CONSCIÊNCIA COLETIVA

O Que Achamos: Liga da Justiça (2017)

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Review

Nota de Cezar
8.5/10
Média
8.5/10

Desde o início dessa leva de filmes baseados em quadrinhos que tomou conta de Hollywood, esperamos por uma película que reúna os maiores heróis da DC. A Liga da Justiça é um conceito extraordinário, que junta o panteão de personagens da editora na busca do bem comum, e isso é fantástico, já que se trata dos seres oriundos dos mais diversos formatos e perfis agrupados em torno de uma nova definição do conceito de heroísmo. São, em resumo, como seres mitológicos lutando pelos humanos. Essa talvez seja a grande diferença embrionária entre os personagens da DC e da Marvel.

Estreia nesta quarta, rodeado de desconfiança, a versão live-action desse conceito. Pressionado pelo enorme sucesso que os filmes da sua concorrente alcançou e assombrado pela divisão de opiniões causada pelos últimos filmes do estúdio (aqui, entenda-se Warner), criou-se uma forte sensação de dúvida sobre qual tipo de produto seria entregue desta vez. E essa sensação tomava mais corpo a cada notícia de bastidores que era divulgada, todas davam a entender que uma salada estava sendo criada, uma vez que tivemos troca de diretores, refilmagens e vários outros percalços no caminho. Restava ao público esperar (e até torcer) para que o resultado fosse, pelo menos, bom. E ele é.

Eu confesso a vocês que eu saí do cinema aliviado, uma vez que eu era um desses que torcia para que o filme desse certo, uma vez que esses são os personagens que me acompanham desde a infância, sempre com histórias boas e mensagens importantes. E também saí feliz e com muita vontade de ver o filme novamente, principalmente porque ele cumpre aquilo que propõe. Ele tem, sem sombra de dúvidas, os ingredientes que todo bom entretenimento precisa carregar e na medida certa. Vamos ao filme.

A vida seguiu após a morte do Superman, mas a sensação de vazio deixada por essa morte começa a tomar uma forma sinistra a partir do momento em que os asseclas de Darkside entendem que sem o kriptoniano, o caminho para a tomada do nosso planeta está aberto. Quem vai comandar essa missão de tomada é o vilão Lobo da Estepe, juntamente com sua horda de parademônios. É com esse mote que temos o pontapé para desenrolar da trama. Mas vamos entender alguns pontos que me chamaram atenção.

O filme é sobre a Liga da Justiça, e ele gasta, sem parecer cansativo, um tempo interessante para apresentar as motivações dos personagens. É necessário que eles tenham um tempo para que o público em geral (não o fã de quadrinhos) compreenda o que e eles estão fazendo ali e por quê. Esse tempo faz o espectador também ter empatia pelo Aquaman, Flash e Cyborg, para que eles não sejam meras muletas para os principais Superman, Mulher-Maravilha e Batman. Talvez essa preocupação tenha levado a um entrosamento legal entre os atores. Há uma química boa entre eles, o que ajuda muito a construir um conceito de equipe, e não de um bando formado aleatoriamente.

Outra coisa legal é que o roteiro é enxuto, mas isso não quer dizer que o espectador vai encontrar soluções simples para os conflitos que vão surgir. Uma característica importante dos quadrinhos da DC que foi passada para o filme. Nem sempre as escolhas são fáceis, mas o herói é aquele que a faz e está preparado para as consequências. O maior representante disso é o bom e velho Batman (Ben Affleck, mais uma vez muito bem nesse papel).

As cenas de batalha são muito eficientes para transmitir ao espectador o que é ser um membro da Liga da Justiça, uma vez que cada um tem seu papel de herói, sua importância e é extraordinário naquilo que faz.

Ao fã de quadrinhos, temos ótimos fan services, cuidadosamente colocados no filme para realçar os conceitos que conhecemos, mas sem parecer forçado, nos dando ótimos momentos ao percebê-los.

Antes que assistir a sessão, um amigo disse que tinha visto em alguma crítica que o filme parecia um episódio da série animada Liga da Justiça Sem Limites (ótima animação), e eu copio essa definição por que ajuda bastante a entender esse filme. É muito disso mesmo: um filme de aventura bem feito, enxuto, que deixa um gosto de “quero mais”, e que cumpre o que se esperava dele: ser um trabalho eficiente e com qualidade. Aliás, um ótimo filme, na verdade.

Obrigado DC por não me decepcionar.

Forte abraço a todos.

Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

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