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O que achamos : Chocante (2017)

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Review

Nota de Djalma
6/10
Média
6.0/10

Quando vi o poster do novo filme de autoria do Bruno Mazzeo (et al.), Chocante, só me veio uma referência à cabeça: “Letra e Música”. Uma comédia romântica razoavelmente sem graça de meados da década passada, com algumas músicas extremamente chicletes.

Por favor, ouçam Buddha’s Delight…

…e a extremamente pop, Goes My Heart:

Então, fui assistir ao trailer, e me lembrei do filme Rock Of Ages, que fala sobre a formação de boybands no final da década de 80, e tem uma outra música muito chiclete nessa vibe pop, Undercover Love :

Mas o filme não é nem uma comédia romântica, e nem fala sobre a história da música no passado; o filme fala na realidade sobre a nossa velha mania de viver no passado, sem pensar no que somos hoje – bem, pelo menos ele tenta.

A temática parece interessantíssima! Temos Teo (Bruno Mazzeo), Tim (Lúcio Mauro Filho), Clay (Marcus Majella) e Tony (Bruno Garcia), que se encontram pela primeira vez em muito anos no velório do quinto integrante da banda Chocante. Lá, eles também veem Quézia (Débora Lamm), única fã sobrevivente da banda, que os incita a voltarem à ativa – para isso, precisam contatar seu antigo empresário Lessa (Tony Ramos), e de um quinto integrante, o Rod (Pedro Neschling). Tudo isso perpassado por flashbacks do tempo áureo da banda e momentos atuais de cada um dos integrantes vivos – já que cada um seguiu sua vida após o término repentino da banda.

Tony Ramos

Mas então, por que não funciona tão bem? Bem, eu diria que grande parte do problema se encontra no roteiro. As peças das histórias de cada um dos integrantes da banda são frutíferas, mas não dão frutos – elas ficam paradas; assim como as histórias dos demais personagens. Tudo fica parado para que possamos prestar atenção à volta da banda, que acaba não tendo o menor sentido. É como se eles tivessem tomado muito cuidado para construir estes personagens de forma que nós nos apegássemos a cada um, mas acabaram esquecendo de dar um desfecho – mínimo, que fosse.

Se a gente esquecer do roteiro – já que comédia brasileira geralmente tem disso mesmo -, o filme é uma graça. Dirigido por Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, ele tem ares de videoclipe de banda teen de meados dos anos 00, com uma pitada de realidade em alguns pontos. Ele também conta com uma música pop chiclete chamada “Choque de AMor”, feita pra zoar a época áurea da banda, mas que acaba grudando também.

As atuações são ok, especialmente quando se fala de comédias financiadas pela Globo Filmes – ou seja, com atores em sua maioria globais: apesar de ser um quinteto, é bem claro que o personagem principal é o do Mazzeo, e sua batalha para não perder a atenção de sua filha (Klara Castanho, que não convence muita gente, infelizmente). Lúcio Mauro Filho tá bem caricato, mas é esperável; Garcia e Majella são a parte mais engraçada do quarteto.

Lamm acaba sendo, pra quem já foi ou é muito fã de algum ato pop, o espelho necessário dentro do filme – sempre convencida de que tudo aquilo tem uma importância imensa; Tony Ramos, por sua vez, deu um pouco de vergonha alheia – mas isso também não é muita novidade. Pra mim, o personagem que mais trouxe risadas (que acredito terem sido propositais) foi o Rod, do Pedro Neschling, trazendo um contraste extremo do que existia e era importante nos anos 90 e o que é importante hoje: foram inúmeras as vezes que literalmente gritei com as gravações de vídeos de snapgram pras suas fãs.

Mas, no final de tudo, o filme traz exatamente esse contraste, como um todo. Vemos que, apesar de ser tudo muito supérfluo, seguimos adorando e prestando atenção demais a pessoas, grupos e tendências passageiras – o que muda é só o cenário. Acho legal que o filme tenha tocado em assuntos como esse, e gostaria que ele tivesse ido mais além – acho que ele teria sido mais interessante assim. No fim de tudo, acabou sendo um filme que planta aquela sementinha mas não tem coragem de regar – pelo menos pode fazer rir, se comédia pastelão brasileira for do agrado do telespectador.

P.S.: Não sei vocês, mas não consigo colocar essa boyband no final da década de 90 – pra mim, tá mais pra final da década de 80, 90 ou 91, no MÁXIMO. Mas isso a gente releva – também.

 

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Professor de inglês e problematizador 24h por dia, ainda tem um pezinho na insegurança que insiste em lhe rodear. Já foi fã de Xuxa, de Sandy e Júnior e de Britney Spears – hoje se acha muito cult por ser fã de Rachel Bloom. É o que tem pra hoje, né?

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