CONSCIÊNCIA COLETIVA

à la carte digital 1 : dicas para atravessar agosto

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Aqui está a nossa lista com dicas cobre cinema, música, HQ, viagens e muito mais. O à la carte digital sairá sempre na primeira semana de cada mês e em breve teremos também uma pequena versão impressa, que será distribuída em pontos específicos da cidade do Recife.

Segue a nossa turnê :

Nos quadrinhos, por Cezar Vasconcelos 


  • Dora – Bianca Pinheiro

Uma obra surpreendente que eu li há pouco tempo, Dora, da quadrinista Bianca Pinheiro, que narra a estranha, porém intensa relação entre mãe e filha, num thriller de suspense que desbanca muitos filmes que estão bombando nas telonas. A Sinopse é a seguinte: Dora é diferente de todas as crianças. Ela não chora, não fala e só é compreendida pela sua mãe, que consegue perceber claramente todas as suas necessidades. Desde o seu nascimento pequenas tragédias acontecem ao seu redor, e tudo piora na medida em que ela vai ficando mais velha. São quase quinze pessoas mortas, sempre com uma forte suspeita rondando a menina. Com uma narrativa muito dinâmica e desenhos bastante intimistas, reforçados pelo ótimo trabalho de atmosfera em preto e branco criado pela autora, a obra prende sua atenção por todo o desenrolar e ainda possui um final surpreendente. Muito tocante. Recomendo fortemente!

Média de preço : 30 reais

Livros, por Igor Icael


  • Rita Lee – Uma Autobiografia

Embora a grande diva do Rock tenha encerrado sua carreira nos palcos e tenha vivido a maior parte do tempo dedicando-se a cuidar de sua casa e de seus animais, ela nos apresenta uma de suas melhores produções, dessa vez no campo da Literatura. Narrando sua própria vida, conhecemos de perto a Rita humana, bem distante da musa da música brasileira que conhecemos. As histórias de sua vida são contadas de forma objetiva e bastante bem humorada,  com uma sutil temporalidade entre as mesmas. É impossível segurar as risadas em muitas passagens do livro e também não desenvolver uma admiração ainda maior por essa figura icônica. A obra é um primor, e foge dos clichês das autobiografias, que acabam por endeusar ou romantizar a própria história. Rita não soa piegas e muito menos arrependida de alguma coisa; ela conta a sua vida como uma velha amiga narra suas antigas histórias.

Média de preço: 45 reais

Filmes


  • Uma História Real (Diretor: David Lynch, 1999), por Joelson Brito

David Lynch é um diretor bastante conhecido, principalmente entre os amantes dos filmes surrealistas. Com um estilo bastante particular, que alguns chamam de “Lynchiano”, seus filmes marcam devido as suas cenas oníricas e violentas. Mas no caso de “Uma História Real” vemos um Lynch bastante diferente. Dócil e sensível, ele nos presenteia com uma estonteante odisseia de amor e perseverança, fazendo com que nos perguntemos durante todo o filme: “foi o Lynch quem fez isso mesmo, e em parceria com a Disney?”. Pois é, meus amigos, às vezes o inesperado nos surpreende da melhor forma possível, e posso dizer que “Uma História Real” é um dos filmes mais belos e sensíveis já feitos. Vale ressaltar a estupenda atuação de Richard Farnsworth, que não arrastou o óscar sabe-se lá o porquê. Corram e assistam essa maravilha, mas com um lencinho do lado.

Sinopse: Baseado em fatos reais, filme conta a história de Alvin Straight, homem de 73 anos que efetua uma jornada de centenas de quilômetros usando um trator cortador de grama como transporte. O motivo da viagem? Fazer as pazes com o irmão que está gravemente doente.

Trailer


  • Experimenter (Diretor: Michael Almereyda , 2015), por Diogo Stanley

A produção é dirigida por Michael Almereyda e apresenta os detalhes do experimento do psicólogo social Stanley Milgram. Inspirado no Holocausto, ele desenvolveu uma pesquisa que consiste em colocar pessoas comuns para responder ordens de um instrutor. O detalhe é que essas ordens podem divergir da consciência e valores dos/as voluntários/as que, em sua maioria, tendem a executar o que é pedido. O estudo é um aprofundamento às declarações nazistas do coronel Adolf Eichmann que dizia apenas “seguir ordens” e é também uma forma de pensar como as pessoas intituladas “monstros” podem ser bem mais reais e próximas a nós do que imaginamos. Além disso, o filme tem Winona Ryder no elenco e está disponível na Netflix.

Na Tv 


The Americans é um seriado que se passa no período da Guerra Fria. A trama é composta principalmente por um casal de oficiais soviéticos da KGB, Elizabeth ( Keri Russell ) e Philip Jennings (Matthew Rhys ), que possuem 2 filhos, além do vizinho da família, Stan Beeman (Noah Emmerich), agente do FBI. A necessidade do casal de manter seus disfarces perante tudo o que os rodeia, inclusive os próprios filhos, além de suas tarefas como oficiais da KGB, são os pontos fortes da série. Sem falar que o criador da trama, Joe Weisberg, é um ex agente da CIA, fato que dá uma certa veracidade ao que a série trás. The Americans desenrola uma cadeia de acontecimentos e abordagens, que, de fato, prendem o telespectador. O fim da série já foi anunciado e ocorrera na sua 6ª temporada, que será exibida em 2018.

Dear White People conseguiu traduzir uma estética de narrativa capaz de agregar jovens para refletir sobre o racismo, tema tão importante e caro para as novas gerações.  Nós já falamos dela aqui algumas vezes, mas é sempre bom reforçar que em tempos de crescimento da intolerância, do xenofobismo, antissemitismo e do desmonte de direitos trabalhistas e das garantias sociais que afetam diretamente a população negra, essa série acaba traduzindo de forma bem criativa e moderna os vários recortes interseccionais das manifestações do racismo e outras opressões correlatas.

Vale a pena conferir. Os episódios costumam não durar mais que meia hora, contudo correspondem aos anseios de uma geração que, apesar dos avanços conservadores, costumam problematizar preconceitos e discriminações de ordens diversas.

É uma série pro nosso tempo com uma temática secular e estrutural que ainda causa tanta dor. Toda forma de ativismo pró-igualdade étnico/racial é válida.

Fotografia, por Danielly Vieira


  • Magdalena Wosinska

Magdalena Wosinska é uma fotógrafa polonesa que registra, nas palavras da mesma, autorretratos atemporais – sendo esse o motivo do uso frequente da nudez (o que dá um toque de beleza inexplicável às fotos) – em lugares maravilhosos que visita. Podemos apreciar esse projeto na sua página de instagram: @themagdalenaexperience

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Lugares e Viagens, por Alexandre Alves 


  • Chapada Diamantina (BA)

A quem gosta de viagens, apreciar espaços naturais e curtir uma boa trilha, não tem melhor lugar do que os trechos localizados Chapada Diamantina, lugar esse que amo e que adoro indicar a qualquer pessoa. Situada no centro do Estado da Bahia, o parque natural é uma região de serras composta por maravilhosos lugares situados próximos a pequenos municípios e povoados, os quais destaco Andaraí, Palmeiras (Capão), Lençóis, Mucugê, entre outros. É possível durante as trilhas realizadas contemplar a fauna e a flora da região, rica em presença de mamíferos de pequeno e grande porte e as orquídeas embelezam o trajeto para lugares como a Cachoeira da Fumaça, localizada entre os municípios de Palmeias e Lençóis, e o Vale do Pati. Destaco, ainda, o Poço Encantado, cuja beleza é ímpar e o pôr do sol visto no alto do Morro do Pai Inácio é de encher os olhos.

Vale aproveitar ainda para lembrar que o segundo semestre é marcado por uma série de festivais na região, a exemplo do Festival de Igatu, o qual ocorrerá entre os dias 24 e 26 de agosto deste ano e ano passado contamos com a presença de Zeca Baleiro, 14 Bis, Flávio Venturini… Ocorrerá também a Fligê (Feira Literária de Mucugê) nos dias 10 a 13 de agosto. Não custa destacar, ainda, o Festival de Jazz no Vale do Capão nos dias 22 e 23 de setembro e o Festival de Inverno em Lençóis, o qual ainda não possui data definida. Ou seja: escolhi falar sobre a Chapada Diamantina por ser um berço de cultura, natureza e de boas energias para quem deseja desbravar mata a dentro ou curtir um pouco de sossego nas vilas de gente humilde, acolhedora e cheia de história para contar.

Confira a programação do Festival de Igatu 2017. 

Música, por Raphael Alves


  • ABRONCA – Chegando de Assalto

Alguns dias atrás esbarrei sem querer com o clipe de Chegando de Assalto. Desse dia pra cá não parei de ouvir a música e sigo na torcida para que as meninas vindas do Vidigal, no Rio de Janeiro, consigam ganhar cada vez mais espaço no cenário. A mensagem de empoderamento, cantada em versos poderosos por Jay, Slick e May, nos mostra como falar sobre as questões de gênero ainda é importante. Com uma mistura pesada de funk e trap, elas afirmaram em entrevista que o movimento do rap feminino é uma forma de não só combater o machismo, mas também de permitir que as próprias mulheres guiem e tomem as decisões das suas carreiras. Recomendo em medo, apertem o play.

Até setembro, se agosto deixar!

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