CONSCIÊNCIA COLETIVA

As Comunidades mais legais e inesquecíveis do Orkut

em Comportamento/Opinião/Tecnologias por

O Orkut foi oficialmente encerrado em 2014, quando todos os nossos dados pessoais foram apagados. Até maio desse ano era possível passear por algumas comunidades famosas da rede. A ideia era manter uma espécie de museu virtual, porém apesar dos protestos, a plataforma foi efetivamente retirada do ar.  Até 2008 éramos mais de 40 milhões de pessoas cadastradas no serviço aqui no Brasil. Apesar das inúmeras atualizações e tentativas de reinvenção, esse número foi gradativamente caindo com a chegada do Facebook. 

Apesar dos recursos arrojados e da alta interatividade permitida pelo face e seus poucos grupos famosos, acredito que nenhuma das duas ainda hoje consiga reproduzir ou permitir uma experiência como a que vivíamos dentro das comunidades do orkut. Primeiro porque no orkut a ideia de território era melhor demarcada, as comunidades não eram páginas voltadas exclusivamente para divulgação de marcas e produtos, elas acabavam se tornando uma espécie de tribo, onde os traços identitários eram facilmente compartilhados e reconhecidos (casos raros ainda são encontrados no Facebook, como, por exemplo, o grupo Dias de Cinefilia). Segundo, porque a construção dessa identidade não dependia de um personagem ou de uma figura potencialmente famosa por trás, ela era parte de um processo mais coletivizado.

Essa foi uma época de ouro na internet. Os processos migratórios e as invasões dessas comunidades eram fenômenos constantes . Frequentei inúmeras e ficava estarrecido quando um grupo invadia uma comunidade rival para detonar as postagens ou para causar caos. Foi nessa época também que nasceu toda a rivalidade cibernética em torno das cantoras pops, dos charts e dos times de futebol. Os nomes das comunidades sozinhos já eram maravilhosos, talvez um dos poucos lapsos criativos que transformava os nossos comportamentos em unidades temáticas. Sem falar que elas estavam sempre visíveis, eram escolhidas a dedo e contribuíam para que a gente se moldasse dentro da rede, um patamar ainda não conquistado pelos grupos quase invisíveis no nosso perfil e também quase nunca acessados do Face.

Selecionei aqui algumas das minhas comunidades preferidas:

Cinema


Eu não sei resumir filme

Comportamento


Dando satisfação a estranhos

ORKUT 15

Um dilema ainda atual 


Me despedi e reencontrei

 

Feministas


Mulheres que não sabem provocar

Necessárias


Proselitismo sem causa

Necessárias 2x


beque to the future

Para as amigas acadêmicas, essas sim, migraram de montão para o Facebook. 


Utilizo Vocabulário Culto

 

Tímidas aqui


Sou tímido e faço catecismo

Investigativas 


Pirocóptero : O Vetor do Diabo

Provocativas 


Culpando a sociedade

O nascimento dos textões do facebook


A fabulosa arte da prolixidade

Músicas


Drogas Alternativas

Descontrole hiperativo


Hiperatividade no restaurante

Religiosas


Fica com Deus

 

Com esse apanhado acredito que está comprovada a tese: o Orkut foi a rede social mais terapêutica e divertida que já tivemos.

Termino com a comunidade da qual fiz parte e continuaria fazendo, amém.

Até a próxima.

Raphael é professor, formado em Ciências Econômicas, Letras e atualmente se dedica ao mestrado em Educação. Escreve sobre música, comportamento e cinema. É apaixonado por Twin Peaks, playlists e quase sempre pelos amigos | Para segui-lo no Twitter: @RaphaelAlves

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