CONSCIÊNCIA COLETIVA

Dez filmes brisados que vão bugar o seu cérebro

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Às vezes não queremos assistir filmes preguiçosos, lineares e com roteiros autoexplicativos. Tem dias que queremos desafiar a nossa mente e deixá-la fritar um pouco, de tal forma que quando o filme acaba vem aquele velho “what the fuck??!!”. Se é assim que você está se sentindo hoje, essa lista brisada é perfeita.

  • Waking Life (Diretor: Richard Linklater, 2001)

Um filme que se passa no mundo dos sonhos, Waking Life brinca com o espectador ao mesclar o onírico com o real, em que o protagonista adentra cada vez mais no mundo dos sonhos, sempre se questionando o que é ou não real. Esse filme também é interessante por se tratar de uma animação em rotoscópio, que é quando se ilustra por cima das cenas do filme com os atores reais, e isso aumenta ainda mais a brisa.

Sinopse: Após não conseguir acordar de um sonho, um jovem passa a encontrar pessoas da vida real em seu mundo imaginário, com quem têm longas conversas sobre os vários estados da consciência humana e discussões filosóficas e religiosas.

  • Cidade dos Sonhos (Diretor: David Lynch, 2001)

Eu não tenho muito o que falar desse filme porque ele é tão doido que cada pessoa que assisti-lo pode elaborar suas próprias interpretações. Estamos falando de um dos filmes mais doidos do Lynch e longe de ser autoexplicativo, e é bom ter isso em mente antes de assistir essa maravilha alucinada.

Sinopse: Após um acidente de carro que lhe causa amnésia, uma mulher, acompanhada de uma aspirante a atriz, procura por pistas e respostas na cidade de Los Angeles, em uma estranha aventura em que sonhos e realidade se misturam.

  • Tekkonkinkreet (Diretor: Michael Arias, 2006)

Tekkonkinkreet é uma singularidade do mundo da animação. Tudo nessa animação é perfeito, e se você escolher algum detalhe para analisar só encontrará perfeição. Vemos aqui a história de uma gangue formada por duas crianças órfãs – what??? – que tomam conta da Cidade do Tesouro, defendendo-a de tudo e todos, inclusive dos demônios que habitam em suas mentes. Assistir Tekkonkinkreet é uma experiência única, principalmente devido a sua metalinguagem e diálogos existencialistas.

Sinopse: Na cidade do Tesouro a vida pode ser doce ou brutal. Isto é a pura verdade para nossos heróis Black e White, dois meninos rebeldes de rua que tomam conta da cidade, lutando constantemente contra o vilão do velho mundo Yakuza e criaturas alienígenas assassinas que pretendem destruir a metrópole.

  • Coherence (Diretor: James Ward Byrkit, 2013)

Coherence é daqueles filmes de baixo orçamento, mas com um roteiro de altíssima qualidade que brinca com nossa percepção todo o tempo. O início é de certa forma lento, mas quando os absurdos começam a acontecer a nossa mente não consegue mais se estabilizar. Nada nos diálogos entre os oito personagens são por acaso, e atentar as referências de cada cena vai tornar o final do filme ainda mais intrigante.

Sinopse: Durante um jantar, oito amigos começam a falar sobre a proximidade de um cometa, e sobre os rumores de que a passagem deste corpo celeste é capaz de trazer mudanças graves no comportamento das pessoas. Logo após a discussão, a luz acaba, e estranhos fenômenos começam a acontecer com os convidados, questionando a noção de realidade.

  • Estrada Perdida (Diretor: Davis Lynch, 1997)

É de Lynch, logo, é surreal. Diferente de “Cidade dos Sonhos”, aqui Lynch nos dá uma colher de chá e deixa pistas para o entendimento de todo o mistério que circunda o personagem do Bill Pullman – não curto esse ator, mas aqui ele mandou bem. A estética alucinógena lynchiana funciona muito bem em “Estrada Perdida”, nos transportando de um início de filme linear para um mosaico de ilusões, luxúria e medo.

Sinopse: Fred Madison (Bill Pullman) é acusado, sob misteriosas circunstâncias, de matar sua esposa Renee (Patricia Arquette). Ele logo se vê transformado em um outro homem, Pete Dayton (Balthazar Getty), possuindo uma vida completamente diferente. Quando Pete é solto no seu corpo e na sua mente, as coisas ficam cada vez mais misteriosas e intrigantes.

  • Enter The Void (Diretor: Gaspar Noé, 2009)

A intenção de Gaspar Noé ao realizar “Enter The Void” era nos conduzir por uma intensa viagem psicodélica. Com seus ambientes undergrounds e luzes neon, o filme consegue esse feito com grande louvor, e sem dúvidas a parte técnica, que foi fortemente inspirada em “Blade Runner” e “2001: Uma Odisseia no Espaço” é o ponto forte do filme. A história também possui um clima místico, com o protagonista Oscar vagando astralmente pelas ruas de Tóquio, em uma experiência jamais vista antes no cinema.

Sinopse: Oscar e Linda vivem atualmente em Tóquio. Ele sobrevive através de pequenos negócios como traficante e ela como uma stripper em uma boate. Durante um ataque policial, Oscar é atingido por uma bala. Enquanto está morrendo, seu espírito, fiel à promessa que Oscar fez à irmã de nunca desistir, se recusa a deixar o mundo dos vivos. Sua mente, então, viaja pela cidade e suas visões começam a ficar cada vez mais caóticas e apavorantes. Passado, presente e futuro se misturam em um redemoinho alucinante.

  • O Homem Duplicado (Diretor: Denis Villeneuve, 2013)

Baseado no livro de José Saramago, “O Homem Duplicado” não é um filme fácil de entender e divide bastantes opiniões. Como de costume nos filmes de Villeneuve, a fotografia e a trilha sonora são excelentes e dão todo um charme a esse thriller urbano. Em uma cidade que parece morta, o filme mostra como o cotidiano e a vida simples faz com que nos dupliquemos e eliciemos desejos que a moral não permite que tenhamos, criando em nós uma identidade caótica. Talvez aqui caiba uma frase do Saramago: “o caos é uma ordem por decifrar”.

Sinopse: Adam é um professor de história que leva uma vida monótona, até que descobre a existência de Anthony, um ator de pouco destaque que é fisicamente idêntico a ele. A partir de então, Adam cria uma verdadeira obsessão pelo seu sósia, e passa a persegui-lo em busca de respostas.

  • Paprika (Diretor: Satoshi Kon, 2006)

Em Paprika, a psicodelia é gradual e contínua, girando em torno de psicoterapeutas que criaram uma droga que permite um melhor deslumbramento e controle dos sonhos. A animação é bastante rica em detalhes, o que torna a loucura mais palpável e a brisa mais deliciosa. Vale ressaltar que se você não conhece os trabalhos de Satoshi Kon, corra e explore suas obras, principalmente “Perfect Blue”, animação que inspirou o filme “Cisne Negro” – que eu considero bem mais sombria e detalhada que o filme do Aronofsky.

Sinopse: Num futuro próximo, o Dr. Tokita (Tôru Furuya) inventa um poderoso aparelho chamado DC-Mini, que torna possível o acesso aos sonhos das pessoas. Sua colega, a Dra. Atsuko Chiba (Megumi Hayashibara), psicoterapeuta e pesquisadora de ponta, desenvolve um tratamento psiquiátrico revolucionário a partir do aparelho. Mas, antes de seu uso ser sancionado pelo governo, o DC-Mini é roubado. Quando vários dos pesquisadores do laboratório começam a enlouquecer e a sonhar em estado de vigília, Atsuko assume seu alter-ego, Paprika, a bela “detetive de sonhos”, para mergulhar no mundo do inconsciente e descobrir quem está por trás da tragédia.

  • A Montanha Sagrada (Diretor: Alejandro Jodorowsky, 1973)

Meus amigos, a loucura aqui é exorbitante, sério, é doideira atrás de doideira, que causa inveja até ao David Lynch. Eu tenho certeza que o Jodorowsky estava em transe ao fazer essa obra prima da simbologia da loucura social. O filme utiliza símbolos místicos de forma única para fazer uma crítica social surreal. Jodorowsky é um artista bastante peculiar chegando a criar, inspirado nas ideias de Carl Jung, uma filosofia chamada “psicomagia” e a teoria da “psicogenealogia – vocês precisam ler sobre isso, sério. Se tiverem com paciência, deixo aqui um trecho da entrevista do Jodorowsky a Penthouse, em que ele justifica a simbologia utilizada no seu filme:

“(…) Símbolos podem ser muito perigosos. Quando utilizamos a linguagem normal, o espectador pode se defender, pois nossa sociedade é uma sociedade linguística, uma sociedade semântica. Mas quando você começa a falar, não com palavras, e sim apenas com imagens, as pessoas não podem se proteger. E é por isso que um filme como esse ou você ama, ou você odeia. Você não pode ficar indiferente.”

Sinopse: Jodorowsky interpreta o papel do “alquimista”, que reúne um grupo de pessoas que representam os planetas do Sistema Solar. Sua intenção é submeter o grupo a uma série de ritos de natureza mística para que se desprendam da bagagem “mundana”, antes de embarcar numa viagem em direção à misteriosa Ilha de Loto. Uma vez na ínsula, iniciam a ascensão à Montanha Sagrada, para substituir os Deuses imortais que em segredo dominam o mundo.

  • Videodrome – A Síndrome do Vídeo (Diretor: David Cronenberg, 1983)

Apesar de já se passarem 34 anos desde seu lançamento, a crítica aos programas televisivos de “Videodrome” continua bastante atual.  David Cronenberg – que é um diretor que vale muito a pena zerar a sua filmografia – criou uma metáfora atemporal sobre a capacidade da mídia de controlar nossas vidas – parece clichê, mas nesse filme não é. A ambientação faz do filme um pesadelo televisivo, sujo, violento e irreal, com cenas bizarras de nos fazer virar a cara. Vale ressaltar o capricho dos efeitos especiais dos filmes oitentistas, que aqui está ainda melhor e mais grotesco.

Sinopse: Max Renn (James Woods), o dono de uma pequena emissora de televisão a cabo, capta imagens de uma “snuff”, que seriam cenas de pessoas que eram realmente torturadas e mortas. Inicialmente os sinais pareciam vir da Malásia, mas depois descobre-se que eram gerados em Pittsburgh. Gradativamente Max fica sabendo que esta transmissão se chama Videodrome, que na verdade é muito mais que um mórbido show de televisão. Max começa a sofrer efeitos bizarros e alucinógenos destas transmissões, se vendo no meio das forças que criaram e querem controlar o Videodrome. Mas Max descobre que seu corpo pode ser a última arma que poderá usar contra seus inimigos.

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Joelson é Biólogo, mestrando em Etnobiologia. Escreve sobre cinema. É apaixonado por uma cerveja trincando. Publica mensalmente dia 15, save the date | Para segui-lo no Instagram: @joelsonbrito

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