CONSCIÊNCIA COLETIVA

O Que Achamos: Pai em Dose Dupla 2

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Review

Nota de Luíza
6/10
Média
6.0/10

Pai em dose dupla 2, que chega aos cinemas na próxima sexta-feira, conta com um elenco bem misto, inusitado e coerente ao que propõe a produção. São atores já conhecidos do grande público. O elenco principal masculino conta com Mel Gibbson, Mark Wahlberg, Will Ferrewll -que além de atuar assina a produção do longa- e o premiado John Lithgow. No lado feminino temos a Linda Cardellini e a modelo Alessandra Ambrósio. A história trata das relações de paternidade no contexto atual, aquelas situações nas quais as famílias são compostas por casais que já têm filhos de relacionamentos anteriores e o modo como esses pais e mães precisam se relacionar de maneira respeitosa a fim de promover uma educação saudável para os filhos. Esta é a teoria.

Na prática, o que nos mostra o filme, é aquele velho clichê da competição dos pais pela atenção dos filhos e a necessidade de se mostrar mais presente que o outro para que seu lugar de pai não seja perdido. O filme inteiro fundamenta a paternidade em estereótipos machistas e risíveis. Ainda bem, porque imagine você uma comédia que não nos dê a chance de rir do ridículo exposto em cena?

De um lado é o homem “macho alfa” que educa o filho para que ele seja “macho”, a sensibilidade e o diálogo não são permitidos na educação e muito menos nos relacionamentos. Estas seriam fraquezas graves. Do outro lado uma educação cheia de afeto, diálogos e diálogos, mas que ainda assim não faz com que o filho consiga ter alguma autonomia. São avôs de perfis opostos que educam filhos completamente diferentes e que hoje se relacionam sendo pai e padrasto das mesmas crianças. O fato é que contrapondo duas gerações de pais e filhos é possível perceber que os excessos são o problema, mas que todo tempo pai (Mark Wahlberg) e padrasto (Will Ferrewll) buscam o diálogo como recurso para encontrar o equilíbrio para uma boa educação dos seus filhos e enteados. E as mães, onde estão elas no decorrer da narrativa?

O papel da mulher no filme é a representação clara de coadjuvante. Além disso, elas são constantemente postas em posição de competidoras. Ou seja, além das mulheres serem silenciadas de certa forma, elas são postas como inimigas silenciosas. Sara (Linda Cardellini) vê em Karen (Alessandra Ambrósio) uma mulher maravilhosa (alta, magra, bem-sucedida, etc. etc. -aquele velho estereótipo que já conhecemos bem) que ela nunca será. Afinal, ela é “só” uma dona de casa. Acredito que esta relação é uma das mais difíceis de assistir, seja pela tentativa de reforçar a ideia de que a atual do ex é sempre a “outra” seja pelo silenciamento das mulheres que apenas em um momento conseguem se unir.

Existem momentos risíveis, como disse, existe a beleza da “poesia” da mensagem de natal, a família que tenta vencer as dificuldades de se relacionar em nome das futuras gerações. Mesmo com tudo isto, é um filme natalino que se encerra de maneira moralizante desejando paz, amor e superação em nome daqueles que amamos. É a nova geração de filmes de natal que segue bem o tom dos clássicos já conhecidos como “Esqueceram de mim”.

Trailer Oficial

Luíza é graduada em Letras pela UFPE, estudante de Direito na UNINASSAU. Escreve sobre a vida cotidiana e as relações interpessoais, e de vez em quando sobre cinema. É curiosa e adora observar as pessoas, seus discursos e suas práticas. Publica mensalmente no dia 12, save the date | Para segui-la no Instagram: @madluiza

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