artista do ano

Igor Icael;

Embora vá muito pelo senso comum nesta categoria, tenho que reconhecer que Anitta realizou feitos incríveis como artista este ano, inclusive com projeção internacional, por meio de suas parcerias com Iggy Azalea e Major Lazer. Seus clipes foram e são intensamente vistos no youtube, seus shows lotam e todas as parcerias que faz resultam em um imenso sucesso. A cantora também evoluiu bastante musicalmente e tenho certeza que estas conquistas ainda são o começo do muito que irá por vir.

Bruno;

Num ano em que as divas internacionais estiveram em falta, Anitta se mostrou como alguém competente, mostrando uma face de uma cantora nacional para o mundo. Gostemos ou não de suas estratégias de promoção, Anitta se destacou em 2017 como artista nacional, talvez, de maior alcance.

Dany;

Mesmo não sendo meu estilo de música preferido, a categoria é melhor “artista” e Anitta vem se mostrando uma artista ousada, que deu uma super decolada na carreira. É o nome do ano.

Seguindo na linha diva, Carlos foi de Ke$ha;

2017 foi o ano em que Ke$ha pôde, enfim, fazer seu retorno ao mundo da música longe do Dr. Luke. E que retorno, porque um álbum como o Rainbow e um first single como Praying são produções para ninguém colocar defeito. Nem sabíamos que estávamos precisando tanto de um hino com mensagem forte no nível de Praying até termos a música em mãos.

O internacional João Gusmão foi de Donald Glover;

Em 2016 Donald Glover lançou a série Atlanta, que ele protagonizou, escreveu e dirigiu, e também lançou o segunda disco do seu projeto de rap Childish Gambino. Mas em 2017 esse gênio colheu os louros da fama, tendo seu trabalho reconhecido e premiado. E em 2018 o ator, roteirista e rapper vai lançar mais projeto. 

Renato escolheu Pabllo Vittar;

A voz é um porre e o repertório mais ou menos, mas Pabblo esteve por toda parte esse ano e num país machista e homofóbico como o Brasil, vê-la quebrando barreiras na mídia e tocando seu K.O. até no carro de som do posto de gasolina é uma conquista gigante e que dá orgulho.

Natalia revelou:  Shakira, que continua maravilhosa

Aqui vamos fazer uma breve fuga do gênero música para contabilizar dois votos importantes:

Djalma ficou no Brasil e elegeu Tatá Werneck o nome do ano;

Resolvi sair do óbvio (que seria música) pra falar sobre a Tatá, que com um programa de entrevistas bizarro (e bizarras também as entrevistas) conseguiu fazer algumas críticas a algumas pessoas de forma que estas nem tenham percebido e tenham acabado rindo de si mesmas.

Raphael olhando para o ativismo na internet, elegeu Pablo Villaça o nome do ano;

Preferi deixar a música de lado para lembrar que em tempos de ódio gratuito, é impressionante acompanhar o constante posicionamento de Pablo sobre diversas questões. Colocando sua visão de mundo sempre de forma didática e inclusiva, ele promoveu debates importantíssimos sobre preconceito, arte e inclusão. O mais legal, é que as críticas de filmes escritas por ele, já excelentes, começaram a assumir ainda mais um tom político, contribuindo imensamente para o debate social que hoje está tão contaminado por vozes reacionárias.

Dito isso, voltamos para o mundo da música e aqui está a lista com os…

melhores clipes do ano:

Logic – 1-800-273-8255 ft. Alessia Cara, Khalid
por Bruno e Djalma Wanderley

– O clipe para música que divulga o número do serviço de ajuda à pessoas com pensamentos suicidas. A história escolhida de um jovem desesperado ao ter sua sexualidade descoberta pela família é muito tocante e consegue mostrar a perda de sentido vivida pelo jovem. Bruno

– Um clipe forte, com uma temática muito necessária, com roteiro excelente e ótima fotografia. A música também não fica pra trás. Djalma

Havana – Camilla Cabelo
por Carlos Henrique

– Tenho um fetiche por clipes que se querem mini-filmes. Em 2017, o vídeo clipe de Havana, hit da fada cubana Camila Cabello, fez isso e o resultado ficou maravilhoso.

Major Lazer – Sua Cara (feat. Anitta & Pabllo Vittar)
Por João Gusmão

Um dos clipes mais esperadas, um super engajamento na internet para dar visualizações, a gente reclamou da edição (cadê a cobra?), mas no final adoramos. Um clipe simples, mas icônico.

Dua Lipa – New Rules
Por Renato Alves

O clipe é uma bobeirinha, mas tem algo de muito charmoso que te faz querer rever e rever. Além do mais, gerou uma infinidade de memes – versões masculinas, paródias educativas e muito mais.

Kelela – Blue Light
por Raphael Alves

Continuo preso no disco “Take Me A Part” de Kelela e Blue Light foi o clipe que trouxe muitos elementos que eu curto, uma boa performance, uma música sensacional e o toque minimalista que consegue transmitir tão bem a mensagem presente na letra. Kelela é maravilhosa. 

Karol Conka – Lalá
por Igor Icael

Karol Conka é uma das cantoras mais promissoras e representativas da atualidade. Suas músicas divertem, mas são permeadas por críticas e por mensagens de empoderamento. Não é diferente com Lalá, em que faz uma ode  à masturbação feminina, de uma forma bastante provocativa e empoderada. Seu clipe evoca diversas imagens relacionadas à masturbação e grita pelo direito igual de ter prazer sexual.

Tristes por ninguém ter citado Katy Perry, Encerramos a lista com a divindade chamada Elza Soares e esperamos que 2018 alimente bastante as nossas playlists.

A mulher do Fim do Mundo – Elza Soares
por Natalia Souza

Porque essa mulher é mt foda! Apesar da música ser de 2015, o lançamento do clipe foi esse ano, é impossível não se emocionar. 

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