CONSCIÊNCIA COLETIVA

Os Melhores Singles Femininos dos Últimos 10 anos

em Música/Nossa Avaliação por

Criar listas é sempre um desafio e quando o tema é música tudo fica muito pior. Foram semanas mudando algumas músicas de posição, revendo os critérios, mas finalmente consegui fechar essa lista repleta de canções excelentes cantadas por mulheres.

Para selecionar as músicas e decidir em qual posição cada uma delas ficaria pensei em alguns critérios:

1) Não iria contemplar bandas, mesmo que a vocalista fosse feminina.

2) Ter sido lançada entre 2007 e 2017 (julho).

3) Não levei em consideração questões de vendas, charts e impacto nas paradas de sucesso.

4) Tentei flertar com vários estilos,  optei pela diversidade de gêneros na tentativa de não soar muito fechado.

Como esse processo é sempre meio subjetivo e pessoal, prefiro que a própria lista revele sua identidade.

Posição 30

2 Hearts – Kylie Minogue


Apesar de ter dividido a crítica quando lançada, em 2007, 2 Hearts é uma canção que foi crescendo com o tempo. Foi Escrita e gravada originalmente pelo grupo Kish Mauve e oferecida a Kylie como um presente assim que ela se livrou do câncer de mama. Com elementos do glam rock, misturando violões eletrônicos, bateria, teclado e riffs sensacionais de piano, Kylie canta sobre estar obsessivamente apaixonada e paralelamente esquecendo de si mesma. Direta, simples e ainda assim muito envolvente.

Posição 29

You and I – Lady Gaga


Eu poderia ter escolhido muitas músicas de Lady Gaga, mas fui na segunda melhor balada que ela já lançou (a primeira na minha opinião é Brown Eyes). Apesar do preconceito que a artista enfrenta e dos seus recentes equívocos musicais e estéticos, ninguém pode negar que ela é competente e soube elevar o nível muitas e muitas vezes. Com sample do Queen, um vocal extraordinário e contando com a produção de Robert John “Mutt” Lange, o ex de Shania Twain que também produziu o (acredito eu) disco feminino mais vendido da história, Come on Over, Gaga monstra que nasceu para ser uma grande vocalista.

Posição 28

 Rolling in the Deep – Adele


Essa foi uma escolha difícil e polêmica. Não considero essa a melhor música de Adele, por sinal penso que muitos dos seus lançamentos de sucesso estão soando datados, no pior sentido. Isso pode ser um reflexo das reproduções excessivas que ela costuma conquistar. Apesar disso, esse é o single simboliza a força e o o espaço gigantesco que ela alcançaria. Rolling in the Deep ganhou versões de artistas como Linkin Park, OneRepublic, Vázquez Sounds,  Panic! At the Disco,  Aretha Franklin, John Legend e Mike Posner.

Posição 27

 Umbrella – Rihanna


Mesmo tendo tocado incansavelmente pelo menos 8 vezes por hora durante todo 2007/2008, acho difícil tirar Umbrella de uma lista como essa, principalmente porque ela de alguma forma simboliza uma época áurea da música pop. Quando lançada, essa música foi considerada um evento pop e até hoje toca nas baladas e festinhas pelo mundo. Quem imaginaria que uma letra relativamente simples iria conquistar os nossos ouvidos? Acredito muito que o sucesso dessa música é um reflexo da identidade que a própria Rihanna conseguiu imprimir na produção. Hitaço.

Lembrando que Umbrella foi originalmente oferecida a Britney Spears, que recusou a canção.

Posição 26

 Bulletproof – La Roux


Lançada em 2009, Bulletproof  logo se tornou um hit nas paradas e um sucesso de crítica. Escrita e produzida pela própria Elly Jackson, essa é daquelas raras batidas que não envelhecem. Refrão pegajoso, uma letra sobre emancipação e uma atmosfera que parece ter sido criada em um jogo do Atari, uma das minhas preferidas até hoje.

Posição 25

 Tightrope – Janelle Monáe


A própria artista diz que essa é uma música sobre manter o equilíbrio e não se deixar levar pelo sentimento de fracasso. Apesar de preferir Cold War, lançada no mesmo ano, escolhi Tightrope porque essa é uma música capaz de fazer qualquer pessoa mexer o corpo, não importa onde e quando.

Posição 24

 Back Togheter – Annie


Back Togheter é essencialmente uma produção que resgata com sutileza as batidas eletrônicas da década de 80. Com o vocal doce da norueguesa Annie, essa é uma música que faz você descobrir um elemento diferente a cada nova audição (percebam isso quando ela atinge 2m11s). Um dos melhores singles lançados em 2013.

Posição 23

You Know me Better – Roísin Murphy


Misturando elementos do groove com batidas eletrônicas e uma letra poderosa, a irlandesa Roísin foi um dos nomes mais fortes de 2007. Atacar de disco diva foi sem dúvida uma das melhores decisões que ela já tomou. You Know me Better podia ter sido escrita por Amy Winehouse e produzida por Donna Summer, uma combinação no mínimo genial.

Posição 22

Zaz – Je veux


Zaz ainda é apontada como a herdeira de Edith Piaf e em Je veux ela mistura elementos mais clássicos com a energia do gypsy jazz. Até hoje essa canção toca bastante nas rádios francesas. O diferencial dessa moça  é que ela não tem medo de provocar, suas músicas são sempre bem recebidas pela crítica e sua imagem boêmia e descompromissada acabou de tornando uma grande marca. Je veux  fala sobre não valorizar bens e conquistas materiais, em versos como “Não é o dinheiro que me trará felicidade/ Eu quero morrer com a mão no coração”. 

Posição 21

Acapella – Kelis


Ninguém imaginaria que misturar Kelis com David Guetta e Jean-Baptiste pudesse resultar em uma música tão poderosa. Uma homenagem ao seu filho que acabara de nascer, Acapella tem uma das melhores batidas eletrônicas dos últimos anos. Chamada de majestosa pela crítica, muitos compararam o vocal da cantora com o de Donna Summer, reforçando que flertar com a dance music, depois de ter consolidado o seu nome como uma artista de hip hop/R&B, foi uma excelente decisão.

Posição 20

Oblivion – Grimes


Escrita e produzida pela própria Grimes, sem nenhum outro produtor envolvido, Oblivion foi considerada a melhor música de 2012 pela crítica e até hoje figura entre as melhores canções da década. Transitando entre o pop futurista e o Dream pop (com uma pegada mais psicodélica), essa é sem dúvida um grande marco para a música alternativa.

Posição 19

Smile – Lily Allen


Lily Allen conseguiu realizar um casamento muito bem sucedido entre a música pop e o ska, um gênero de origem jamaicana que combina elementos caribenhos (mento e o calipso) com o jazz e o blues. Smile é uma música divertida , cheia de personalidade e que deixa qualquer pessoa ironicamente feliz.

Posição 18

Young and Beautiful – Lana Del Rey


Lançada originalmente para The Great Gatsby, quinta adaptação cinematográfica do romance homônimo de 1925 lançado pelo americano F. Scott Fitzgerald, Young and Beautiful foi escrita pela própria Lana em parceria com Baz Luhrmann, produtor do filme, e Rick Nowels. Acredito que até hoje essa seja a melhor composição da Lana, uma música que fala sobre o tempo, contagiando os fones de ouvido e criando uma atmosfera devastadora. Essa deveria ter sido a música vencedora do Oscar em 2014, mas como vocês podem conferir no relato abaixo, ela foi descaradamente boicotada.

Um membro da academia supostamente recebeu um envelope anônimo com a cópia de um arquivo da Variety Magazine no qual dizia que a canção não poderia competir ao Oscar por não ter sido lançada no tempo determinado pelo comitê. Logo depois, todos ficaram sabendo que esse envelope anônimo era falso e que a revista não tinha publicado nenhum artigo relacionado com o assunto. Mais tarde, outra coisa estranha veio a acontecer na premiação, e novamente, fazendo com que “Young and Beautiful” ficasse fora dentre as cinco músicas mais votadas pelos membros da academia do Oscar. A canção que supostamente ocupou o lugar da música de Lana Del Rey foi “Alone Yet Not Alone” que foi escrita por Bruce Broughton, que é membro da academia e que foi acusado de chamar atenção dos outros membros para sua canção e filme de mesmo nome. Após toda a polêmica rodeada sobre o caso, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas resolveu desclassificar a faixa e não reivindicar nenhuma outra canção, fazendo com que apenas quatro canções concorressem nesse ano.

Fonte: Wikipédia

Posição 17

The Words That Maketh Murder – PJ Harvey


Foi PJ que colocou o folk de volta na rota e o tema não poderia ser outro: o poder das palavras. Apesar do fracasso de vendas, fator que aqui ignoramos, a música foi um sucesso de crítica e marcou o retorno da cantora ao mundo da música logo após um hiato que durou 3 anos. Sou um fã do vocal da PJ e acho realmente impossível não concordar com o fato de que sim, palavras são capazes de matar.

Posição 16

Single Ladies – Beyoncé


Essa não precisa de apresentação. Encabeçando as listas com as melhores canções de 2008, sucesso de vendas e crítica, Single Ladies é sem dúvida um dos maiores eventos da música pop. Misturando dance-pop, R&B, dancehall e disco, Beyoncé mais uma vez dominava o mundo e lançava um dos maiores virais que a música já viu.

Posição 15

Royals – Lorde


Composta pela cantora em parceria com Joel Little, que também assina as batidas minimalistas da canção, Royals foi um estrondo. Com uma letra irônica, criticando o comportamento da sociedade, Lorde chegou ao mercado com uma roupagem diferente dos esteriótipos que ainda cercam as cantoras pops amercianas. Ela afirma que estava ouvindo bastante Lana Del Rey na época da composição de Royals e que levou apenas 30 minutos para escrever a letra.

Posição 14

Heaven Can Wait – Charlotte Gainsbourg


Escrita  e produzida por Beck, essa música foi lançada por Charlotte em 2010, obtendo avaliações muito positivas. Queridinha do polêmico Lars von Trier e com uma timbre bem particular, Heaven Can Wait fala poeticamente sobre sentimento de urgência e a falta de paciência.

Posição 13

212 – Azealia Banks


Com 212 Azealia já mostrava que tinha talento suficiente para segurar uma longa carreira. Apesar dos deslizes e da sua postura polêmica nas redes sociais , ela continua sendo pra mim a melhor compositora de rap da atualidade. 212 faz referência ao código  a área de Harlem, Nova York, onde Banks cresceu e mistura sintetizadores poderosos com o vocal sensacional da cantora.

A música acaba de entrar para o livro as ‘1001 Músicas Que Você Precisa Ouvir Antes De Morrer’.

Posição 12

The Girl You Lost To Cocaine – Sia


Continuo firme na ideia que a Sia antes dos hits é aquela que mais gosto. Incrível a capacidade que ela tem de transformar letras tão tristes e melancólicas em algo leve, divertido, um tipo de quebra de expectativa bem rara. The Girl You Lost To Cocaine é maravilhosa em muitos sentidos, da letra suscetível a múltiplas interpretações até o vocal único da artista.

Posição 11

Ta Douleur – Camille


Mais uma francesa entra para a lista e dessa vez é a super talentosa Camille. Com uma produção arrojada, que inclui sons que ela mesmo produz com a boca, Ta Douleur brinca, criando um jogo de palavras que casa perfeitamente com o ritmo. Maravilhosa.

TOP 10

Soldier of Love – Sade

Apesar de ser categorizada como uma banda, Sade, cuja vocalista se chama Sade Adu, é pouco conhecida dessa forma, por isso mantive sua posição na lista. Sou um grande fã do timbre da artista e penso que ela é uma das poucas que consegue casar bem o R&B com uma batida mais dance. Esse single é fantástico, uma homenagem ao poder do amor que poderia soar clichê, mas não chega perto disso. Com elementos que remetem ao seu passado e ainda procurando se manter ainda atual, Sade abre esse top 10 com muita competência.


Dancing Own My On – Robyn

Talvez a melhor música feita para as pistas de dança entre as escolhidas. As suecas são ótimas na produção e sempre lançam trabalhos que elevam o nível da música pop, Robyn não é diferente. Dancing Own My On  é quase uma viagem espacial sobre, como diz a própria artista, a melancolia que pode encontrar morada nas pistas de dança. Atual, poderosa e eficiente em nos fazer dançar enquanto as lágrimas ainda estão caindo.


4 Degrees – ANOHNI

ANOHNI consegue falar sobre os seus sentimentos de uma forma muito honesta e isso contagia qualquer bom ouvinte. Sua luta pelos direitos das mulheres trans é construída através da poesia e do seu talento vocal. Em 4 Degrees ela fala sobre seus desejos em tom de libertação. Produção de primeira, aclamada pela crítica e extramente essencial. Vale cada segundo.


1234 – Feist

Escolhendo a simplicidade, sempre sem muitas estrepolias, Feist recebeu esse presentão do New Buffalo, cantor/compositor de Melbourne que passou muito tempo pensando se apresentaria essa canção a artista. Assim que ouviu, Feist adorou e passou a cantar uma versão simples nos seus shows, gravando oficialmente algum tempo depois. Hit instantâneo, 1234 é uma canção sobre o amor e principalmente sobre ter novamente aquilo que você perdeu.


Dance, Dance, Dance – Lykke Li

Misturando batidas folclóricas e minimalistas com um refrão pop, Lykke Li nos deu de presente essa música que fala de forma bastante simples/bonita sobre a dança, vista aqui enquanto caminho e escape. Com seu timbre marcante, a faixa foi remixada por Buraka Som Sistema e Dada life e é uma pedida essencial para qualquer festinha entre amigos.


Clandestin – Fatoumata

Fatou é uma das minhas cantoras preferidas, penso que ela é um dos grandes expoentes da música africana atual. Atriz e cantora, ela saiu da costa do Marfim e vive atualmente na França, porém está sempre conectada com a vida e com a luta do seu povo. Em Clandestin ela canta sobre clandestinidade geográfica e condicionamento social, em tom humano e melancólico. Triste, mas ainda cheia de esperança. Uma das melhores da década.


Two Weeks – FKA

Ninguém pode negar que FKA é uma das artistas femininas mais talentosas da atualidade. Com esse single ela rompe barreiras do R&B e fala livremente sobre os sentimentos contraditórios que costumam acompanhar as relações conturbadas e intensas. Uma das melhores produções dos últimos anos. Repleta de camadas e de flutuações sonoras, Two Weeks é o pop na sua melhor forma.


Window Seat – Erykah Badu

Apesar do tom “preciso muito de você para viver”, eu curto bastante o tom autoral das letras da Erykah e a sua voz sempre foi uma das melhores do R&B/Hip-Hop. Com a ajuda do produtor James Poyser ela canta sobre esse desejo obsessivo e sobre a necessidade de seguir em frente; sempre maravilhosa, sempre necessária e cheia de atitude.


Losing You – Solange

Outra grande artista, outra grande presença de palco. Escrita pela própria Solange, contando com a ajuda do Blood Orange, essa é uma música extremamente contagiante. Juntando elementos da pop music, com R&B e indie pop, Solange criou um groove cheio de identidade, que fala sobre não saber se a pessoa que você gosta está te deixando, uma música capaz de levantar qualquer pessoa da cadeira. Excelente.


Paper Planes – M.I.A

Existem muitas formas de se mostrar antenada e politizar a sua arte, M.I.A sempre escolhe o caminho mais direto, indo sempre nas piores das feridas sociais. Com Paper Planes ela não só agrupou o melhor do rap, com downtempo e alguns elementos de folk para falar sobre globalização e exclusão, como também ajudou a promover e ampliar o debate em torno do sofrimento vivido pelos meninos de rua. Essa é sem dúvida a melhor produção do Major Lazer e uma das músicas mais importantes dos últimos anos. Atuando como uma porta-voz dos problemas do terceiro mundo, com destaque para a questão da imigração, M.I.A é uma das artistas mais críticas e francas da música atual. Paper Planes foi trilha de dois filmes, ganhou versão cantada por Rihanna e até hoje é ovacionada nos (poucos) shows realizados pela cantora.  A música utiliza base de “Straight to Hell” (1982), da banda The Clash e foi premiada em algumas premiações importantes, sendo considerada a melhor música de 2008 por vários veículos especializados. Importante, atual e politicamente necessária.


Segue a playlist que criamos no spotify com todas as músicas.

Até a próxima lista.

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Raphael é professor, formado em Ciências Econômicas, Letras e atualmente se dedica ao mestrado em Educação. Escreve sobre música, comportamento e cinema. É apaixonado por Twin Peaks, playlists e quase sempre pelos amigos. Publica mensalmente dia 9, save the date | Para segui-lo no Twitter: @RaphaelAlves

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