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O que achamos : Kingsman: O círculo de Ouro

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Review

Nota de Louri
6/10
Média
6.0/10

A sequência do razoável Kingsman: Serviço Secreto de 2014 mantém o ritmo e o estilo de roteiro vistos neste longa de estréia da franquia. Em Kingsman: O Círculo de Ouro, o diretor Matthew Vaughn consegue reproduzir o efeito do antecessor, sem apresentar nenhum frescor e ainda cometendo os mesmos erros.

Para quem não viu o primeiro filme, trata-se de uma agência secreta londrina, que se disfarça na fachada de uma alfaiataria chamada Kingsman. Seus agentes são selecionados num rigoroso treinamento e passam por uma verdadeira transformação, combinando elegância no modo de agir/se vestirem e técnicas sofisticadas de combate e espionagem.

Eggsy, interpretado por Taron Egerton, passou por todas as etapas do recrutamento no filme anterior e agora, já um agente em ação, terá que descobrir quem destruiu a agência numa série de atentados onde somente ele e seu companheiro, Merlin (Mark Strong), sobreviveram. Ambos chegam a uma outra agência secreta, desta vez localizada nos Estados Unidos, onde pretendem conseguir ajuda para solucionar o problema.

Um dos pontos interessantes é a expansão da ideia das agências secretas semelhantes ao Kingsan, no caso a Statesman, a agência norte-americana se disfarça sob a fachada de uma destilaria nos Estados Unidos. Trazendo novos personagens com uma roupagem um tanto mais rústica que a dos refinados agentes ingleses.

Um dos vários pontos negativos que vejo se repetir nessa sequência é a vilã interpretada por Julianne Moore, sua atuação ficou bastante caricata, assim como a de Samuel L. Jackson no filme anterior. Esta pode ser uma característica dos quadrinhos que originaram o filme. Embora canastrão, Jackson até que se saiu bem no papel, ele parecia se divertir ao interpretar o vilão clássico que queria destruir a civilização. Não foi brilhante, mas entrou no clima. Já Moore não consegue resultado semelhante, mergulhando numa interpretação bem desinteressante a ponto do seu curto tempo de tela sequer ser algo a se lamentar.

Numa sequência de piadas sem graça e situações de mal gosto o diretor demonstra que não tem habilidade para transformar humor em cenas agradáveis, mantendo assim a proposta da linguagem exagerada.

Há uma boa quantidade de personagens novos, com destaque para o agente Whiskey interpretado por Pedro Pascal que ao lado do já experiente Eggsy participa das melhores cenas de ação. A participação de Halle Berry como Ginger poderia explorar mais a possibilidade de uma agente feminina no filme, porém a atriz ficou com um papel pequeno e a promessa de uma participação mais significativa numa possível continuação. Já Channing Tatun parece estar apenas cumprindo um contrato que o permite participar de qualquer filme da Fox , ele aparece pela milionésima vez seminu e não contribui em nada para a história.

O roteiro poderia optar por levar as discussões a respeito de drogas lícitas e ilícitas a um patamar interessante. Através da vilã que vive isolada, por ser uma empresária do mundo do tráfico, muitas alfinetadas sobre o uso de álcool, tabaco e até certos alimentos viciantes são dadas. O caminho escolhido pelo roteiro foi o da galhofa e de uma linguagem mais caricata, não que essa seja uma má escolha, mas quando mal utilizada não gera os resultados desejados. A participação de Elton John, é um exemplo claro do tom pastelão que o filme mantém ao longo da exibição.

Diante de uma enxurrada de filmes adaptados dos quadrinhos, este se destaca por não trazer os heróis clássicos em fantasias extravagantes. Por outro lado, não consegue transpor a proposta da hq para o cinema. O resultado é um filme de soluções preguiçosas e piadas desnecessárias. Não se levar tão a sério é um recurso interessante para filmes de ação. O ruim é que esta via pode se transformar numa armadilha, e foi nessa armadilha que Kingsman: O Círculo de ouro caiu. O resultado é um misto de boas ideias representadas pela expansão do universo, por assim dizer, com um desgaste no uso de linguagens e propostas que já ficaram esgotadas desde o filme anterior.


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Professor, editor e fundador do Nerd Subversivo. Escreve sobre quadrinhos. É apaixonado por leitura, animações, design gráfico e hqs. Publica mensalmente no dia 15, save the date| Para segui-lo no Twitter: @lourinaldojr

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