CONSCIÊNCIA COLETIVA

Qual a música que melhor representa os anos 90?

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Sentamos na sala de reunião para decidir quais as músicas mais icônicas dos anos 90 e claro que um montão de coisa boa ficou fora desse top 8. São 10 anos de muita produção, com o surgimento de novos estilos e a consolidação de grandes nomes, como Bjork, Alanis, Nirvana e Tupac Shakur e até Mariah Carey.

Diretamente da banheira do Gugu, aqui estão as canções que embalaram essa década estranha e inacreditável da cultura pop.  

Friday I’m In Love


Alexandre Alves

Olha, anos noventa é uma década de grandes músicas e todo mundo sabe disso (NÉ???). Logo, não foi nada fácil escolher umazinha entre tantas, mas vamos lá. A música que veio em minha cabeça foi Friday i’m in love, uma das minhas favoritas da banda The Cure e que faz parte do álbum Wish, lançado em 1992. Questões óbvias: a música marca as alegrias dos anos 90 e é uma verdadeira declaração de amor pela sexta-feira e para chegar até esse dia a gente precisa passar pelas segundas tristes, terças e quartas-feiras cinzas, não dar a devida importância à quinta. A sexta-feira é como os arranjos da música: dançante, convida para curtir a noite, se jogar na pista, mandar mensagem para o crush, tomar aquele porre, pois temos o sábado e o domingo para curar a ressaca. E convenhamos: “Mondays you can fall apart. Tuesday, Wednesday break my heart. Thursday doesn’t even start. It’s Friday: i’m in love”.

Don’t Speak


Igor Icael

Os Anos 90 foram marcados pela ascensão de uma diversidade de gêneros, não se restringindo apenas ao Pop a la Britney Spears, N’Sync e Backstreet Boys. Um dos maiores exemplos disso é o Ska Punk, gênero musical que agrega tanto pesados riffs do rock quanto elementos caribenhos,e possuiu como principais representantes a Gwen Stefani e sua banda No Doubt. Ritmo este que teve seu auge, e provavelmente sua vida útil restrita aos anos 90,  resta praticamente desconhecido pra muitos jovens de hoje. No entanto, devemos destacar uma música especial, que praticamente destoa de toda a produção da banda, uma balada romântica que soa como um desabafo, para cada pessoa que sofreu uma desilusão amorosa. “Don’t Speak” é como qualquer música lenta dos anos 90 no entanto, diferentemente das outras produções da época, soa bastante atual hoje em dia, mesmo entre os adolescentes que não viveram aqueles anos, mas que se identificam com ela como se tivesse sido lançada ontem.

Wannabe


Rodolfo Freitas

Wannabe é simplesmente uma música que marcou geração. As pessoas que, independente da idade, viveram a estreia em 1996 e o sucesso desse grande hit das Spice Girls, estão predestinadas a não mais esquecer. É bem possível lembrar das coreografias na sala de casa, no colégio junto com xs amigxs. Wannabe é uma música boa de ouvir, bem ritmada, com uma letra e um clipe bastante divertidos.

À Primeira Vista


Ítalo Lopes

À Primeira Vista, baladinha romântica do grande paraibano Chico César lançada em 1995 no icônico álbum “Aos Vivos”, é uma das músicas mais presentes na memória afetiva do povo brasileiro. Embalou trilha sonora de novelas, filmes, peças de teatro e, acima de tudo, de vários relacionamentos amorosos. Foi uma estréia estrondosa do Chico César e marca registrada em todas as rádios do país.

A música traz um pouco da visão do amor e da liberdade de uma pessoa apaixonada e disposta a seguir tudo para concretizar aquela relação. Numa época difícil para o Brasil em termos econômicos e políticos, nada como um grito artístico como este para ter causado suspiro em tantas pessoas que, apesar do sofrimento e das dificuldades, não deixavam de cultuar o amor e a liberdade.

Alive


Cezar Vasconcelos

Essa é uma das músicas mais importantes de uma das bandas mais importantes do Rock dos anos 90. É a definição do Rock Grunge que dominou quase todo o período. Ela faz parte do álbum de estreia do Pearl Jam, “Ten”, lançado em 1991. Tem todos os elementos que formam esse estilo: um pessimismo em relação à vida, marcado por tragédias pessoais, um ritmo alucinante, guitarras bem definidas e músicas que alternavam de líricas a pancadas no seu ouvido. Eu lembro que desde a primeira vez que a ouvi, me chamou a atenção duas coisas: a voz de Eddie Vedder, muito bonita, e a forma como a música vai num crescendo, contando uma estória não muito agradável de uma pessoa que sobreviveu à uma tragédia familiar (I’m Still Alive, com diz seu refrão). No mesmo período o Nirvana lançava seu álbum mais reverenciado, o Nevermind, que tomou conta das críticas do período, porém o Pearl Jam trazia algo diferente, mais tocante, mais humano, mais ainda assim, com a assinatura do grunge. A prova disso é que até hoje a banda vai muito bem, obrigado. Um detalhe: essa música está num rol de músicas muito particular, que são aquelas que por mais que eu escute, eu continuo querendo escutar. Passados 26 anos e escutada milhares de vezes, “Alive” ainda me toca quando eu a escuto. Ótima pedida.

Ray Of Light


Glauco Leandro

Quando no final dos anos 90 o mundo da música buscava sedento por uma sonoridade que salvasse o atual cenário, e que fosse algo completamente diferente daquilo que oferecia as Boys Bands e artistas adolescentes da época, eis que surge Madonna, destruidora como sempre, e lança um dos melhores álbuns de sua carreira, Ray of Light. Um disco maduro, intenso e sinérgico, como só ela sabe ser. Era o seu mais novo trabalho depois da maternidade e do nascimento de Lola em 1996, e do seu enorme sucesso no cinema com o musical Evita.  Desse álbum, além dos inúmeros clássicos como Frozen, Madge nos presenteia com a contagiante Ray of Light, uma mistura eurodance, totalmente eletrônica, e com vários riffs de guitarras potentes. A letra traz a influência de uma Madonna mística, envolvente e envolvida pela Cabala. Uma canção que quebrou todas as barreiras do cenário musical atual. Um hino fantástico. Uma celebração de Madonna com a natureza, com a sua própria natureza. Uma celebração a liberdade.

Ironic


Raphael Alves

Apesar dos problemas que enxergo na música que geralmente é usada para simbolizar os anos 90, em sua maioria formada por rock branco europeu, acredito que artistas como Nação Zumbi, Bjork, Moby,  Neneh Cherry, Madonna e 2Pac são de fato nomes que fazem a diferença nessa década. Poderia facilmente escolher muitas canções desse pessoal, mas penso que nenhuma música para mim representa melhor essa momento que Ironic, single de Alanis que saiu daquele discão chamado Jagged Little Pill. Esse foi o segundo disco feminino que tive contato e que escutei noites e noites por inteiro. Ironic é tão atual, um retrato poético das curiosas e inúmeras contradições da vida.  Adoro como a letra vai ganhando força para explodir no refrão que parece uma colagem fotográfica do cotidiano fadado e coletivamente imaginado. Por falar nisso, quantas ironias ainda fazem parte desse mundo de cão que a gente vive?

Unicamente


Djalma Wanderley

Deborah Blando é uma cantora que nasceu na Itália, mas que tem descendência brasileira e acabou vindo morar no Brasil – e por isso, no conjunto da sua obra, vai ser possível observar muitas músicas em outras linguas. Dentro da década de 90, ela fez um sucesso bastante grande com várias músicas, mas a que mais me marcou foi, com certeza, “Unicamente”. Presente da novela “A Indomada”, e sendo novelas o grande cenário nacional para o conhecimento de novas músicas naquela época, conseguiu voltar ao sucesso depois de algum tempo – e não é pra menos. “Unicamente” é uma faixa que traz uma temática essencialmente espiritual, invocando divindades da natureza, e com uma vibe essencialmente relaxante; no entanto, o que realmente se destaca na música é o seu refrão. Conhecida por muitos como “Raiou O Sol”, a música possui um refrão chiclete que passa uma mensagem extremamente positiva, de renovação e atenção às “pequenas” coisas da vida. Pessoalmente, foi a primeira música que me fez sequer pensar no que poderia ser meditação e contato com a natureza, já que, vindo de uma família essencialmente católica e cristã, divindades como o Sol e Iemanjá eram execradas do discurso que permeava meus espaços. Fico feliz de ter sido essa música a primeira a me dar uma ideia do que isso poderia ser – e acho que é por isso que me vem um sorriso nos lábios todas as vezes que penso nela.

Claro que todas elas já estão na nossa playlist oficial no Spotify.

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