CONSCIÊNCIA COLETIVA

10 excelentes filmes de terror/suspense psicológico (Parte 1)

em Cinema/Listas e Homenagens por

A maioria dos filmes de terror/suspense canaliza suas forças para dar sustos nos seus espectadores – eu, particularmente, não curto tanto isso. Mas o terror psicológico e o suspense psicológico – gosto demais – são tipos diferentes de filmes, que não se preocupam em dar sustos, mas criam uma ambientação tensa, maligna e pesada, tudo sem muita pressa, com o mal sempre a espreita esperando o melhor momento para subjugar suas vítimas. São aqueles filmes que exploram nossos piores medos, e ficam em nossa mente por vários dias… e várias noites.

A Cura (Kiyoshi Kurosawa, 1997)

Até hoje não entendo como essa obra japonesa pode ser pouco conhecida. “A Cura” tem uma das melhores técnicas de narrativa que já vi. Com um roteiro aparentemente simples, tudo no filme é pensado para nos envolver em um manto de medo, principalmente o som, que parece ter saído da mente doentia de algum psicopata. Abordando ideias do fundador da psicologia analítica – Carl Jung –, o diretor Kurosawa criou de forma genial um psicopata que penetra no mais profundo lugar da mente de suas vítimas, com sugestões hipnóticas que extrai princípios primitivos humanos antes desconhecidos.

Sinopse: Pessoas são encontradas mortas com um bizarro “x” cravado em seus corpos. Desesperado, um detetive chamado Takabe decide iniciar uma investigação à base de longas e intermináveis sessões de interrogatórios. Porém, sua investigação não resulta em nada. Até que um determinado dia um rapaz é preso por estar perto de mais uma pessoa assassinada. Tímido e de trejeitos estranhos, resta saber qual a ligação entre ele o os crimes – e quem sabe, com o assassino.

O Bebê de Rosemary (Diretor: Roman Polanski, 1968)

Grande clássico dos anos 60 e um dos melhores filmes do gênero. “O Bebê de Rosemary” possui uma história bastante simples e com poucos cenários, mas não deixem se enganar por essa simplicidade. Polanski conseguiu criar umas das ambientações mais horripilantes e demoníacas do cinema, tudo em um pequeno apartamento de Nova Iorque, gerando em Rosemary a sufocante sensação de perseguição e aprisionamento, deixando-a paranoica. Vale ressaltar a grande atuação de Mia Farrow, que ficou perfeita no papel de Rosemary.

Sinopse: Rosemary e seu marido se mudam para um novo apartamento em Nova York, onde passam a conhecer um casal de idosos que mora logo ao lado. Esse casal possui modos estranhos de agir; eles logo invadem a privacidade de Rosemary, de forma que começa a incomodá-la. Há algo por trás disso tudo e Rosemary, grávida, começa a desconfiar das pessoas, querendo proteger seu futuro filho.

A Bruxa (Diretor: Robert Eggers, 2015)

Eu me arrependo demais de não ter assistido esse filme no cinema, mas pelo menos em casa o medo me envolveu mais – é o doido. “A Bruxa” proporciona uma experiência ambientalmente maligna bastante rara nos filmes do gênero. Para ser bem sincero, acredito que “A Bruxa” ainda terá o respeito que merece. O que vemos nesse extraordinário, maravilhoso e monstruoso filme são todos os elementos positivos que pode haver no terror psicológico: medo, angústia, solidão, ocultismo, maldade, sofrimento, injustiça e uma pitada do capiroto, sem falar da crítica a religião cristã. Tudo aqui é perfeito, principalmente a fotografia e a trilha sonora. Assistam de preferência no escurinho pavoroso de seus quartos.

Sinopse: Nova Inglaterra, ano de 1630. William e Katherine levam uma vida cristã com suas cinco crianças, morando á beira de um deserto intransitável. Quando o filho recém-nascido deles desaparece e a colheita falha, a família se transforma em outra. Por trás de seus piores medos, um mal sobrenatural se esconde no bosque ao lado.

O Sexto Sentido (Diretor: M. Night Shyamalan, 1999)

M. Night Shyamalan é um diretor bastante criticado por muita gente, mas eu particularmente curto bastante seus trabalhos – apesar de ter feito “O Último Mestre do Ar”, que ninguém merece. E se tem uma coisa que esse carinha realizou que já vale por 50 filmes, essa coisa é “O Sexto Sentido”. Um dos filmes mais intrigantes já feitos deixou toda uma geração em choque com sua trama sombria e inovadora. A direção é impecável, mas boa parte do sucesso se deve a atuação de um menininho chamado Haley Joel Osment, que foi de causar inveja em muito ator veterano. Se você ainda não assistiu – o que eu acho difícil –, corra e assista sem ler nada na internet além dessa indicação, que você será bem mais feliz.

Sinopse: O psicólogo infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis) abraça com dedicação o caso de Cole Sear (Haley Joel Osment). O garoto, de oito anos, tem dificuldades de entrosamento no colégio e vive paralisado de medo. Malcolm, por sua vez, busca se recuperar de um trauma sofrido anos antes, quando um de seus pacientes se suicidou na sua frente.

A Hora do Lobo (Diretor: Ingmar Bergman, 1968)

Acho até chato elogiar Bergman – apenas finalizem a filmografia desse senhor, por favor. Gente, que filme. Tudo aqui é pesadelo: os diálogos, o vento, as sombras, as árvores, a mesa de jantar, TUDO! Bergman é famoso por abordar questões psicológicas do ser humano – “Persona” que o diga –, mas em “A Hora do Lobo” ele conseguiu mostrar como a nossa mente pode trabalhar em favor dos nossos medos, mesmo quando buscamos a paz. O diretor faz uma mistura de sonho com realidade, com diversos elementos intrusos que tem o objetivo de causar discórdia e inquietude na frágil relação do pintor com sua esposa – os personagens principais –, e esses elementos demoníacos ditam às regras e vão oprimindo o casal cada vez mais. Deixo aqui uma das falas mais medonhas já ditas em filmes:
“Houve um tempo no qual as noites eram para dormir um sono profundo, sem sonhos. Eu não posso dormir. Eu acordo de medo e tenho feito vigília às noites até o amanhecer. Mas esta é a pior hora. Sabe como ela se chama? Os mais velhos costumavam chamá-la de ‘a hora do lobo’. É a hora em que a maioria das pessoas morre e a maioria das crianças nasce. É agora que os pesadelos vêm até nós”.

Sinopse: Um pintor (Max von Sydon) e sua esposa (Liv Ullmann) vão morar em uma ilha bastante afastada da sociedade. Lá, em meio a intensos conflitos psicológicos, o casal conhece um misterioso grupo de pessoas que passa a trazer angústias ainda maiores às suas vidas, levando-os a relembrar fatos passados e questionar a própria lucidez.

O Lamento (Diretor: Hong-jin Na, 2016)

Eu já tinha indicado esse filme em uma lista de filmes coreanos, mas não poderia deixar de indica-lo novamente. Um dos melhores do gênero, “O Lamento” utiliza em sua narrativa a complexidade de uma família para abordar medos que nos assombram, de forma bem profunda, resgatando certos temores da natureza humana que são mais frequentes durante a infância, principalmente de nossos pesadelos, em uma ambientação demoníaca da mais pura agonia e terror. Volto a falar: esse filme é OBRIGATÓRIO para quem é fã do terror e suspense psicológico.

Sinopse: A chegada de um misterioso estranho (Jun Kunimura) em uma aldeia tranquila coincide com uma onda de assassinatos cruéis, causando pânico e desconfiança entre os moradores. Quando a filha do oficial de investigação Jong-Goo (Kwak Do-won) cai sob a mesma magia selvagem, ele chama um xamã (Hwang Jung-min) para ajudar a encontrar o culpado.

Ilha do Medo (Diretor: Martin Scorsese, 2010)

“Ilha do Medo” é um excelente thriller de suspense psicológico em que mais uma vez vemos a parceria entre Scorsese e Leonardo DiCaprio. O filme possui uma direção bastante competente do Scorsese – pam! –, que nos conduz por uma ilha que respira mistérios. Quando o agente federal Teddy – interpretado pelo Leozinho, que mais não decepciona – chega à ilha para investigar o desaparecimento de uma misteriosa mulher, aos poucos ele mergulha em uma trama macabra, que o faz duvidar de sua própria sanidade e traz à tona alguns segredos ocultos.

Sinopse: Em 1954, uma dupla de agentes federais investiga o desaparecimento de uma assassina que estava hospitalizada. Ao viajarem para Shutter Island – ilha localizada em Massachusetts– para cuidar do caso, eles enfrentam desde uma rebelião de presos a um furacão, ficando presos no local e emaranhados numa rede de intrigas.

O Babadook (Diretora: Jennifer Kent, 2014)

Normalmente um bom filme de terror psicológico vem acompanhado de uma excelente atuação, porque aqui a atuação é fundamental para aumentar o clima de tensão. Pois meus amigos, a Essie Davis nos presenteou com uma atuação soberba nesse que foi um dos filmes mais elogiados de 2014, e pra mim um dos melhores filmes de terror já feito. A trama não é simples, sendo importante prestar atenção nos mínimos detalhes para se deliciar com o final do filme e entender os limites da racionalidade da relação entre Amelia e Samuel – protagonistas principais. “O Babadook” entrou fácil em minha lista de favoritos, e o fato de nada nele ser clichê – isso em pleno 2014 – o fez um filme de terror único. Ah, e a que edição, minha gente, que hino de edição!!!

Sinopse: Uma mãe solteira, atormentada pela morte violenta do marido, batalha com o medo de seu filho de um monstro estar se espreitando pela casa, mas logo descobre a presença sinistra ao seu redor.

Os Outros (Diretor: Alejandro Amenábar, 2001)

Como eu disse antes, bons filmes de terror vêm acompanhados de boas atuações, e falando de Nicole Kidman isso se eleva a outro nível. Kidman interpreta Grace, uma mãe superprotetora devido a uma doença que aflige seus filhos. A partir dessa premissa, o suspense do filme é sustentado pelo frágil equilíbrio da rotina dos personagens, que nos deixa angustiados durante todo o filme. Essa foi escolha do diretor Amennábar para nos presentear com essa obra sufocante, que brinca com nossa percepção em vários momentos.

Sinopse: Durante a 2ª Guerra Mundial, Grace (Nicole Kidman) decide por se mudar, juntamente com seus dois filhos, para uma mansão isolada na ilha de Jersey, a fim de esperar que seu marido retorne da guerra. Como seus filhos possuem uma estranha doença que os impedem de receber diretamente a luz do sol, a casa onde vivem está sempre em total escuridão. Eles vivem sozinhos seguindo religiosamente certas regras, como nunca abrir uma porta sem fechar a anterior, mas quando eles contratam empregados para a casa eles terminam quebrando estas regras, fazendo com que imprevisíveis consequências ocorram.

Coração Satânico (Diretor: Alan Parker, 1987)

Mais um ótimo filme do diretor Alan Parker, trata-se de um thriller de terror psicológico com uma ambientação que lembra os filmes noirs da década de 40. Contando com as ótimas atuações de Mickey Rourke e Robert De Niro – gente, o De Niro tá medonho demais nesse filme, deus me defenda! – a história nos conduz por lugares obscuros, becos sujos, sons diabólicos, nos mostra pessoas estranhas… enfim, tudo de bom que deve ter em um filme. O filme ainda possui uma sutil crítica social e religiosa para os olhos mais atentos, e explora bem a visão folclórica que muitos possuem em relação ao diabo – vulgo capiroto.

Sinopse: Nova York, 1955. Harry Angel (Mickey Rourke), um detetive particular, é contratado por Louis Cyphre (Robert De Niro), um misterioso cliente, para encontrar um cantor. Entretanto, quanto mais ele se aprofunda na investigação, mais distante fica da verdade. Envolve-se com figuras estranhas, que morrem violentamente e penetra em um mundo místico, que não entende.

Menção mais que honrosa – O Iluminado (Diretor: Stanley Kubrick, 1980)

Não coloquei “O Iluminado” logo na lista por se tratar de um filme que costuma decepcionar muita gente. Por ser muito conhecido e comentado, sem falar de ter sido dirigido por Kubrick, gera muitas expectativas. Eu garanto que se trata de um excelente filme, mas desenham ele como se fosse de puro terror, e isso está longe do objetivo do filme – o importante é vê-lo com a mente porosa. Só a atuação do Jack Nicholson já pagaria o ingresso. A história se passa em um hotel isolado, palco de um terrível assassinato. O filme trabalha muito bem a paranoia progressiva do personagem Jack Torrence, que aceita trabalhar nesse hotel mesmo sabendo da tragédia. Tudo caminha bastante tranquilo no hotel, mas quando nos damos conta à loucura e o medo já tomou conta de todos os corredores, e os personagens se veem mergulhados em uma trama familiar maligna.

Sinopse: Durante o inverno, um homem, é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado, e vai para lá com a mulher e seu filho. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo em que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

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Joelson é Biólogo, mestrando em Etnobiologia. Escreve sobre cinema. É apaixonado por uma cerveja trincando. Publica mensalmente dia 15, save the date | Para segui-lo no Instagram: @joelsonbrito

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