CONSCIÊNCIA COLETIVA

Playlist: As 50 Melhores Músicas Internacionais de 2017

em Música/Nossa Avaliação/Novidades por

Chamamos dois colunistas do anallógicos para montar a lista com as melhores músicas do ano e o resultado foi – no mínimo- curioso. Raphael Alves (@sonodarazao) e Renato Alves (@renatodaj) passaram os últimos dias avaliando boa parte do material lançado em 2017 e optaram por uma abordagem menos segmentada, procurando passear entre diferentes gêneros. Evidente que, como toda lista, essa acaba revelando uma inclinação mais particular, evitando, por exemplo, ouvir o que dizem apenas os charts. Se tomarmos apenas o top 10 como referência, veremos que esse foi um ano bem eclético, a disponibilidade de acesso vem realmente permitindo que artistas do cenário mais alternativo ganhem algum espaço e que maravilha é ver tanta diversidade convivendo.


Acesse a lista com as melhores de 2016


No final do post disponibilizamos a playlist completa no Spotify, não deixe de seguir e acompanhar o post ouvindo as 50 músicas.

Críticas, elogios e sugestões são importantes, boa jornada e até 2018.

50.  Rich Boy – Galantis

Por Raphael Alves

A lista começa com a animada Rich Boy, lançada pela dupla de música eletrônica de Estocolmo formada por Christian “Bloodshy” Karlsson, que atua no Bloodshy & Avant ( premiado por Toxic em 2005 na categoria Best Dance Recording) e Linus Eklöw, também conhecido como Style of Eye. O duo entrou no mercado em 2012 e coleciona uma série de remixes para artistas de peso. Esse ano eles conseguiram uma projeção maior e lançaram The Aviary, segundo disco, que conta com um trabalho visual sensacional e músicas como No Money e a excelente Hunter. Rich Boy ficou de fora da seleção final, mas chegou a ser liberada com single. Assim como as músicas do disco, a ideia aqui é trazer uma letra simples, mas ainda assim com mensagens sobre consumo e comportamento. Excelente para levantar o astral.

49. Strangers – Sigrid

Por Renato Alves

A pergunta principal nesse caso é: vai demorar quanto tempo até Sigrid estourar? Strangers tem o potencial para ser, em 2018, o que uma New Rules foi para 2017. Redondinha, tem refrão viciante, ritmo que contagia, aquela vibe empolgante que dialoga fácil com todo mundo. Ouça e comprove – nas nossas resoluções de ano novo, já queremos Sigrid em looping por aí.

48. What About Us – P!nk

Por Renato Alves

Pink some por um tempo e volta com o que a gente já espera: pop rock sem firulas nem grandes surpresas, mas feito com o coração. What About Us é uma amostra do que a torna uma das popstars mais verdadeiras e queridas pela gente: uma faixa adulta sobre resistir e não abaixar a cabeça, entregue com emoção.

47. Crybaby – Paloma Faith

Por Raphael Alves

Paloma ficou 3 anos afastada da música, participando de programas de TV, ela retornou esse ano com esse single sensacional, que fala poeticamente sobre a masculinidade enquanto prisão, defendendo que os homens podem chorar e demonstrar seus sentimentos.

46. Passionfruit – Drake

Por Raphael Alves

Para Drake 2016 foi um ano excepcional, ele emplacou vários hits e seu disco foi aclamado pela crítica. Esse ano o cantor de Toronto lançou More Life, um projeto que mantém a qualidade, mas é visivelmente menos ambicioso que o anterior. Misturando dancehall, R&B e pop, Passionfruit é o tipo de música que propõe uma viagem, um coquetel alucinógeno repleto de pequenas verdades.

45. Happy Hour – Weezer

Por Raphael Alves

Esse foi o segundo single do 11º albúm do Weezer, Pacific Daydream. Leve e fazendo referências a artistas como o guitarrista Stevie Ray Vaughn, essa é uma música que melhora as vibrações daquele dia insuportável.

44. Bad Liar – Selena Gomez

Por Renato Alves

Quando Selena Gomez começa a cantar quase à capela no início de Bad Liar, tropeçando nas palavras e contando sobre um amor que toma sua mente, já ganha nossa atenção aí; e conforme vai caindo de cabeça na relação, a gente pula junto com ela. No fim das contas, não dá pra resistir muito a essa faixa, mesmo que a gente tente, tente, tente não pensar nela. Fato é que fica na sua cabeça por dias, e de repente você gosta dele de verdade – nem precisa mentir. sobre isso.

43. On Hold – The XX

Por Raphael Alves

O último disco do The XX de fato é inferior ao anterior, mas ainda assim ele consegue atingir os nossos corações e provocar aquele velho sentimento de melancolia. On Hold segue numa direção experimental, um flerte com batidas eletrônicas que no primeiro momento parece estranho, mas logo começa a fazer sentido.

42. Lust for Life – Lana Del Rey feat. The Weeknd

Por Renato Alves

Lana e The Weeknd já dividem canções há tempos, mas só recentemente a cantora trouxe o amigo para o seu próprio repertório, numa das faixas mais ensolaradas que já lançou – e talvez a melhor colaboração da dupla. Lana querendo estar morta? Besteira! Aqui ela quer mais é tirar a roupa e curtir Hollywood com seu boy do ladinho, vivendo finalmente um amor sem impedimentos para acontecer.

41. Sign Of The Times – Harry Styles

Por Renato Alves

Deixando pra trás seu passado chiclete no One Direction, Harry Styles abraça seu gosto pelo rock dos anos 80 – estampada nessa baladona apoteótica; o amor romântico e as festas animadas dão lugar a um fim do mundo inevitável, onde Harry convida todos a aproveitarem o que ainda resta. Sua interpretação e maturidade soam tão genuínas que calam fácil, fácil a boca de muitos que insistem em colocar o menino numa caixinha descartável.

40. Good Look For You – Gavin Turek

Por Raphael Alves

Diretamente de Los Angeles e com esses cachos lindos, Turek voltou a ser uma grande aposta. Depois do bem-sucedido Ep com sua amiga TOKiMONSTA, que deu origem ao single Surrender, ela abraçou uma batida mais clássica, e com claras referência a disco music, em especial Donna Summer. Foi banhada pelas luzes do globo que ela lançou o Ep Good Look For You, que é também o nome dessa faixa dançante e cheia de personalidade que vai ter fazer muito feliz.

39. Younger Now – Miley Cyrus

Por Renato Alves

Em entrevista recente, Miley C. negou (quase) tudo o que viveu/pregou nos últimos anos. Considerando o curto período de tempo entre “Miley pelada na bola de ferro” e a Miley brejeira de agora, a transição não parece lá muito natural. Mas ao menos gerou uma canção bem bonita: Younger Now é uma música sobre mudar, botar os pés no chão e se entender, pois tudo “que sobre precisa descer”. Um country pop meio motivacional e de apelo universal que mostra um rumo interessante na carreira da jovem.

38. Leila – Miami Horror

Por Raphael Alves

Com a ausência de material solo do Scissor Sisters (que ainda vai aparecer na lista como convidado do MNDR), Miami Horror, banda “indietrônica” de Melbourne, Austrália, nos presentou essa faixa dançante sobre saudade, bate uma vontade imensa de cantar alto.

37. Chained To The Rhythm – Katy Perry feat. Skip Marley

Por Raphael Alves

Os números dizem que Katy não teve um ano de sucesso, mas a verdade é que o boicote que ela vem sofrendo é fruto do tratamento politico que abraçou corajosamente no seu último disco. Você esperava que muitas divas comprassem briga com o público reacionário nos EUA, mas enquanto algumas falavam sobre amor, traição e vingança, Katy usava sua voz para tratar de temas como machismo, preconceito e o uso excessivo de tecnologia. Chained To The Rhythm é um passeio dançante e fundamental sobre alienação.

36. Slip Away – Perfume Genius

Por Raphael Alves

Como sabemos, Perfume Genius é o nome artístico do cantor e compositor norte-americano Mike Handreas. Esse ano ele lançou o disco No Shape, produzido por Blake Mills, que já trabalhou com Fiona Apple, John Legend e Alabama Shakes. Slip Away foi o primeiro single desse trabalho e em menos de 3 minutos ele te conquista. O vídeo desse single foi dirigido por Andrew Thomas Huang, um frequente colaborador de Bjork.

35. Little Of Your Love – HAIM

Por Renato Alves

Há faixas que são ótimas por detalhes que só elas tem, coisas que você vai percebendo depois de muito tempo ouvindo-as. Outras se mostram todinhas logo na primeira audição, e são tão simples e francas que você se apaixona de cara. Assim é Little of Your Love, da HAIM – uma música com corinho animado, palmas e um refrão grudento onde as irmãs dizem que um pouquinho só de amor já é o suficiente pra deixá-las felizes. Dá vontade de sair dançando como elas no vídeo oficial, todo gravado em plano sequencial e repleto de passinhos bobos e felizes. Faz sorrir.

34. International – Drones Club

Por Raphael Alves

A música eletrônica mais independente e fora dos grandes circuitos continua sendo a nossa salvação. Drones utiliza uma série de sintetizadores para criar uma atmosfera universal. Optando por uma roupagem política e defendendo o anonimato, eles buscam conectar o mundo a partir da música, vale a pena ouvir  no último volume.

33. tonite – LCD Soundsystem

Por Raphael Alves

Liderada pelo cantor, compositor e produtor americano James Murphy, O LCD é sem dúvida uma das bandas mais importantes e aclamadas pela crítica atualmente. Misturando com competência, dance e rock, eles são capazes de governar os nossos corpos a partir de ondas sonoras. É exatamente isso que conseguem com tonite, levar a nossa selvageria para a pista de dança.

32. Systemagic – Goldfrapp

Por Raphael Alves

Silver Eye é o sétimo disco do Goldfrapp e nós podemos dizer que a mágica não está perto de acabar.  Ouvir Systemagic e seus sintetizadores pesados (especialidade da dupla) é como flutuar no espaço. Essa faixa consegue algo muito inusitado, revelar toda a sua engrenagem. É possível ouvir, mesmo que sintonizadas, cada batida isoladamente. A voz quase sussurrada de Alison Goldfrapp é um deleite, vale cada segundo.

31. Lemon – N.E.R.D Feat. Rihanna

Por Raphael Alves

A banda formada por Pharrell Williams e Chad Hugo, que mistura funk, hip hop e rock, chamou Rihanna e lançou (sem ninguém esperar) Lemon, uma música que teria conquistado mais espaço se não estivéssemos sendo engolidos pela febre do reggaeton. Ao espremer a limonada, Rihanna canta: It’s Rihanna nigga, my consolation in space. Por falar nisso, é impressionante como a voz dela soa como a de Beyoncé em alguns momentos.

30. The Way I do – Bishop Briggs

Por Raphael Alves

Bishop Briggs é uma cantora britânica que atualmente vive na Califórnia. Tentando consolidar seu nome no cenário pop/indie, ela já conseguiu emplacar algumas músicas, como River e Wild Horses. Com uma pegada anos 00, arriscou lançar uma balada com batidas bem marcadas, onde a sua voz é o elemento central. The Way I do, que ganhou um clipe lindão, tinha tudo para ser um grande hit, infelizmente isso não aconteceu. Potencial? – não falta.

29. Chanel – Frank Ocean

Por Raphael Alves

Christopher Francis Ocean iniciou a carreira como compositor fantasma, nessa época escreveu canções para nomes como Justin Bieber e John Legend. Após lançar algumas músicas que pontuaram bem nas paradas, foi apadrinhado por Kanye West, Jay-Z e Beyoncé e é conhecido por ter sido o primeiro artista de R&B e hip hop a revelar que se relacionava com pessoas do mesmo gênero. Em Chanel, ele desabafa, falando abertamente sobre a polícia e o racismo;  logo nos primeiros versos canta algo como: Meu homem é lindo como uma garota. 

28. J-Boy – Phoenix

Por Renato Alves

Mostrando o lado mais brilhante da música do anos 80, com sintetizadores e sons que parecem saídos da trilha de um game retrô, o Phoenix criou essa joia que cresce à cada audição e fica ainda melhor quando colocada no volume mais alto possível. Enche qualquer ambiente com uma aura mágica.

27. Sua Cara – Major Lazer feat. Anitta e Pabllo Vittar

Por Renato Alves

Quando juntamos três artistas que já fazem a gente bater a rabeta no chão separadamente, o resultado é esse Megazord da quicação, que não deixa um pedacinho do nosso corpo parado. Foi hit no YouTube, no Spotify, gerou memes e paródias e ainda faz barulho nas pistas, com tudo super bem colocado: participações cheias de energia, batida pesadona e 2:46 de duração, pra deixar aquela sensação de que não foi o suficiente e pedir repeat imediato.

26. Top Of The World – Kimbra

Por Renato Alves

Ver como a cantora Kimbra ganha menos atenção do que merece causa até indignação. Que isso mude com Primal Heart, seu terceiro disco, agendado para janeiro do ano que vem: pelas prévias, a garota continua misturando todo tipo de gênero que der na telha. Top of The World, faixa que entrou em nosso TOP50, é uma amostra do que esperar: sua personalidade luminosa está por toda parte, em meio à vocais rápidos e incessantes, bateria marcada e tom megalomaníaco. Cresce de um jeito que arrepia. Kimbra canta sobre ser a melhor e conseguir ser notada por isso. Excelente ela já é – e que Top of the World e seu próximo trabalho só comprovem o que já é fato.

25. Say My Name – Tove Styrke

Por Raphael Alves

A Suécia é um celeiro de música pop, o nível do que é produzido por lá é sempre alto e Tove é um dos nomes mais promissores do cenário atual. Misturando pop com Synthpop (gênero que faz uso intenso de sintetizadores, famoso a partir da década de 80),  ela abusa do uso de cores fortes e atua como uma representante da pop art. Say My Name, apesar de simples, mistura uma batida bem pop com samples orientais e pequenos picos onde os sintetizadores roubam a cena.

24. 911/Mr.Lonely – Tyler, The Creator feat. Frank Ocean e Steve Lacy

Por Raphael Alves

911/Mr.Lonely provavelmente é a música do ano sobre relacionamento, saudade e  solidão. Tyler realmente consegue contar uma história, nos envolvendo com um refrão repetitivo que é, no mínimo, uma delícia; ainda temos homenagem a Beyoncé e a participação sempre especial de Frank Ocean.

23. Chi Chi – Azealia Banks

Por Raphael Alves

A carreira mais promissora do rap hoje começa a reconstruir sua imagem. Conhecida por suas tretas virtuais, com nomes que vão de Sia a ZAYN, Azealia ainda não conseguiu chegar onde merece enquanto artista. Por ter usado termos homofóbicos e gordofóbicos no passado, ela teve inúmeros trabalhos cancelados e viu sua embrionária carreira escorrer pelo ralo. Mesmo tendo se desculpado publicamente algumas vezes, a imprensa continua se referindo a ela como maluca e temperamental. Apesar dos atropelos, muitos fãs permaneceram ao lado de Azealia, alegando que o racismo era a matriz para boa parte desses problemas. Recentemente ela foi feliz ao afirmar que artistas que negaram  sua colaboração em músicas, como com Lana e Lady Gaga, continuavam gravando com homens que são acusados de abuso e pedofilia. Chi Chi foi lançada em junho de 2017 e mostra como Banks continua escrevendo as melhores rimas e é de longe a melhor produtora de rap feminina da atualidade. A letra faz referência ao filme Scarface de 1983, no qual o personagem principal Tony Montana pede ao seu amigo Chi Chi que consiga os medicamentos que adquiriram. – Chi Chi pegue o yayo.
Yayo = cocaína.

22. You Don’t Know Me – Jax Jones feat. RAYE

Por Renato Alves

You Don’t Know Me é daquelas canções que te colocam imediatamente no humor para celebrar. Você sente aquele NA NA AY! com os quadris logo na primeira vez que ouve. Cabe bem em qualquer festa, só que sua letra mais ainda: nela, uma moça dá um toco daqueles num cara inconveniente. Quem nunca?

21. Havana – Camila Cabello

Por Renato Alves

Que delícia quando o azarão se destaca. Quando Camila Cabello saiu do Fifth Harmony, muitos apostaram que a moça ia “flopar” (ô palavrinha!). E embora esteja cedo pra dizer que a sua carreira solo rendeu muito, um hit ela já tem. Havana (OH-NA-NA) chegou de mansinho em 2017, tomando a cabeça de todo mundo, com suas pitadas latinas, letra novelesca (como sugere o videoclipe super divertido que ganhou) e refrão insistente. Você ouve uma vez como se fosse nada – para depois ouvir mais dez e pensar, “caralho, essa música é boa mesmo!”.

20. Feel It Still – Portugal. The Man

Por Raphael Alves

As definições de pop foram atualizadas. O Portugal. The Man, banda americana de Portland, Oregon, conseguiu com Feel It Still ser a banda de rock com o melhor desempenho nas paradas esse ano. A música viralizou, entrou na Billboard, foi tema de comercial da Apple, do Youtube e ainda tema do trailer de Peter Rabbit, filme que só será lançado em 2018. Feel ainda foi a primeira música desde do hit “Somebody That I Used to Know” de Gotye com Kimbra a ficar em primeiro lugar em 6 paradas diferentes: Radio Songs, Pop Songs, Adult Pop Songs, Alternative Songs, Adult Alternative Songs and Dance/Mix Show Airplay.

19. Angel – Femme

Por Renato Alves

Femme é o nome artístico de Laura Bettinson, cantora inglesa que lançou em 2016 DEBUTANTE, seu disco de estreia – espirituoso e repleto de referências dos anos 80. Ela prossegue na mesma linha contagiante nesse single novo, Angel, mas mostra uma produção mais antenada com o que rola hoje – imagine uma cruza entre Alunageorge e os caras do Jack U. Falando para um cara que conhece bem o seu tipinho, a moça cria uma faixa com a cara do verão.

18. 1-800-273-8255 – Logic feat. Alessia Cara, Khalid

Por Renato Alves

A faixa do rapper Logic é daquelas canções de superação que vez ou outra chegam às mais tocadas da rádio. Com uma letra de incentivo à qualquer pessoa em situação de dificuldade ou vitimada por algo que ela não consegue combater, é um daqueles registros bonitos de verdade que tocam por aí quando você está na fila do banco ou comprando pão, e te chamam a atenção. Fazer feat. com Alessia Cara, outra artista repleta de composições nessa linha, faz todo o sentido e dá um charme à mais a música, que a julgar pelos comentários do Youtube, cumpre sua missão em dar uma forcinha pra galera.

17. Woman – Kesha feat. The Dap-Kings Horns

Por Renato Alves

2017 foi também o ano que Kesha voltou – e fazendo o que ela quer. Rainbow, seu novo disco, é cheio de faixas de libertação, tanto pessoal quanto coletiva. Woman segue essa linha, com a moça deixando seu pop festeiro de lado e abraçando uma pegada um tantinho blues rock, um tanto country. Ela diz em voz alta – e com a participação luxuosa dos Dap Kings Horns – o quanto é bom ser uma mulher dona de sua própria vida. A energia é explosiva – e para Kesha, um belo atestado de que agora ela está bem. Até que enfim!

16. Green Light – Lorde

Por Renato Alves

Melodrama é um disco que versa sobre as situações que seguem após uma decepção amorosa. Green Light, a faixa 1, é também o retrato do primeiro estágio. A faixa sintetiza todo o misto de sentimentos no coração de alguém abandonado, trocado: a negação, a raiva, a vontade de jogar umas verdades na cara, mas acima de tudo, o querer dar o próximo passo e sair do buraco. Lorde versa sobre tudo isso numa atmosfera vibrante, que coloca a zica pra fora. Pra dançar com lágrimas nos olhos e fingindo que não há ninguém perto.

15. SWERLK – MNDR feat. Scissors Sisters

Por Raphael Alves

A música mais LGBT do ano, uma batida escandalosamente dançante e uma letra sobre largar o trabalho e  seguir em direção a liberdade. MNDR e a trupe do Scissors Sisters conseguem em SWERLK reunir a atmosfera dos maiores ícones LGBTs da música:  Kylie, Rupaul, Madonna e Cher. Isso é tudo.

14. Tove Lo – disco tits

Por Renato Alves

Tove Lo continua em sua jornada de autodescoberta, romances fulminantes e tesão em seu novo álbum, Blue Lips (Ladywood Part II). Na faixa Disco Tits, a sueca desaparece num amor novo e inconsequente, puxando para uma sonoridade mais suja do que na primeira metade do projeto, com uma orientação mais disco/electro. O clipe da faixa, como os outros da nova fase de Tove, tem um brilho meio noturno, neon e sexual, que também definem bastante esse registro.

13. Bjork – Blissing Me

Por Raphael Alves

A fada islandesa, vencedora do Polar Music Prize, conhecido como o “Prêmio Nobel da Música”, continua antenada e transformou a faixa Blissing Me em uma odisseia sobre os relacionamentos atuais. Em tempos de mp3 e mensagens de texto, Bjork nos questiona sobre os limites da paixão, ainda dentro, claro, da atmosfera sonora que só ela sabe criar. Relaxante, emotiva e levemente otimista.

12. drink i’m sippin on – yaeji

Por Raphael Alves

Feminista declarada e optando por uma sonoridade mais minimalista, feita em casa, a coreana yaeji vem chamando atenção da  indústria e já aponta como uma grande promessa. Sua música flutua entre a ambient house, um R&B mais alternativo e aquilo que chamam de ambient pop. As letras são sempre provocativas e bem escritas. A cantora regravou Passionfruit, do rapper Drake (já citado aqui) e sua versão é -para muitos- melhor que a original. drink i’m sippin on, faixa onde ela se aproxima da sonoridade americana é um exemplar do que podemos ter pela frente.

11. Up All Night – Beck

Por Raphael Alves

Se alguém tentou nos animar em 2017, essa pessoa foi Beck. Apesar do cenário político catastrófico que vem minando a nossa já rara humanidade, ele lançou um disco repleto de batidas contagiantes, que conseguem nos levar, mesmo que por pouco tempo, para um lugar mais feliz. Em Up All Night ele fala sobre a necessidade de manter a mente e os olhos abertos diante do caos. Mais uma para ouvir nas alturas.

VEM
TOP 10!

10. New Rules – Dua Lipa

Por Renato Alves

“TOCA UMA MÚSICA PRAS GAY!” Se Narcisa tivesse gritado isso em 2017, com certeza o DJ teria tocado New Rules da Dua Lipa. Porque a gente passou o ano todo relembrando com gosto as três regrinhas da cantora para se livrar de vez de um cara encosto, nessa música pop sem a mínima vergonha de ser chiclete, e que consegue ser também esperta e elegante – segundo quesito reforçado pelos ótimos vocais de Dua. Marcou presença nas rádios, na nossa cabeça, gerou uma infinidade de memes (assim como seu clipe) e abriu portas para que a artista se tornasse mais conhecida em todo o mundo.

9. Deadly Valentine – Charlotte Gainsbourg

Por Raphael Alves

No seu mais recente trabalho, Rest, Charlotte retomou as bases do seu disco anterior, que contava com Beck na produção, e agora, ao lado de SebastiAn, procurou flertar sutilmente com a cena eletrônica francesa. Deadly Valentine, mesmo usando sintetizadores (parece mesmo uma música do Justice),  conta com um arranjo leve e fala poeticamente sobre compromisso, amizade e tempo. No belíssimo clipe, ela atua ao lado de Dev Heynes (Blood Orange). From this day forward, for better, for worse, until death do us part , canta Charlotte, que continua acreditando em histórias de amor.

8. LMK – Kelela

Por Renato Alves

Imagine que essa música entrou numa cápsula do tempo, aproveitando uma brechinha na viráda da década de 90 para 00 e viajou para os dias de hoje, querendo conhecer os sons de agora. LMK, da Kelela, é a junção perfeita do R&B romântico e safadinho daquela época com as produções espertas de hoje… que, sem coincidência, amplificam e mantém um olho no passado. Todo o repertório da cantora traz ecos desse tipo, mas em LMK você tem um produto novinho que te faz sentir saudade fiel daquela época. Uma delícia.

7 – K – Cigarettes After Sex

Por Renato Alves

Tudo no repertório do C.A.S. transpira uma intimidade muito gostosa. Pequenas crônicas sussurradas sobre sexo, convívio, atrações e as tretas que envolvem tudo isso. K é Kristen, personagem homenageada na canção, que faz muita falta ao vocalista; ele pede que ela volte logo e relembra o dia a dia ao seu lado, com a leseira e melancolia de quem acorda sem a pessoa que ama ao lado.

6. Overnight – Parcels

Por Raphael Alves

Se alguém estava com saudade da sonoridade do Random Access Memories e de batidas contagiantes como a de Get Luck, Overnight é um presentão. Na voz dos meninos do Parcels, banda australiana que já desponta como uma grande promessa para 2018, e produzida pelo Daft Punk, a  música reúne tudo que uma boa canção pop precisa ter: uma letra simples, um refrão inesquecível e uma melodia que não deixa o corpo ficar parado.

5. Los Ageless – St. Vicent

Por Renato Alves

St. Vincent parece ter conseguido unir seus experimentalismos à uma identidade pop bem sua. Los Ageless, faixa 2 de seu novo (ótimo!) disco, Masseduction, imaginando um lugar com hábitos pra lá de afetados e sufocantes, mas de onde é impossível fugir. Guitarras distorcidas e um refrão fantasmagórico e obsessivo criam a imagem perfeita dessa Los Angeles do mundo invertido, com um “inverno que nunca chega” e “ondas que nunca quebram”.

4. Love Galore – SZA feat. Travis Scott

Por Renato Alves

Love Galore, dueto com Travis Scott, é um dos pontos de destaque do sensacional CD de estreia da SZA, que aqui, exala sensualidade ao relatar um caso extraconjugal onde nenhum dos envolvidos parece estar muito consciente do que fazer para ficarem juntos, mas não conseguem se afastar. Sempre trazendo influências do cinema nos seus clipes, SZA já é figura constante em diversas playlists sacaninhas do Spotify.

3. HUMBLE. – Kendrick Lamar

Por Raphael Alves

O artista mais premiado e elogiado pela crítica em 2017 não poderia ficar de fora. Com letras que falam de racismo, exclusão, religião e com inúmeras críticas a indústria musical, ele recebeu várias indicações ao Grammy, 4 por essa música, e estourou nas paradas do mundo todo. Apesar do sucesso, Humble dividiu opiniões entre as feministas, ao fazer uma crítica a forma como a indústria utiliza a imagem das mulheres, Lammar canta: Mostre-me algo natural como uma bunda com algumas estrias. A tentativa de falar sobre a positividade do corpo foi questionada e letra acusada de misoginia, já que ao tentar defender um modelo mais “natural” de mulheres, Kendrick acaba atingindo outro grupo de mulheres. Artistas como SZA, seguindo uma direção contrária, entraram em defesa do rapper, alegando que é sempre importante falar sobre a inclusão de mulheres fora do padrão de beleza.

2. Shadow – Chromatics

Por Raphael Alves

Lançada em meados de 2015 pela banda de Portland, Shadow recebeu uma roupagem completamente nova e certamente estará no novo disco do Chromatics. Apresentada no retorno da série Twin Peaks, encomendada pelo próprio David Lynch, a canção também ganhou um clipe produzido pelo Johnny Jewel e dirigido pela dupla de fotógrafos Rene & Radka. São necessários apenas 30 segundos para que você se sinta completamente envolvido por essa música. Sem pressa, somos conduzidos por Ruth Radelet, vocalista da banda, para um lugar mágico, escuro e irresistível. O instrumental começa bem leve e vai crescendo, crescendo, como se essa fosse a nossa última jornada, pura magia para os ouvidos.

Número 1

PARADISE – ANOHNI

Por Raphael Alves

Em tempos de hits fabricados, a honestidade é um elemento extremamente raro na industria musical. Ninguém atualmente coloca tanta alma e verdade nas letras  como ANOHNI. É como se ela compartilhasse conosco pequenos fragmentos sobre a sua jornada em busca de felicidade e autoaceitação. Ano passado ela figurou na 4ª posição, com a maravilhosa Drone Bomb Me e esse ano ela ocupa o topo da nossa lista com Paradise, uma canção que fala sobre o mundo sem esperança, onde mulheres são perseguidas e abusadas. Em certo momento ela canta:

O amor da minha mãe
Seu toque afetuoso
A mão do meu pai
Repousa na minha garganta

O  paraíso de ANOHNI é o seu subconsciente, o pequeno refugio onde ela procurou tratar seus maiores medos. Fora dele o mundo é violento, excludente (principalmente com mulheres trans, como ela) e infelizmente controlado por homens. A sua voz soa como um grito, um pedido de socorro permanente. Essa é sem dúvida a música de 2017, a canção mais visceral e honesta que você poderá ouvir.

O clipe de Paradise foi dirigido por Colin Whitaker e conta com a participação de Eliza Douglas.

Espero que vocês tenham gostado e que pelo menos a música nos traga um pouco de alegria em 2018.

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