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O que achamos do sepultamento de Death Note

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Então… assistimos Death Note. O filme lançado este semestre pela Netflix é uma adaptação norte americana do anime produzido por Toshio Nakatani, Manabu Tamura e Masao Maruyama pela Madhouse, e mangá escrito por Tsugumi Ohba e iustrado por Takeshi Obata, lançados nos anos de 2006 e 2007. E sua qualidade é, digamos, uma morte horrível  (perdão pelo trocadilho).

A história do filme tem uma pequena aproximação ao anime e mangá: um jovem dedicado aos estudos chamado Light (Nat Wolff, A culpa é das estrelas) encontra “por acaso” um caderno cuja capa se nomeia Death note. O mesmo caderno dá o poder ao proprietário de matar qualquer pessoa cujo nome for nele escrito. Light, cansado de ver tantos criminosos saírem impunes, inclusive o assassino da sua mãe, começa a agir por conta própria, escrevendo nomes de criminosos e arquitetando suas mortes.

Até aí tudo bem. Porém, ao passo que Light do anime e mangá, auto intitulado por Kira, é devorado pelo poder divino de determinar a vida de alguém em suas mãos, utilizando a máxima “o fim justifica os meios”, o Light do filme norte americano é construído em torno de um personagem inseguro que aproveita a chance que tem para impressionar a líder de torcida Mia, interpretada pela nossa linda Margaret Qualley  (Leftovers), pela qual ele está apaixonado. Inclusive, a Mia do filme que é a Misa do anime, é mais sádica que o próprio Light. Temos ainda um tropeço com a construção do L (Keith Stanfield, Temporário 12 e Snowden), detetive encarregado de investigar e revelar a identidade do Kira, o qual no anime é um jovem calculista, objetivo e seguro das suas emoções, ao passo que no filme é um garoto impulsivo e chiliquento.

Além dessa descaracterização mal sucedida (nada contra tomar um rumo oposto ao original, mas faça bem feito!), cujo roteiro foi de responsabilidade do Jeremy Slater (Quarteto fantástico), a direção do Adam Wingard (A bruxa de Blair) é um fiasco. O filme se perde em inúmeros momentos e Light, O ASSASSINO, é o maior responsável pelos alívios cômicos mais dantescos, incluindo a cena em que ele encontra o shinigami (deus da morte) Ryuk. Encontramos do início ao fim uma série de pontas soltas, uma atuação rasa do elenco e um final impune para o protagonista ao som de O amor e o poder. Ah, sim: tem erros de gravação nos créditos finais. Não poderia ser tão comédia quanto.

Enfim, Death note é um filme que merece ter seu nome escrito em um Death note (risos). Poderia ser interessante se este fosse uma adaptação para uma série, entendendo a densidade de seu roteiro original e dos personagens importantes que não aparecem no filme. Infelizmente a Netflix pesa a mão negativamente ao matar um terror policial em mais um adolescente besteirol americano.

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Alexandre é pedagogo, mestre em Educação e professor. Escreve sobre cinema, séries, animes, viagens e música. É apaixonado por cinema, música, cerveja e viagens. Publica mensalmente no dia 26, save the date | Para segui-lo no Twitter: @alexandrrealves

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