CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: A Torre Negra

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Cezar
7/10
Média
7.0/10

Embora oriundo da Literatura, Stephen King é uma figura muito conhecida no meio do cinema, vários dos seus livros foram adaptados para essa plataforma, assim como para a televisão. Nessas adaptações encontramos trabalhos de grande qualidade convivendo com outros visivelmente mais questionáveis.

Dentro desse novo momento do cinema de Hollywood, que hoje prioriza os filmes com personagens de quadrinhos, ou revisita clássicos do passado, as adaptações de livros famosos continuam sendo uma alternativa interessante para as produtoras.  Stephen terá duas das suas mais conhecidas obras adaptadas esse ano, A Torre Negra e uma nova versão de IT: A Coisa, ambos com potencial para dominar as bilheterias no mundo todo.

O primeiro é sem dúvida um dos trabalhos mais elogiados do escritor, uma escolha arriscada, visto que a expectativa gerada pelo filme é muito alta e resultado pode desagradar facilmente os fãs mais ardorosos. Vamos entender: A Torre Negra é uma série de sete livros, com um extra lançado pelo autor após ele anunciar o fim da história. Ela mistura fantasia, com terror e ficção científica e é ambientada num clima de Faroeste. Essa mistura por si só, já é bem complexa, não é a toa que o autor levou quase trinta anos para concluí-la. Ele diz ter sido influenciado por J.R.R. Tolkien, faz referência à cultura pop, às lendas Arturianas e claro, ao Cinema de faroeste. É uma combinação muito interessante, conduzida com cuidado pelas mãos hábeis de Stephen King.

Antes do anúncio do filme, parte dessa obra foi adaptada para os quadrinhos, com roteiros de Robin Furth e Peter David e arte excepcional de Jae Lee. De fato é muito material para ser trabalhado apenas em um longa de 95 minutos.

O filme se foca em um momento bem específico de toda essa saga para apresentar o personagem do Pistoleiro, Roland Deschain (Idris Elba), na sua saga de vingança contra o Homem de Preto (Matthew McConaughey), que tenta a todo custo derrubar a Torre Negra do título, torre que existe para garantir que a escuridão não tome conta da existência. Ela também interliga várias dimensões paralelas.

O conflito se passa em um mundo paralelo ao nosso, mas que afeta nossa realidade, de alguma forma, sofremos ataques e temos nossa estrutura comprometida. No nosso mundo temos um jovem de nome Jake Chambers (Tom Taylor), que consegue sentir essas mudanças e tem visões sobre a Torre e a luta entre os antagonistas.  Por ter vivenciado uma tragédia familiar e ser excluído da sociedade, ele é acusado de loucura. Esse é o pano de fundo no qual o filme se desenrolará.

O primeiro momento se foca na apresentação dos dilemas do personagem Jake Chambers e na construção de sua relação com o mundo onde a ação acontece, para logo em seguida termos a sua introdução nesse universo e as motivações dos antagonistas Deschain e Homem de Preto colocadas. Passada essa etapa introdutória, chegamos ao momento final de forma rápida e rasteira, tudo acaba se resolvendo em poucos minutos, deixando algumas dúvidas no ar.

Eis o grande problema do filme. Existe uma gama enorme de possibilidades que poderiam ser exploradas, mas o roteiro escolhe ficar preso em um momento específico; temos a impressão que estamos diante de um filme muito simples, que não consegue explorar e ampliar as ideias complexas que até apresenta. Por sinal, algumas referências citadas serão compreendidas apenas por quem conhece a obra literária.

Por fim, temos um filme muito comum e despretensioso sobre um garoto que se envolve num conflito, tem uma espécie de guia e enfrenta o vilão. O final é bem formulaico, algo que Hollywood fez e faz constantemente.

Se você quer uma diversão bem simplória e sem grande profundidade, é uma boa pedida, mas acredito que os fãs, tanto da obra, como do próprio King, vão desgostar bastante do resultado.

Com um material tão recheado em mãos, os produtores poderiam ter realizado uma obra que facilmente entraria para a história do cinema. Preferiram o caminho do divertimento rápido e facilmente dirigido. Uma escolha lamentável.

Forte abraço e até a próxima.

Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

Deixe uma resposta

Your email address will not be published.

*

Último post de Cinema

Ir para o Topo
Pular para a barra de ferramentas