CONSCIÊNCIA COLETIVA

Cineasta Roman Polonski é acusado pela terceira vez de estupro

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A indústria cinematográfica tem sua história marcada pela violência contra as mulheres. A clássica e violenta cena do O último tango em Paris, que, só anos depois, foi identificada como um estupro real, é, infelizmente, apenas um exemplo de uma série de violências tanto física quanto psicológicas que as mulheres sofreram no decorrer dos anos por trabalharem nesse setor.

Muito dessa violência se oculta pois os grandes nomes da sétima arte parecem intocáveis, principalmente quando o assunto é violência contra mulher. Wodden Allen é, talvez, um dos expoentes máximos dessa situação: acusado de estupro por sua filha adotiva, mas ainda endeusado por suas produções.

É nessa macabra maré de violência que uma terceira mulher resolveu quebrar o silêncio de décadas e acusar o cineasta Roman Polanski de tê-la estuprado quando ela ainda tinha 16 anos. O caso teria ocorrido em 1973, cinco anos antes do diretor fugir dos Estados Unidos após ser condenado pelo estupro de outra menina de apenas 13 anos, em 1978.

A vítima, identificada como Robin, afirmou que “Um dia depois do que aconteceu, disse a um amigo o que o senhor Polanski tinha feito comigo” e que “a razão, excetuando-se isso, de eu não ter contado a ninguém é porque não queria que meu pai fizesse algo que pudesse levá-lo à prisão pelo resto de sua vida”.

A declaração veio poucos meses depois de Samanta Geimer, vítima que levou a condenação de Roman Polanski – que se mantém fora dos Estados Unidos para evitar ser preso –, pedir que o caso fosse arquivado por não aguentar mais as investidas da mídia sobre sua vida. Prova que, enquanto o senhor Polanski segue dando entrevistas em Cannes, a vítima segue atormentada pelas consequências da violência sofrida e por quebrar o silêncio.

A declaração de Robin vêm para, mais uma vez, nos fazer questionar: a arte está acima de tudo? Devemos endeusar seres capazes de monstruosidades contra uma garota de apenas 13 anos? Sua capacidade criadora permite que esses atos criminosos sejam feitos sem que isso abale sua vida profissional? Devemos ignorar a capacidade violenta e suas consequências nas vítimas em nome da arte? Não seria o caso de separar a produção artística, valorá-la ao seu merecimento, mas sem ovacionar o ser por trás da produção? Observem que, mesmo cerca de 40 anos após ser condenado por uma das três acusações de estrupo, ele não foi preso ainda. Ficam aqui os questionamentos.

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Dany é formada em Letras. Escreve principalmente sobre séries. É apaixonada por literatura e boa comida. Publica mensalmente dia 13, save the date | Para segui-la no twitter ou no Instagram: @teofaga

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