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O que achamos: Feito na América

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Review

Nota de Henrique
8/10
Média
8.0/10

Dirigido por Doug Liman (Mr. & Mrs. Smith), Feito na América é mais um nome para colocarmos ao lado de produções como Escobar – Paraíso Perdido (2014), Narcos (2015 -) e Conexão Escobar (2016), não como uma história a mais sobre a já saturada figura de Pablo Escobar, mas sim como uma narrativa cujo foco é alguém que com ele se envolveu.

Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Barry Seal, um piloto de aeronaves americano que há alguns anos trabalhou como traficante de drogas para o Cartel de Medellín e como agente duplo para a CIA. A produção, que tinha tudo para seguir um rumo mais sério, a exemplo da série Narcos, flerta bastante com a comédia e, nesse sentido, consegue arrancar do expectador verdadeiras risadas ao mesmo tempo em que vai narrando as partes que interessam da vida de Seal.

Tom Cruise e Sara Wright

No filme, que se passa nos anos 1980, Barry é um excelente piloto que trabalha para a empresa de aviação Trans World Airliness (TWA) até que a oportunidade de ganhar muito mais dinheiro bate à sua porta, e ele aceita, pois tem uma família (mulher – Sara Wright – e filhos) que só cresce para sustentar. A mando da CIA, Seal passa a sobrevoar e fotografar algumas áreas do globo que reúnem comunistas. O serviço prestado garante-lhe a fama do gringo que resolve tudo, e aí a sua porta começa a ser batida por outras oportunidades mais lucrativas ainda. E ele, oportunista todo, não faz a desfeita de recusar. A coisa toda chega a um nível em que a grande quantidade de dinheiro adquirido torna-se um problema por conta da falta de lugares para armazenar…

Mesmo assim, o não é um advérbio que parece não fazer parte do vocabulário do nosso protagonista. Sem contar e já contando o fato de ele ser o tipo de pessoa que não sabe a hora de parar. A cada novo negócio fechado com um grupo x ou y, sentimos a sensação de que ele está preso numa bola de neve que só cresce cada vez mais e que em algum momento vai explodir. Eu, por exemplo, posso resumir minha relação com o filme com a vontade de entrar na história só para dizer ao Barry o seguinte: “amigo, você já conseguiu dinheiro o suficiente para o neto dos netos dos seus filhos, então, por favor, pare”.

Cartel de Medellín

O tráfico de drogas, os perigos aos quais o Barry Seal sujeita a si mesmo e a sua família e tudo o mais de ilegal que acontece no filme são questões pesadas que tinham tudo para serem tratadas de forma dramática, mas Feito na América prefere trabalhar tudo cômica e freneticamente, de modo que sempre fica no ar a ideia de que o protagonista nasceu com a bunda virada para a lua, haja vista a sua impunidade diante de tantas atividades ilegais.

Em suma, pode-se dizer que é um filme de ação e aventura que estabelece um relacionamento sério com a comédia e, assim, cumpre com o seu objetivo de contar a história de Barry Seal de uma forma divertida. Não são novas as temáticas que ele desenvolve, logo, não há nada de surpreendente e em certo momento tudo fica muito previsível. Mas será que Feito na América em algum momento quis ser inovador e imprevisível? Eu acho que não. Conforme disse anteriormente, prefiro pensar que ele quis contar, com algumas adaptações coerentes, a história do tal piloto e traficante americano e ao mesmo tempo garantir entretenimento, e esse objetivo foi alcançado. É um filme que satisfaz tranquilamente expectadores não tão exigentes de filmes ação e/ou do gênero policial.

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Henrique é graduado em Letras, professor de Português e futuro jornalista que faz pesquisa sobre metáfora. Escreve sobre e é apaixonado por cinema, literatura, música e afins. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Instagram: @henrickcarlos

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