CONSCIÊNCIA COLETIVA

Os 25 anos do Universo Animado DC (Parte 1)

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Enquanto o Marvel Studios samba nos cinemas e na TV com seu bem-sucedido universo compartilhado, a Warner/DC pôde comemorar apenas este ano sua primeira vitória real com Mulher-Maravilha e ainda parece bastante perdida sobre seus próximos passos. Porém, nem sempre foi assim. Houve uma época em que a Warner/DC conseguiu emplacar não só um bem-sucedido universo compartilhado, mas também garantir seu reconhecimento como dona do departamento de animação de super-heróis. É hora de falar do Universo Animado DC (DCAU, na sigla em inglês), que celebra agora em setembro 25 anos de existência!

No Princípio era o Morcego

No começo dos anos 90, a Warner Bros. queria uma animação estrelada pelo Batman para acompanhar o sucesso dos filmes de Tim Burton que eram lançados na mesma época. Foi então que entrou na jogada Bruce Timm. Experiente na área de animação, tendo inclusive trabalhado em Tiny Toons, Timm foi chamado para desenvolver a animação ao lado de Eric Radomski e entregou um resultado muito acima do que era esperado.

Batman – A Série Animada

Estreando em 5 de setembro de 1992 no bloco infantil da Fox Network chamado Fox Kids, Batman – A Série Animada (Batman – The Animated Series) apresentava um tom obscuro e gótico que casava perfeitamente com seus personagens, narrativas maduras e complexas, ótima trilha instrumental e uma marcante estética noir. Impossível não lembrar arcos incríveis de personagens como Dick Grayson/Robin, Batgirl, Mulher-Gato, Duas-Caras e Hera Venenosa. A série também foi marcante na atualização das origens de diversos vilões do Batman, como o Senhor Frio, e também foi o berço em que Bruce Timm e o roteirista Paul Dini conceberam o fenômeno Arlequina.

Outro aspecto pelo qual a série foi muito elogiada foi pelo seu trabalho de elenco. Mark Hamill voltou aos holofotes outra vez depois de deixar sua marca como Luke Skywalker ao entregar o que muitos consideram a melhor interpretação do Coringa até hoje! Kevin Conroy também sagrou-se como a voz do Batman na versão americana. No Brasil, Márcio Seixas conseguiu feito parecido, tornando-se o dublador do Batman favorito dos fãs (muitos anos antes de ser exposto como um grande babaca). Como resultado pelo excelente trabalho, a animação ganhou aclamação da crítica, chegando a receber um Emmy em 1993 pelo excelente episódio “O Ajuste de Contas de Robin – Parte 1” (Robin’s Reckoning). Quando a demanda inicial de 65 episódios esgotou, a Fox encomendou mais 20 à Warner, fazendo com que o desenho durasse três anos no ar e rendesse ainda dois filmes de longa-metragem (Batman: A Máscara do Fantasma e Batman & Mr. Freeze: Abaixo de Zero), sendo encerrado em 15 de setembro de 1995. A Fox Network até queria um spin-off focado na Mulher-Gato, mas a Warner já tinha outros projetos em mente…

Para o Alto e Avante!

Seguindo o sucesso da animação do homem-morcego, a Warner encomendou a Bruce Timm uma nova série animada, mas para seu super-herói mais icônico: Superman. Auxiliado pelos seus colegas de Batman – A Série Animada, Paul Dini e Alan Burnett, Timm manteve a maturidade narrativa e de composição de personagens da animação anterior, assim como a modernização nas origens de alguns vilões, mas introduziu um novo traço que se tornaria característico de suas obras seguintes. Também foi decidido logo cedo que Superman – O Desenho em Série (Superman – The Animated Series) se passaria no mesmo universo de Batman – A Série Animada e os personagens eventualmente se encontrariam.

Superman – O Desenho em Série estreou na TV americana em 6 de setembro de 1996, na Kids’ WB. Apesar da série apresentar um Superman consideravelmente mais fraco em relação à sua contraparte das HQs (porque Bruce Timm acreditava que os telespectadores simpatizariam mais pelo personagem se o vissem enfrentando dificuldades), o desenho o mostrava como um homem não apenas forte, mas também bastante inteligente e é até hoje considerada uma das adaptações mais fiéis ao personagem já feita. Foi também nessa animação que os produtores decidiram expandir o Universo DC na TV apresentando outros super-heróis icônicos da editora, como Senhor Destino, Flash e Aquaman, além de outros associados ao Superman como Supergirl e Aço.

The New Batman Adventures

Paralelamente ao desenvolvimento da série animada do Superman, a equipe de Bruce Timm retornou ao Batverso, com The New Batman Adventures. Com apenas 24 episódios, a nova animação se passava dois anos depois de Batman – A Série Animada e apresentava uma nova identidade visual, mais alinhada com o estilo adotado para Superman – O Desenho em Série. Ela ficou memorável por mostrar Dick Grayson como Asa Noturna e introduzir Tim Drake como novo Robin, além de contar a origem de Arlequina no icônico episódio “Louco por Amor” (Mad Love). A nova animação estreou em 3 de setembro de 1997 na Kids’ WB e era exibida fazendo dobradinha com Superman – O Desenho em Série.

Foi após o surgimento de The New Batman Adventures que o primeiro encontro entre os dois grandes heróis da editora pôde finalmente acontecer! Exibido como uma história em três partes na segunda temporada de Superman – O Desenho em Série, “O Mais Refinado do Mundo” (World’s Finest) foi o primeiro de muitos crossovers que ocorreriam entre as duas séries animadas e foi compilado num filme para o mercado de home video como Batman & Superman: Os Melhores do Mundo, consolidando o universo compartilhado entre elas.

Batman do Futuro

The New Batman Adventures teve seu último episódio inédito exibido em 16 de janeiro de 1999, mas Bruce Timm, Alan Burnett e Paul Dini já tinham planos para uma nova grande história do Batman: Batman do Futuro (Batman Beyond)! Situada num futuro distante, a série original acompanhava a relação complicada de um Bruce Wayne amargo, solitário e velho demais para bancar cruzado encapuzado com seu pupilo a contragosto Terry McGinnis, que se torna o novo Batman. A série manteve o tom sombrio de suas predecessoras e focava mais nos dramas pessoais e temáticas ligadas à tecnologia e seu impacto na sociedade, mesclando cyberpunk com ficção científica.

Batman do Futuro estreou em 10 de janeiro de 1999 na Kids’ WB e ainda foi acompanhada do excelente filme animado Batman do Futuro: O Retorno do Coringa, que explica muito do que moldou a personalidade do idoso Bruce Wayne após seu confronto final com o Coringa. O sucesso da animação fez com que Terry McGinnis e todo seu universo futurista também fossem incorporado ao Universo DC nos quadrinhos.

Universo em expansão

O sucesso que as animações do Batman e do Superman obtiveram encorajaram a Warner Bros a investir em outras produções estrelando outros super-heróis. O último episódio de Superman – O Desenho em Série foi ao ar em 12 de fevereiro de 2000 com um emocionante capítulo em duas partes intitulado “A Herança” (Legacy), que deixava muitos ganchos que seriam explorados numa animação que Bruce Timm e seus companheiros já começavam a planejar: Liga da Justiça (Justice League). A Warner Bros. Animation também começava a explorar outras mídia com seus personagens.

Gotham Girls

A primeira iniciativa veio com Gotham Girls, uma websérie animada em Macromedia Flash focada no dia a dia das personagens femininas de Batman – A Série Animada , Batgirl, Mulher-Gato, Arlequina e Hera Venenosa. Gotham Girls infelizmente nunca chegou ao Brasil, mas teve capítulos curtos novos lançados no site da Warner de 27 de julho de 2000 a 19 de novembro de 2002, muito antes da febre de DC Super Hero Girls. Na mesma época foi lançada a websérie Lobo, no mesmo formato e focada no personagem-título, mas que teve apenas uma leva de curtas. Foi também nessa busca por explorar novos heróis que surgiu a animação Super Choque (Static Shock).

Diferente das demais, Super Choque não foi criada por Bruce Timm e cia, mas por Dwayne McDuffie e Denys Cowan, dois dos criadores originais do personagem nas HQs, embora contasse com diversos membros da equipe das séries animadas do Batman e do Superman em sua produção. Como McDuffie e Denys Cowan foram também cofundadores do selo Milestone, uma união de artistas e roteiristas negros que visava promover diversidade dentro do universo das histórias em quadrinhos, eles fizeram questão de incorporar diversas questões sociais dentro de suas histórias. Super Choque também apresentava um clima mais leve e divertido que as demais, sendo voltado para o público pré-adolescente.

Super Choque e Liga da Justiça

Originalmente não se planejava que a série animada estrelando Virgil Hawkings fizesse parte do DCAU, até que isso mudou a partir da segunda temporada, quando Batman e Robin aparecem em Dakota City pela primeira vez. Com isso, Super Choque teve até uma mudança de direcionamento, passando a abordar alguns temas mais sérios em suas narrativas (como abuso de drogas) e realizando crossovers com Superman – O Desenho em Série e Batman do Futuro. Super Choque estreou em 23 de setembro de 2000 na Kids’ WB.

Projeto Zeta

Em 2001, Batman do Futuro já estava em sua segunda temporada e, vendo potencial em explorar mais aquele universo completamente novo, a Warner Bros. Animation encomendou outra animação original situada nele: Projeto Zeta (The Zeta Project), criada por Robert Goodman, um dos dos roteiristas de Superman – O Desenho em Série e Batman do Futuro. Para preparar o público para a série, os personagens do desenho foram apresentados no episódio “Zeta”, da segunda temporada de Batman do Futuro, antes de migrarem para sua própria animação. Na trama de Projeto Zeta, o sintozoide Zeta, criado para cometer assassinatos em nome da NSA – a Agência de Segurança Nacional dos EUA – descobre que foi enviado para matar um inocente, desencadeando nele uma crise existencial que o leva a se rebelar contra o sistema e decidir não mais matar. Desse modo, ele se torna alvo da própria NSA e inicia uma fuga auxiliado pela adolescente órfã Ro. Projeto Zeta estreou em 27 de janeiro de 2001 na Kids’ WB e também foi bastante elogiada pela crítica pela sua narrativa e temática adulta.

Assim, o DCAU já contava com seis séries animadas, duas webséries e três filmes de animação em seu catálogo. Como tudo que é bom uma hora acaba, na próxima parte falaremos do final do DCAU e do legado que deixou!

Continua….

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Professor de inglês, DCnauta, Nintendista e aspirante a Mestre Pokémon, gosto de usar minhas horas vagas para ver seriados, ler HQs, jogar, escrever e, claro, problematizar.

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