CONSCIÊNCIA COLETIVA

Os 25 anos do Universo Animado DC (Parte 2)

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Vamos continuar falando do Universo Animado DC, que como informamos na parte 1 desse especial, acaba de celebrar 25 anos de existência! Essa jornada mostra que a DC realmente conseguiu criar um bem-sucedido universo compartilhado e garantir reconhecimento enquanto produtora de grandes animações com super-heróis.

Convergência

Enquanto Super Choque e Projeto Zeta eram desenvolvidos, Bruce Timm e cia focavam seus esforços na série da Liga da Justiça para a Warner Bros. Todavia, a primeira aparição da grande equipe de heróis da DC ocorreu ainda em Batman do Futuro, com o episódio em duas partes “O Chamado” (The Call), exibido em novembro de 2000 nos EUA. Em “O Chamado”, Terry McGinnis era convidado para se juntar à Liga da Justiça Ilimitada (Justice League Unlimited), a Liga do futuro, cuja formação incluía um Superman mais velho, Grande Barda (eles não podiam usar Mulher-Maravilha no desenho por restrições contratuais da personagem) e os originais do desenho a Aquagirl (Mareena, a filha do Aquaman), o Lanterna Verde Kai-Ro e o Gavião Guerreiro. Porém, as origens da equipe só viriam a ser mostradas em Liga da Justiça, que estreou um ano depois, em 17 de novembro de 2001, no Cartoon Network.

Funcionando como uma sequência de Superman – O Desenho em Série e prelúdio para Batman do Futuro, a animação mostrou Batman e Superman se aliando à Mulher-Maravilha, o Lanterna Verde John Stewart, Mulher-Gavião, Flash e Caçador de Marte para salvar o mundo de uma invasão alienígena em grande escala. Como resultado, o grupo decide fundar a Liga da Justiça, a linha de defesa definitiva da Terra. Diferente das animações anteriores, quase todos os episódios de Liga da Justiça eram de duas ou três partes, o que abria espaço para um desenvolvimento maior da trama e dos seus personagens (especialmente aqueles que não vinham de desenhos próprios). Embora inicialmente focado mais em ação com tramas um pouco rasas, a animação eventualmente encontrou o tom certo, entregando uma excelente segunda temporada enriquecida com todas as qualidades que marcavam as animações do DCAU.

Com Liga da Justiça em produção, a Warner Bros. Animation tinha quatro animações DC em produção simultaneamente dentro do DCAU e decidiu que Batman do Futuro seria encerrada em sua terceira temporada para que a equipe de Bruce Timm pudesse focar somente no desenho da Liga. Assim, Batman do Futuro chegou ao fim com 52 episódios (mesmo tendo sido anteriormente renovado para uma quarta temporada), com o último indo ao ar no dia 18 de dezembro de 2001. Apesar do sucesso de crítica, Projeto Zeta não obteve o sucesso esperado de audiência, chegando ao fim de sua transmissão no dia 17 de agosto de 2002, com apenas 26 episódios. A Warner Bros. Animation também começava a desenvolver novos projetos fora do Universo Animado DC, como Os Jovens Titãs e O Batman, dando início ao processo de finalização do Universo Animado DC.

Em 2003, um novo longa-metragem animado estrelando Batman foi lançado, baseado numa história de Alan Burnett: Batman: O Mistério da Mulher-Morcego. O filme não só apresentou a versão desse universo da Batwoman – bastante diferente da sua contraparte das HQs -, como também marcou a aparição final de muitos personagens do Batverso no DCAU. Além disso, ele vinha acompanhado do curta-animado mudo Chase Me, estrelando Batman e Mulher-Gato e contendo apenas a trilha sonora de Lolita Ritmanis, que trabalhou na trilha instrumental de todas as produções do DCAU e também nas animações de Os Jovens Titãs e Legião dos Super-heróis, além de séries como Arquivo X.

 Super Choque e Liga da Justiça continuaram no ar até 2004, chegando a rolar até mesmo um crossover entre elas. Com 52 episódios cada, Super Choque chegou ao fim em 22 de maio e Liga da Justiça foi finalizada uma semana depois, em 29 de maio.

Conclusão e legado

Apesar de a invasão dos Thanagarianos à Terra ter sido planejada como o final da Liga da Justiça, o Cartoon Network havia ficado muito satisfeito com a audiência da série animada e encomendou uma série animada sequencial batizada de Liga da Justiça Sem Limites (Justice League Unlimited, como em Batman do Futuro). Inicialmente, pensaram em fazer um filme animado conectando o final de Liga da Justiça a Liga da Justiça Sem Limites, mostrando como a equipe se recuperou da traição da Mulher-Gavião e decidiu abrir suas portas para novos membros. Infelizmente, o filme originalmente chamado Justice League: Worlds Collide (Liga da Justiça: Mundos Colidem, em tradução livre) acabou sendo descartado e seu roteiro sendo retocado para se tornar a animação original DC Liga da Justiça: Crise em Duas Terras, lançada em 2010, sem ligação com o DCAU.

Em Liga da Justiça Sem Limites, a Liga da Justiça reúne super-poderosos, meta-humanos e vigilantes do mundo inteiro para integrarem missões, geralmente acompanhados dos membros fundadores. Diferente de Liga da Justiça, Sem Limites trazia episódios fechados que compunham um arco de histórias maior. As duas primeiras temporadas originalmente encomendadas foram focadas na organização governamental conhecida como CADMUS e amarravam de forma fantástica narrativas iniciadas em Superman – O Desenho em Série, Batman do Futuro e Liga da Justiça. O último episódio da segunda temporada, “Epílogo” (Epilogue), até funciona como o final que Batman do Futuro realmente merecia e não ganhara devido ao cancelamento precoce.

O Cartoon Network ainda encomendou uma terceira temporada de 13 episódios para Liga da Justiça Sem Limites, sendo esta focada na formação da Legião do Mal e na tentativa de Lex Luthor de trazer Brainiac de volta, fazendo com que a série animada durasse até 13 de maio de 2006, totalizando 39 episódios. Assim, o Universo Animado DC foi concluído com um total de 384 episódios espalhados por oito série animadas, quatro filmes de longa-metragem e duas webséries.

Apesar de nunca mais ter feito nada tão ousado como um novo universo animado composto de diferentes séries de animação, a Warner Bros. Animation continuou investimento em animações pelos anos seguintes, com mentes criativas do DCAU como Bruce Timm e Alan Burnett ainda contribuindo para outras produções do estúdio. As duas primeiras animações estrelando o azulão da DC pós-DCAU – Superman: Brainiac Ataca e A Morte do Superman – utilizaram o mesmo visual e elenco de vozes (na versão americana) de Superman – O Desenho em Série, mas não se passavam na mesma continuidade.

Em 2011, Bruce Timm foi chamado para criar e produzir Lanterna Verde – A Série Animada (Green Lantern – The Animated Series) para acompanhar o infame filme Lanterna Verde estrelado por Ryan Reynolds. A animação em CGI também não teria conexão com o DCAU, mas incorporou o estilo de animação e design de personagens eternizado por Bruce Timm. O desenho possuía muitas das qualidades que marcaram as produções anteriores de Timm, mas o fracasso do filme não ajudou na popularização da série animada, que foi cancelada com apenas 26 episódios produzidos.

Em 2014, um novo projeto encabeçado por Bruce Timm e Alan Burnett foi anunciado: Liga da Justiça: Deuses e Monstros (Justice League: Gods and Monsters). O filme animado foi acompanhado de três curtas lançados no YouTube como Justice League: Gods and Monsters Chronicles (Liga da Justiça: Crônicas de Deus e Monstros, em tradução livre) e mostrava versões alternativas da Trindade da DC num mundo mais sombrio em que a Liga da Justiça mantém a ordem com braço de ferro. Apesar de bastante elogiada pela crítica, as baixas vendas fizeram com que as sequências previamente anunciadas fossem canceladas. Deuses e Monstros também utilizava o estilo de animação de DCAU, sem contudo se passar na mesma continuidade.

No mesmo ano, dois curtas ligados foram lançados em comemoração aos 75 anos do Batman. O primeiro foi Batman: Dias de Escuridão (Batman: Strange Days) foi dirigido por Bruce Timm e apresentava a mesma identidade visual do DCAU. O segundo foi um curta de Batman do Futuro, animado e escrito por Darwyn Cooke, roteirista e artista de HQs que trabalhou nos storyboards de diversos episódios de Superman – O Desenho em Série e The New Batman Adventures e também é o responsável pela icônica abertura de Batman do Futuro.

Foi só este ano que Bruce Timm retornou ao Universo Animado DC que ajudara a conceber com o filme animado Batman e Arlequina (Batman and Harley Quinn) para celebrar os 25 anos de Batman – A Série Animada! Situado entre Liga da Justiça Sem Limites e Batman do Futuro, o filme mostra a improvável aliança de Batman e Asa Noturna com Arlequina para impedir um plano da Hera Venenosa e do Homem Florônico de se concretizar. Anunciado como uma história mais leve e divertida – distinguindo-se das tramas cada vez mais sérias e sombrias produzidas atualmente -, o filme ironicamente recebeu a autorização de ser voltado para o público mais velho. O que provou-se um grande erro.

Ao invés de usar tal liberação de forma sábia, Bruce Timm e sua equipe só estragaram sua obra ao apostar no pior clichê das histórias em quadrinhos: sexualização feminina. É triste ver as pessoas que outrora contaram histórias tão maravilhosas com as mulheres das DC em suas séries animadas manchando seu próprio legado em troca de conquistar público masculino apelando pra machismo. Já disseram em entrevistas que se as vendas forem positivas, é provável que novos filmes situados no DCAU sejam feitos, mas olhando Batman e Arlequina, acho que prefiro iniciar uma nova maratona de Batman – A Série Animada para celebrar esses 25 anos dignamente.

Em solo brasileiro

Enquanto todas as séries e longa-metragens do DCAU foram exibidas no Brasil, o tratamento dado a elas pela própria Warner Bros por aqui que até hoje deixa a desejar. O primeiro ponto é certamente a dublagem. Como se tratam de diferentes séries animadas e filmes situadas num mesmo universo fictício, é importante que se mantenha uma certa coerência no elenco. É verdade que alguns atores foram trocados na versão americana também (o Superman, por exemplo, foi interpretado por Tim Daly em Superman – O Desenho em Série e George Newbern em Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites), porém no Brasil a situação foi um pouco agravada.

O único personagem a aparecer em todas as produções do DCAU é o Batman, sempre interpretado por Kevin Conroy no original. Enquanto Márcio Seixas ganhou a fama por dublar o personagem no Brasil, vale dizer que ele só esteve presente em cinco das 12 produções trazidas pra cá: Batman – A Série Animada, Batman: A Máscara do Fantasma, Liga da Justiça, Super Choque e Liga da Justiça Sem Limites. Nas demais produções, ele foi interpretado por diferentes dubladores, até mesmo em The New Batman Adventures, que trouxe a maior parte do elenco da primeira série de volta, só que com Maurício Berger tomando o papel de Bruce Wayne (por motivos de treta de Márcio Seixas com a Herbet Richers, talvez?). O outro dublador que mais interpretou o milionário de Gotham nas animações foi Roberto Macedo, que deu voz ao Bruce Wayne mais velho de Batman do Futuro, Batman do Futuro: O Retorno do Coringa e Projeto Zeta.

Outro problema que se acometeu à dublagem foi que a Warner não manteve todos os trabalhos no Rio de Janeiro, enviando algumas produções para serem trabalhadas em São Paulo. O problema é que com a mudança geográfica, você tinha um elenco de dublagem totalmente diferente das produções feitas no Rio. Pra complicar, uma dessas produções foi justamente Superman – O Desenho em Série, que introduziu diversos dos elementos que seriam utilizados em Liga da Justiça. Além disso, os crossovers que ocorriam entre Batman e Superman eram afetados por essas diferenças no elenco de dublagem. Não ajudava nada que a dublagem realizada pela Centauro para o desenho do azulão tinha um trabalho bem razoável de direção e tradução, embora muitos fãs tenham curtido o trabalho de Carlos Campanille como Clark Kent. A outra produção dublada em São Paulo foi o filme Batman & Mr. Freeze: Abaixo de Zero.

Porém, desde Liga da Justiça a distribuidora tem sido um bocado mais cuidadosa com a dublagem de suas produções por aqui. Guilherme Briggs (Superman), Priscila Amorim (Mulher-Maravilha), Maurício Berger (Lanterna Verde John Stewart), Marcelo Garcia (Flash), Dário de Castro (Caçador de Marte), Luiz Feier Motta (Aquaman), Luiz Carlos Persy (Lex Luthor), Andréa Murucci (Mulher-Gavião), Flávia Saddy (Supergirl), Júlio Chaves (Arqueiro Verde) e José Augusto Sendim (Darkseid) têm reprisado seus papéis, eternizados pela dublagem na Cinevídeo, em filmes, séries animadas e jogos desde então.

Em relação à exibição das animações no Brasil, todas elas foram exibidas na tevê paga via Cartoon Network e na tevê aberta pela Rede Record e posteriormente pelo SBT, onde a maioria delas produções se popularizou de verdade por aqui nas manhãs do Bom Dia & Cia. Os filmes também foram lançados em VHS e depois em DVD, mas nem todas as séries tiveram a mesma sorte. Enquanto Batman – A Série Animada (incluindo The New Batman Adventures) e Superman – O Desenho em Série foram lançados na íntegra em DVD, chegando a serem compiladas em boxes com todos os episódios, as demais nunca receberam o mesmo tratamento.

Apesar de sua grande popularidade e importância por aqui, Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites só tiveram episódios lançados em compilações especiais ou inseridos em DVDs de episódios temáticos ou aleatórios, nunca chegando a ganhar um tratamento realmente digno. E isso já foi mais que Super Choque, Batman do Futuro e Projeto Zeta jamais chegaram perto de ganhar. E as webséries nunca sequer chegaram aqui de forma oficial. Quem sabe com o lançamento vindouro do filme da Liga da Justiça, a Warner não se anima em pelo menos lançar as temporadas completas dos desenhos da Liga por aqui? Afinal, não custa nada sonhar.

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Professor de inglês, DCnauta, Nintendista e aspirante a Mestre Pokémon, gosto de usar minhas horas vagas para ver seriados, ler HQs, jogar, escrever e, claro, problematizar.

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