CONSCIÊNCIA COLETIVA

Dez maravilhosos filmes Latino-americanos

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A América Latina é uma região bastante diversificada culturalmente, e isso reflete muito nos grandes filmes produzidos nessas regiões de línguas românicas. Preparamos uma lista com excelentes filmes Latino-americanos para você se aprofundar mais nas intrigas, pessoas e amores que compõe essa região das Américas. 

Central do Brasil (Diretor: Walter Salles, 1998)

Para mim, nenhum filme brasileiro até hoje abordou tão bem, e de forma singela, as mazelas que assolam os retirantes nordestinos que migraram para a grande São Paulo em busca de uma qualidade de vida melhor. Walter Salles mostrou para o mundo – sem sensacionalismo – a pobreza, o analfabetismo e a precariedade que o Brasil presenteia seus habitantes, nos conduzindo por uma viagem no melhor estilo road movies até ao coração de Nordeste, região em que habita as pessoas mais brasileiras desse Brasil.

Sinopse: Dora (Fernanda Montenegro) escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil. Uma das clientes de Dora é Ana, que vem escrever uma carta com o seu filho, Josué, um garoto de nove anos, que sonha encontrar o pai que nunca conheceu. Na saída da estação, Ana é atropelada e Josué fica abandonado. Mesmo a contragosto, Dora acaba acolhendo o menino e envolvendo-se com ele. Termina por levar Josué para o interior do Nordeste, à procura do pai. À medida que vão entrando país adentro, esses dois personagens, tão diferentes, vão se aproximando. Começa então uma viagem fascinante ao coração do Brasil, à procura do pai desaparecido, e uma viagem profundamente emotiva ao coração de cada um dos personagens do filme.

O Segredo dos Seus Olhos (Diretor: Juan José Campanella, 2009)

Filme que entrou sem nenhum esforço para meu “Top 5” de melhor filme de todos os tempos, e com certeza trata-se do melhor filme argentino já feito – na verdade, é o melhor filme Latino-americano já feito, pronto, falei. O filme é poesia pura, na sua forma mais brutal. A história envolve o passado e o presente, tendo como pano de fundo um crime bárbaro não solucionado, e mostra como a paixão e o tempo podem ser os agentes moldadores da complexa natureza humana. Juan José Campanella realizou uma obra-prima do século XXI, e é importante destacar a entrega do elenco, principalmente porque muito da mensagem do filme é passada por meio dos gestos e olhares. E que atuação soberba do Ricardo Darín – o Daniel Day-Lewis argentino.

Sinopse: Após trabalhar a vida toda num Tribunal Penal, Benjamín Espósito se aposenta. Seu tempo livre o permite realizar um sonho longamente postergado: escrever um romance baseado num acontecimento que vivera anos antes. Em 1974, foi encarregado de investigar um violento assassinato. A Argentina entrava num ciclo de extrema violência política e a investigação colocou em risco sua vida. Ao escavar velhos traumas, Benjamín confronta o intenso romance que teve com sua antiga chefe, assim como decisões e equívocos passados. Com o tempo, as memórias terminam por transformar novamente sua vida.

O Abraço da Serpente (Diretor: Ciro Guerra, 2015)

Filme bastante elogiado pelos críticos de cinema, “O Abraço da Serpente” é uma viagem icnográfica pelo coração da Amazônia, com uma fotografia e uma direção impecáveis. Em meio a conflitos religiosos e econômicos, vemos a odisseia de um cientista e um índio em busca de uma planta alucinógena que ensina a pessoa a sonhar, e essa jornada faz com que eles andem por um caminho de autoconhecimento. Essa película exibe uma Amazônia que sofre devido às atrocidades humanas, mas que ao mesmo tempo possui uma resiliência espiritual capaz de tocar e eliciar nas pessoas sentimentos antes desconhecidos.

Sinopse: Karamakate, outrora um poderoso xamã da Amazônia, é o último sobrevivente de seu povo, e agora vive em isolamento voluntário nas profundezas da selva. Os anos de solidão absoluta o tornam vazio, privado de emoções e memórias. Sua vida sofre uma reviravolta quando chega ao seu esconderijo remoto Evan, um etnobotânico alemão em busca da Yakruna, uma poderosa planta capaz de ensinar a sonhar. O xamã decide acompanhar o estrangeiro em sua busca, e juntos embarcam em uma viagem ao coração da selva, onde passado, presente e futuro se confundem, fazendo-o aos poucos recuperar suas memórias. Essas lembranças trazem uma dor profunda que não libertará Karamakate até que ele transmita o conhecimento ancestral que antes parecia destinado a perder-se para sempre.

No (Diretor: Pablo Larraín, 2012)

Durante os anos de 1973 e 1990 o Chile viveu um período de trevas, subjugada pela ditadura de Augusto Pinochet. O filme “No” retrata justamente o final desse período, abordando o plesbicito de 1988. No filme, Gael García Bernal interpreta o publicitário René Saavedra, que foi contratado pela esquerda para coordenar a campanha que viria derrubar o regime de Pinochet. Além de retratar de forma brilhante o contexto histórico da época, Pablo Larraín criou uma atmosfera ointentista muito fiel, e isso pode ser constatado pelos olhos mais atentos, em que cada objeto dos cenários é pensado para nos transportar para essa época.

Sinopse: História do plebiscito que, em 1988, pôs fim a uma ditadura de 15 anos imposta por Augusto Pinochet. Baseado na peça do escritor chileno Antonio Skármeta, El plebiscito, No conta a história de René Saavedra (Gael Garcia Bernal), um exilado que volta ao Chile e vai trabalhar como publicitário a serviço da campanha “Não”, que tem como objetivo influenciar o eleitorado a votar contra a permanência de Augusto Pinochet no poder durante um referendo, feito sob pressão internacional, pelo próprio ditador. Com poucos recursos e sob constante vigilância por homens de Pinochet, ele concebeu um ousado plano para ganhar o referendo.

Relatos Selvagens (Diretor: Damián Szifron, 2014)

Um dia aparentemente normal pode, por vezes, nos reservar certas surpresas, boas ou não. É disso que “Relatos Selvagens” nos conta, só que as surpresas são sempre indesejadas. Com um ácido e histérico humor negro, o filme narra uma história sobre os sentimentos primitivos que habita em nós, e como eles só precisam de um pequeno empurrãozinho para vir à tona.

Sinopse: Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. São seis episódios com pessoas vivendo situações-limite e respondendo violenta e inesperadamente a elas: uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.

El Infierno (Diretor: Luis Estrada, 2010)

Eu curto muito filmes que abordam o narcotráfico, e “El Infierno” tem um gostinho especial por ter certos elementos de realismo-mágico. A personalidade humana se desenvolve baseada em informações biológicas e culturais, e no filme podemos ver toda a força que a cultura em que estamos inseridos exerce sobre nossa personalidade, nos deixando num beco sem saída.  No filme, vemos um México afundado no crime, onde um sujeito ordinário se vê cercado por um mundo em que as leis não fazem o menor sentido, e que a única solução é não segui-la e abraçar o mundo do tráfico.

Sinopse: O filme conta a história de Benny (Damián Alcázar), um imigrante mexicano que é deportado de volta ao seu país depois de 20 anos nos EUA, só para encontrar mais miséria do que ele se lembrava, e uma realidade que não pode evitar: se relacionar com o narcotráfico é praticamente uma necessidade e uma imposição, do contrário, o resultado poderia ser a miséria ou a morte.

Amores Brutos (Diretor: Alejandro G. Iñárritu, 2000)

De antemão é bom deixar claro que em “Amores Brutos” existe cenas de rinha, e muita gente não suporta. A história retrata o cotidiano de algumas pessoas que vivem à beira da miséria, tanto existencial quanto financeira. O filme é o primeiro – os outros são “21 Gramas” e “Babel” – da trilogia proposta por Alejandro G. Iñárritu sobre as causalidades da vida que podem levar as pessoas ao extremo. “Amores Brutos” é um filme que demora um pouco para sair da nossa cabeça, pois a narrativa é bastante perturbadora e ao mesmo tempo amável, criando um agoniante mix de sensações.

Sinopse: Em plena Cidade do México, um terrível acidente automobilístico ocorre. A partir deste momento, três pessoas envolvidas no acidente se encontram e têm suas vidas mudadas para sempre. Um deles é o adolescente Octavio (Gael García Bernal), que decidiu fugir com a mulher de seu irmão, Susana (Vanessa Bauche), usando seu cachorro Cofi como veículo para conseguir o dinheiro para a fuga. Ao mesmo tempo, Daniel (Álvaro Guerrero) resolve abandonar sua esposa e filhas para ir viver com Valeria (Goya Toledo), uma bela modelo por quem está apaixonado. Também se envolve no acidente Chivo (Emilio Echevarría), um ex-guerrilheiro comunista que agora atua como matador de aluguel, após passar vários anos preso. Ali, em meio ao caos, ele encontra Cofi e vê a possibilidade de sua redenção.

Diários de Motocicleta (Walter Salles, 2004)

Mais uma vez Walter Salles faz um excelente e singelo road movie por entre as mais diversas culturas e belíssimas paisagens que compõem a América do Sul, contando a história dos primeiros passos e situações que viriam a transformar o jovem Ernesto Guevara em uma das personalidades mais importantes do século XX. O filme é tão bem dirigido, que independente do nosso posicionamento político, essa aventura do jovem Che Guevara também nos transforma, mudando a nossa perspectiva em relação a esse imenso continente.

Sinopse: Che Guevara era um jovem estudante de Medicina que, em 1952, decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado. A viagem é realizada em uma moto, que acaba quebrando após 8 meses. Eles então passam a seguir viagem através de caronas e caminhadas, sempre conhecendo novos lugares. Porém, quando chegam a Machu Pichu, a dupla conhece uma colônia de leprosos e passam a questionar a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população.

Contra Corrente (Diretor: Javier Fuentes-León, 2009)

O filme peruano Contra Corrente está longe de ser pretensioso. De uma forma simples, o filme nos mostra como o cotidiano de uma vila pesqueira no Peru, com suas rígidas tradições religiosas, subjugam o amor entre dois homens. Um desses homens, Miguel, vive uma vida dupla para manter um casamento estável com sua esposa e amar secretamente o pintor e fotógrafo Santiago. O filme discute com sensibilidade as dificuldades da aceitação pessoal em meio há tantos preconceitos existentes em uma sociedade conservadora. “Contra Corrente” foi uma grata surpresa, e em tempos que o amor é visto como doença, esse filme é obrigatório.

”Você acha que ser homem é ter uma esposa e filhos. Há mil maneiras de ser homem, mas você não é nenhuma delas!”

Sinopse: Miguel (Cristian Mercado) é um pescador respeitado na vila onde mora e trabalha. Casado com Mariela (Tatiana Astengo), está prestes a ganhar o primeiro filho, mas ele vive um romance com Santiago (Manolo Cardona), artista chamado pelos moradores de Príncipe Encantado. O tempo passa, a hora da verdade está chegando e Mariela começa a questionar Miguel, que precisará decidir sobre sua sexualidade.

Cidade de Deus (Diretor Fernando Meirelles e Diretora Kátia Lund, 2002)

O melhor favela movie já realizado, “Cidade de Deus” foi um dos filmes brasileiros mais elogiados no mundo. O filme é bastante realista e as atuações são bem convincentes – o que na minha humilde opinião é uma raridade nos filmes brasileiros –, explorando a dura realidade das favelas cariocas. Mesmo que as atuações fossem ruins, a direção de Fernando Meirelles e da Kátia Lund, juntamente com o roteiro, é tão impecável que qualquer fragilidade nas atuações passaria despercebida. Eu sei que é quase impossível um brasileiro não ter visto esse filme, mas, caso não, pare de respirar e corra para ver essa maravilha de filme.

Sinopse: Buscapé (Alexandre Rodrigues) é um jovem pobre, negro e muito sensível, que cresce em um universo de muita violência. Buscapé vive na Cidade de Deus, favela carioca conhecida por ser um dos locais mais violentos da cidade. Amedrontado com a possibilidade de se tornar um bandido, Buscapé acaba sendo salvo de seu destino por causa de seu talento como fotógrafo, o qual permite que siga carreira na profissão. É através de seu olhar atrás da câmera que Buscapé analisa o dia-a-dia da favela onde vive, onde a violência aparenta ser infinita.


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Joelson é Biólogo, mestrando em Etnobiologia. Escreve sobre cinema. É apaixonado por uma cerveja trincando. Publica mensalmente dia 15, save the date | Para segui-lo no Instagram: @joelsonbrito

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