CONSCIÊNCIA COLETIVA

Nosso absurdo virou entretenimento?

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Não é de hoje que a corrupção acontece nas esferas publicas e privadas do nosso dia a dia, seja nos montantes de dinheiro encontrados em malas e paraísos fiscais, como também nos pequenos atos desonestos diários (estacionar nas vagas destinadas a idosos e deficientes, falsificar documentos que dão alguma vantagem, furar filas…). Até que ponto os acontecimentos desta natureza nos fazem críticos de nossa realidade catastrófica quando nos pegamos assistindo programas de entretenimento com a temática da corrupção, ética, política? Será que realmente paramos para refletir e tentamos mudar a situação ou somos apenas espectadores da nossa própria desgraça?

Diversos programas (novelas, séries, debates, entrevistas, etc.) com a temática da corrupção são inseridos nas programações diárias da TV aberta, principalmente a Rede Globo, emissora com mais audiência no Brasil. A nova sacada da emissora é uma série ambientada no Brasil dos anos de 1800 (pós independência) onde a temática da corrupção será o fio condutor da trama sob o olhar pedante da comédia. Partindo de uma perspectiva gasta, a comédia, o tema está constantemente sendo abordado na forma de entretenimento nas programações diárias, seja em filmes, novelas, séries ou programas estilo “talk show”. A maneira nada séria e partidária com que a maioria desses programas levam a questão “corrupção” e “ética” não levam a população espectadora a refletir sobre tais assuntos, mas tende a influencia-los a terem um posicionamento distante da realidade: entretido na frente da TV o telespectador não vai ler um jornal, um artigo ou um livro, por exemplo, deixando de enxergar outros pontos de vista e outras realidades.

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Sabemos que é importante nos manter informados nos diversos meios de comunicação e informação, mas é essencial saber até que ponto o programa vai ajudar a refletir nossa realidade, ou apenas mascara-lo e nos entregar de bandeja uma farsa, tornando-nos telespectadores de uma realidade fictícia enquanto lá fora o país se afunda no fascismo e na intolerância. As entrevistas sobre assuntos considerados importantes e polêmicos são feitas sempre por uma figura central (o entrevistador, figura de muito prestígio) que limita os rumos da discussão, pautando apenas por opiniões superficiais de quem não vive os problemas reais e partindo sempre de um olhar distante, pouco interessado ou que não está a par das mazelas que se vive fora do mundo dos sonhos das novelas e filmes. As emissoras e produtoras visam sempre o lucro através da audiência, nós apenas fazemos parte de uma relação empresa e lucro, somos o meio deles ganharem sempre mais dinheiro e prestígio. Enquanto encenam a “realidade”, o povo enfrenta as adversidades diárias sem os reconhecimentos devidos e, ao mesmo tempo, fazem dos atores heróis e mártires.

Arte do post Dima Miro

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Natalia é professora de formação. Escreve sobre política e comportamento. É apaixonada por literatura, arte e educação. Publica mensalmente no dia 7 | Para segui-la no Instagran: @nataliasouzarb

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