CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos : Dunkirk, o novo épico do Nolan

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Cezar
10/10
Média
10.0/10

Em meio a mesmice que parece assolar Hollywood nos últimos tempos, Christopher Nolan aparece como um sopro de criatividade frente às adaptações de quadrinhos e refilmagens de clássicos.

Dunkirk é muito bem construído e Nolan mostra que tem total controle daquilo que pensou. Ele aqui conta histórias diferentes que se entrelaçam de forma tão criativa, que o espectador quase não consegue perceber a diferença entre os atos do filme. O longa é baseado na operação Dínamo, realizada durante a Segunda Guerra Mundial pelos ingleses, para retirar os soldados aliados que estavam encurralados na cidade que dá nome ao filme. Ou seja, o final já é conhecido e o diretor não pode fugir dele, mas a forma como ele nos conduz a esse final é o que importa e nos faz encher os olhos.

O filme, como vem sendo dito, tem poucos diálogos e é sustentado não só pela criatividade do homem atrás da câmera, mas também pelas expressões e atuações do elenco. Chamo atenção para Kenneth Branagh, no papel do Comandante Bolton, que aparece pouco durante o filme, mas com uma presença marcante.  Todos os personagens, dos soldados até os civis que são convocados para salvá-los, são muito bem explorados e expressam com bastante força as emoções do roteiro.

Um ponto especial são os efeitos sonoros, que proporcionam momentos de muita tensão, contrastando os tiroteios e explosões de bombas nos instantes de confronto, como a calmaria, onde trilha sonora busca assumir o controle das emoções. Outro ponto a ressaltar é a utilização de um tic-tac de relógio que serve para introduzir os confrontos e sinalizam para o espectador aquilo que está por vir. É impressionante como esse artifício consegue controlar quem está do lado de cá da tela. A trilha sonora, assinada por Hanz Zimmer está perfeitamente azeitada com as variações de emoções que ocorrem no desenrolar do filme.

Mas o grande mérito é a filmagem com câmeras Imax. A imersão atingida é impressionante. A maior parte do filme foi gravada com essa tecnologia e, mesmo sendo um filme em 2D, as sensações que são despertadas são fundamentais para a experiência que se tem ao entrar nesse universo. As batalhas aéreas assumem proporções fantásticas e são vertiginosas. Os momentos de ataques nas praias de Dunkirk são assustadores, associados aos efeitos sonoros anteriormente citados. É uma experiência extraordinária, conduzida por um roteiro muito bem amarrado, característico do diretor. É um típico filme no qual uma distração pode custar o entendimento do todo, dada a correlação dos eventos.

Ao apostar nesse diferencial, Nolan consegue nos apresentar um filme impecável tecnicamente e nos conduz a uma experiência única nos cinemas. Esse é o tipo de trabalho que acaba, mas não termina. Saímos da sala de projeção ainda processando o que vimos e sentimos.

Por fim, Dunkirk também é bastante cru e cruel ao mostrar os horrores da guerra, de modo a não apresentar grandes heróis ou mesmo romantizar o conflito. Temos o esforço do envolvidos para amenizar os impactos, mas não existe um herói que irá resolver tudo. Aprecio bastante filmes que trazem esse tipo de mensagem: na guerra todos perdemos. Perdemos a Humanidade. Perde a Humanidade.

Altamente Recomendado.

Forte abraço

Até a próxima.

Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

1 Comment

  1. Boa review, mas cadê os aspectos negativos? Vi muita gente falando que o filme é esvaziado de emoção. Fica parecendo só algo majestoso e visual mesmo e nada de um enredo bacana.

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