CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: O estranho que nós amamos

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Bruno
8/10
Média
8.0/10

Tendo como pano de fundo a Guerra Civil norte-americana “O estranho que nós amamos” traz a história de sete mulheres isoladas num internato ao sul dos Estados Unidos que se deparam com um estranho, um soldado inimigo ferido.

O filme se desenvolve em torno da relação desse homem com essas mulheres abordando, principalmente, o apaixonamento delas por ele. Observa-se nitidamente como a roteirista e diretora, Sofia Copolla (premiada como melhor diretora em Cannes por este filme), deseja nos mostrar como um homem e os ideais por trás dele (patriarcado e machismo) pode ser nocivo a relação entre mulheres.

Nicole como Sra. Martha

Até a chegada do Cabo John McBurney (Colin Farrell) o internato para moças comandado pela Sra. Martha Farnsworth (Nicole Kidman) resistia bem a guerra, sendo um lar possível para moças que não podiam sair dali. Com a chegada do estranho instala-se, inicialmente, o medo seguido pela curiosidade. O Cabo não se furta a cortejar todas as mulheres da casa, desde as mais novas até as mais velhas, sempre usando seus afetos para acessá-las e para coloca-las uma contra as outras. O homem surge para avariar o vínculo feminino e lucrar com isso, acredito que essa mensagem da diretora é bem atual e já faz o filme valer a pena.

Apesar de lidar com certos estereótipos femininos, cada mulher acaba por ter uma característica exacerbada, como a romântica, a forte, a ingênua… Contudo, uma vez percebido o jogo que o Cabo está realizando e os efeitos que ele sofre na própria pele, o filme caminha pela tensão sexual, pela violência e pelo suspense. Infelizmente, isso dura muito pouco em tela, no máximo os últimos 25 minutos.

Há certa lentidão, ouvi alguns bocejos durante a sessão, mas a beleza do filme e a intensidade da atuação de Nicole Kidman e Kirsten Dunst me manteve atento ao filme. Elle Fanning também desempenha bem seu papel, assim como todo o elenco feminino. Collin Farrell como galanteador não é dos melhores, mas não chega a estragar o filme. Todo o elenco mostra-se competente e como foi bem dirigido, os créditos a Sofia Copolla são merecidos.

Uma sugestão importante é não ver o trailer, embora grande parte do público só saiba do filme por causa do trailer que foi lançado meses atrás. Muito do que é importante para o filme encontra-se no trailer exatamente como ocorre no filme. As produtoras precisam melhorar seus meios de vender o filme sem dá-lo totalmente ao público.

Bruno é psicólogo e pesquisador sobre gênero e sexualidade. Escreve sobre cinema e séries, é apaixonado por Nicole Kidman e Lady Gaga. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Instagram: @BruRobson.

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