CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: “O filme da minha vida”, de Selton Mello.

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Luíza Martins
10/10
Média
10.0/10

No próximo dia 3 de agosto estreia nos cinemas o terceiro filme da carreira de Selton Mello como diretor, o longa O Filme da Minha Vida. A narrativa apresenta a história de Tony Terranova (Jhonnny Massaro), rapaz que vive ao sul do país e tem na figura do pai seu maior modelo. O Filme da Minha Vida trata-se não só da história de crescimento de um personagem em trânsito, mas da importância e responsabilidade legada àqueles que temos como referenciais em nossas formações. É uma história sobre amor, família, cumplicidade e sonho.

O protagonista vive um momento de transição no que se refere ao seu crescimento pessoal. Ele vive no entremeio da saída da adolescência para a fase adulta na qual assume responsabilidades, dentre as quais o papel de professor de francês na escola da sua cidade. Sua fase de mudanças é catalisada por um episódio inesperado: seu pai, o francês Nicolas Terranova (Vicent Cassel), sem explicações claras, deixa a Remanso no mesmo dia em que Tony chega de volta à cidade após uma temporada de estudos na capital.

Diante deste episódio o rapaz se vê em uma situação de abandono que é agravada por  ter partido de alguém que ele tem como referencial maior, o pai. Entre frustrações, perdas, amores e desamores, Tony busca na profissão, no cinema e em novas relações ir adiante e se ajustar a sua nova realidade.

O drama é baseado na obra Um Pai de Cinema do escritor Antonio Skármeta. A adaptação feita pelo próprio diretor em parceria com Marcelo Vindicatto tem, tecnicamente, diversos aspectos contribuem para a criação de uma atmosfera onírica em tela. O elenco conta com figuras já conhecidas como Bruna Linzmeyer (Luna), Rolando Boldrin (Giuseppe, o maquinista) e o próprio Selton Mello, como Paco.

A direção de  fotografia conta com o trabalho belíssimo feito por Walter Carvalho, as imagens trazem tons em sépia e uma paleta de cores em tons terrosos que dialogam bem com a beleza natural das locações. É a sensação constante de estarmos dentro de um sonho, de estarmos suspensos flutuando com os personagens. A direção de arte é de Claudio Amaral Peixoto e o figurino de Kia Lopes, estes nos transportam para década de 60 despertando um sentimento de nostalgia até mesmo naqueles que não viveram aqueles anos. É, como diria o poeta, a saudade daquilo que eu não vivi.

O filme nos transporta para outro universo, um universo distante da nossa realidade atual mas que, ao mesmo tempo, nos faz pensar sobre os dias que vivemos. Sobre nossas relações. É um bonito exemplar do cada vez mais crescente cinema nacional.

Luíza é graduada em Letras pela UFPE, estudante de Direito na UNINASSAU. Escreve sobre a vida cotidiana e as relações interpessoais, e de vez em quando sobre cinema. É curiosa e adora observar as pessoas, seus discursos e suas práticas. Publica mensalmente no dia 12, save the date | Para segui-la no Instagram: @madluiza

  • Iago Matos

    Chorei em algumas cenas, não vou mentir.

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