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O que achamos: Jumanji – Bem-Vindo à Selva

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Review

Nota Final
7/10
Média
7.0/10

“Jumanji” (1995) é um filme que possui um lugar especial para uma geração nascida na metade final da década de 80 e de toda a década de 90. O filme de Joe Johnston – diretor de “Querida, Encolhi as Crianças” (1989) – está na memória afetiva de muita gente que se acostumou a ir na videolocadora e alugar a obra algumas dezenas de vezes. Fenômeno hoje cada vez mais distante, raro e quase nostálgico na indústria cinematográfica. “Jumanji” foi uma das maiores bilheterias de 1995, típica película família, que trazia Robin Williams no papel principal e a ainda criança Kirsten Dunst, estrela em ascensão após “Entrevista com o Vampiro” (1994). O sucesso comercial gerou inclusive uma série animada produzida entre 1996 e 1999 que foi exibida no Brasil no Angel Mix, programa matinal apresentado por Angélica na Rede Globo no final da década de 90.

Como então fazer o reboot de um filme de mais de duas décadas sem mexer diretamente com o afeto criado em uma considerável audiência? “Jumanji – Bem-Vindo à Selva” (2017) talvez acerte justamente por não fazer um pastiche ou uma simples homenagem ao filme original – como se tornou comum em alguns reboots – mas em explorar o universo dentro do jogo, já que na aventura de Robin Williams, o espectador apenas imagina como o mundo de jumanji deve ser.

Em “Jumanji – Bem-Vindo à Selva”, o jogo de tabuleiro é transformado em um console de videogame dos anos 90. E quatro jovens em detenção em uma escola de ensino médio, de perfis e estereótipos distintos, acabam encontrando o proibido jogo e ao iniciarem uma partida, são transformados em avatares de jogadores e vão parar na selva de jumanji. Aqui o roteiro faz uma clara e feliz citação pop a “Clube dos Cinco” (1985) de John Hughes. Os avatares incluem o protagonista Dwayne Johnson, que talvez possua excesso de testosterona para um filme família, que pode ser mais facilmente ligado à franquia “Velozes e Furiosos”, lembrando que o original tinha Robin Williams como protagonista. Já Jack Black funciona ao acertar o tom do humor sendo o avatar de uma garota popular e figura como um dos grandes destaques do elenco junto com o Kevin Hart, responsável por garantir o filme de comédia para toda a família. A Karen Gillian faz a Martha, que no avatar utiliza uniforme quase idêntico ao de Tomb Raider, embora seja desengonçada na sensualidade exigida na jogabilidade, mas o filme perde uma sátira relevante ao deixar passar o quão misógino soa personagens femininas de jogos de ação sendo desenhadas seminuas.

O reboot, entretanto, não fica preso a uma necessidade de homenagear o filme original, o que pode servir como armadilha para franquias. Há apenas uma rápida menção ao Alan Parrish, personagem de Robin Williams, mas a sensação é que esse remake tenta abrir novas possibilidades ao universo de jumanji e até ser realmente o início de uma série de continuações, a depender, é claro, do sucesso comercial que venha a ter.

Um dos pontos fracos nessa nova versão é o conhecido e icônico vilão, o caçador Van Pelt, que em 1995 foi interpretado por Jonathan Hyde e que na trama também era o pai de Alan Parrish. O Van Pelt de Bobby Cannavale parece o líder de uma gangue de um filme distópico no melhor estilo Mad Max, chega quase a ser cafona e nem de longe diverte como o Van Pelt de Hyde. Os efeitos especiais, por outro lado, devido ao avanço tecnológico, não aparecem como um problema. A crítica em 1995 não gostou muito de como os animais foram criados por computação gráfica, embora nem incomode tanto até mesmo para o olhar de um espectador de 2017.

Essa nova adaptação, inclusive, é mais livre e menos apegada ao livro do autor americano Chris Van Allsburg do que a versão de 1995. O escritor americano, por sinal, também seria adaptado para o cinema em “O Expresso Polar” (2004) e “Zathura – Uma Aventura Especial” (2005), mas talvez “Jumanji” ainda seja a obra mais famosa, lembrada e querida pelo público. Na direção, a mão do diretor Joe Johnston na versão de 1995, que também comandaria “Jurassic Park 3” (2001) e “Capitão América – O Primeiro Vingador” (2011) – parece adotar um tom mais infantil e leve. No novo filme, o cineasta Jake Kasdan parece meio invisível em um blockbuster de estúdio. Kasdan recentemente foi o diretor de “Professora Sem Classe” (2011) e “Sex Tape – Perdido na Nuvem”, duas comédias escatológicas protagonizadas por Cameron Diaz de gosto duvidoso. Talvez um diretor que trabalhasse menos no piloto automático e com mais autonomia poderia ter ido um pouco mais além do que um apenas um filme família divertido.

“Jumanji – Bem-Vindo à Selva”, no final das contas, reseta o jogo iniciado e terminado por Robin Williams e funciona justamente por isso. Para quem se acostumou a, durante a infância, alugar o filme original e assistir até decorar todos os diálogos, pode ser que o filme não ofereça toda a memória afetiva que a ex-criança da década de 90 esteja esperando, mas é um reboot que pode funcionar bem para as novas gerações. E de qualquer forma, sempre que bater saudades, é possível jogar de novo com Alan Parrish, Sarah e os irmãos Shepherd como se ainda fosse 1995.

O novo Jumanji chega aos cinemas no dia 4 de Janeiro. 

Confira o Trailer

Leandro é jornalista por formação e estudante de Cinema e Audiovisual pela UFPE. É cinéfilo desde a infância e tem interesse por debates sobre identidades culturais. É fã de música new wave e sintetizadores em geral, novelas de Gilberto Braga e acredita que Madonna é a única messias possível | Para segui-lo no Twitter: @leandro_gantois

  • Juliana Sampaio

    Estou bastante surpresa com as reviews desse filme, eu esperava 100% uma bomba.

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