CONSCIÊNCIA COLETIVA

Sintomas do messianismo político e do lulismo

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Tomo como pressuposto antes de desenvolver o argumento que: Lula chegou ao poder com os movimentos sociais e depois firmou apoio com a elite brasileira (Carta aos brasileiros), fez reformas contra trabalhadores , que milhões de pessoas saíram da miséria e que houve mudanças sociais significativas, principalmente no nordeste.

A figura enigmática de Lula à mim sempre foi cara, me tornei de esquerda assistindo discursos do Lula, tirei meu título aos 16 anos para votar no PT e admirava muito da política que o partido tinha como base. Muito tempo passou, os aliados do PT o traíram, deram golpe, as conquistas e avanços dos últimos anos, escorregam pelos dedos e perdemos a cada dia direitos primordiais para os trabalhadores.

Nessa conjuntura de desespero, falta de esperança e raiva pela elite burguesa do país, tendemos a desesperados almejarmos as respostas para esses problemas não apenas em saídas institucionais mas sim em projeções da esperança em uma figura central. Assim como o judeus que sofreram por anos na história viam no messias a saída para suas condições injustas, assim como os cristão veem a volta de Jesus Cristo como a solução para o caos do mundo, nós brasileiros, repleto de sentimentos e lógicas cristãs, vemos a saída de nossa condição desesperadora em um messias político. Aqui, repetimos não apenas as lógicas religiosas mas também os vícios da esquerda que consagra figuras como salvadoras e pai dos povos, assim como o deus judaico-cristão. Individualizamos as saídas políticas que deveriam ser coletivas na mão de um simbólico político materializado. Ao símbolo, cabe não apenas a capacidade retórica magnifica e desenvoltura de saber se comunicar, cabe também o carisma, a simpatia e possibilidade de conquistar as pessoas com sua presença.

Essa semana nosso messias profanou algumas relações políticas, subiu em palanques e abraçou traidores do cenário político (do PMDB e do PSB). Fez gestos que se repetido por outros, garantiriam ódio e condenações dos seus seguidores (imagina se Edilson Silva do Psol estivesse em uma foto e palanque com a Família Real dos Campos?). Mas ele, o messias, com poder suficiente para arriscar, fez tal gesto e apesar do incomodo inicial, ele é compreendido. Seu gesto que seria condenável se vindo de qualquer outra figura da esquerda, é agora tido como lição “politica” demonstração de maturidade e pragmatismo político.

Individualizamos as saídas políticas que deveriam ser coletivas na mão de um simbólico político materializado.

Para um político que é tido como messias, qualquer atitude é aceita, compreensível, não apenas pela admiração e conquista do seu carisma, mas principalmente pela perspectiva messiânica da salvação, afinal se não Lula quem irá nos salvar dessa conjuntura? (Chapolin?) Mesmo que o caos presente e o golpe tenham sido resultado da política de conciliação de classes, essa mesma lógica será repetida e aceita. A saída precisa ser imediata, e isso é compreensível e esperado de um povo desesperado e desarticulado politicamente. E sim do outro lado, estão aqueles que odeiam a figura de Lula, tal como um religioso que acha o messias do outro, um messias falso.

A nós, cabe pensarmos e agirmos como aqueles que defendem o Estado laico, para lermos essa conjuntura e situação com cuidado e refazermos nossos futuros políticos sem messias, figuras divinas e projeções desesperadoras. Um projeto político com o povo que tenha consciência de si mesmo e de seu poder. Afinal, o deus está dentro de todos nós.

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