CONSCIÊNCIA COLETIVA

Bonecas de silicone: dominação e violação do corpo feminino em questão

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Que já existem robôs criados para fins sexuais, isso já sabemos, e a criação de modelos realistas é um fenômeno bem recente. Desta forma, a produção e a venda destes produtos tem avançado bastante. Algumas empresas até apostaram em modelos masculinos, mas não há dúvidas de que o foco da produção são as versões femininas.

Com o grande avanço da robótica, as empresas fabricantes andam indo longe demais e causando muitas polêmicas.  Recentemente, vasculhando sites de notícias, me deparei com uma informação preocupante. A chamada indicava que uma das empresas que fabrica estes “brinquedos” sexuais, a True Companion, teria adicionado à “personalidade” de suas bonecas o modo “estupro”. O texto explicava que a configuração permitia uma simulação, caso o usuário tocasse na “parte íntima” da robô.

O choque foi grande. Apesar de todos os nossos problemas sociais, a dura realidade em que vivemos e as histórias tristes que vivenciamos e ouvimos, é difícil não se escandalizar e se incomodar com a banalização do estupro e com a abertura de espaços como estes em que a violência é totalmente aceitável.

Ao invés de buscarmos meios de reforçar a noção de que as negativas femininas para realização do ato sexual devem ser aceitas e respeitadas, o mercado vem na contramão e de uma maneira completamente irresponsável e sem nenhuma preocupação com os impactos sociais, colabora com a ideia de poder, dominação e violação do corpo da mulher.

Em busca de mais informações sobre o tema, a decepção só aumentou. Existe uma linha de bonecas japonesas com feições de crianças produzidas pela empresa Trottla que tem o intuito de controlar o impulso dos pedófilos! Em um trecho de uma entrevista publicada na revista americana “The Atlantic” o proprietário da empresa confessou se sentir atraído por menores e continuou: “Estou ajudando as pessoas a expressarem seus desejos legal e eticamente”.

A informação de que a empresa recebe cartas de clientes agradecendo e reconhecendo que o produto é a salvação dos seus problemas é, verdadeiramente, assustadora.

E não existe nenhuma regulamentação no setor ou nenhuma grande mobilização social que sensibilize o mercado. Os empresários defendem a ideia de que o uso de bonecas diminuiria os índices de violências reais, justificativa que não possui nenhum fundamento e só faz algum sentido sob o pretexto capitalista.

Assim, diante de notícias desanimadoras como estas, só nos resta fazer barulho, fomentar o debate e não desistir do grande desafio que é o de construir uma sociedade mais madura e menos doentia.

Foto de capa: Maeve e Clementine, personagens da Westword, série que trata sobre a robotização da humanidade para fins imorais e violentos.

Everly é formada em Letras, estudante de Direito e atua em área relacionada ao Direito do Consumidor. Escreve, principalmente, textos de opinião sobre os mais variados temas e é apaixonada por viagens. Publica mensalmente dia 30, save the date Para segui-la no instagram: @everlynascimento.

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