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O que achamos: Em Ritmo de Fuga

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Review

Nota do Louri
7/10
Média
7.0/10

Em Ritmo de Fuga (Baby Driver) é um filme de ação com várias referências à cultura pop e com uma trilha sonora muito bem utilizada no roteiro. O filme de Edgar Wright, que também dirigiu Scot Pilgrim Contra o Mundo, em 2010, talvez seu trabalho mais famoso, oferece um entretenimento bem construído com bom elenco e ação equilibrada.

Baby, interpretado por Ansel Elgort (o Gus de A Culpa é das Estrelas) é um jovem habilidoso no volante que participa dos assaltos meticulosamente planejados por Doc (Kevin Spacey). Seu trabalho obviamente é conduzir os veículos nas fugas e despistar a polícia logo após a realização dos roubos. Após se afastar da equipe e reiniciar uma nova fase em sua vida, o rapaz é convocado para mais um trabalho e será surpreendido pela instabilidade dos companheiros escalados por Doc para esta empreitada.

Ansel Elgort e Kevin Spacey

Logo no início, a cena de abertura deu pistas de que se trata de um filme que tenta forçar a música e o humor como mais uma cópia de Guardiões da Galáxia. Em seguida, já na primeira perseguição automotiva, surgiu o novo temor de que estejam tentando seguir a onda de filmes como Velozes e Furiosos ou Need For Speed. O bom é que em poucos minutos o filme vai apresentando argumentos e situações que mostram que uma boa música e carros em alta velocidade podem ser utilizados em uma histórias mais coerentes, que aproveitam bem o carisma dos seus personagens.

Baby tem um passado trágico, após um acidente que rendeu a vida de seus pais e o deixou com um problema na audição, a música passou a ser seu remédio para se recuperar dos traumas sofridos, tanto físicos quanto emocionais. A relação entre ele e a música é bem apresentada no roteiro, de forma que as canções passam a surgir nas cenas de forma mais natural e orgânica, parecendo assim essenciais ao roteiro. A atuação de Ansel Elgort me pareceu bem satisfatória, ele alternou bem os momentos de introspecção (quando em contato com os ladrões) com momentos de extroversão nas demais situações sem parecer incoerente.

Um dos pontos fracos do roteiro é a forma previsível como os fatos se sucedem, apresentando uma fórmula simples apoiada na boa utilização da trilha. As cenas de perseguição são bem filmadas,  não cansam, principalmente por não ocuparem tanto tempo na história e  serem mais realistas, sem abusar das famosas manobras ousadas.

Jamie Foxx, Jon Hamm, Eiza González e Ansel Elgort

Além de Elgort, Jon Hamm (como Buddy) e Jamie Foxx (como Bats) são os personagens mais relevantes para o desenrolar da história, e ambos conseguem dar conta do recado. Mesmo como par romântico do protagonista, Lily James (Debora) não desempenha um papel tão essencial ao desenvolvimento dos eventos, caindo no clichê da mocinha em perigo. Infelizmente Em ritmo de fuga não consegue fugir dessa fórmula ultrapassada. Já o personagem do Spacey, apesar de relevante para a gangue, não é bem utilizado, saindo de cena de forma pouco digna para o talento do ator. O roteiro não deixa claro qual sua relação com o protagonista, em alguns momentos pareceu ser mais profunda do que aparenta .

O filme também conta com participações bem curtas do Flea, do Hed Hot Chili Peppers e Jon Bernthal (o Justiceiro da Netflix).

De forma geral Em Ritmo de Fuga é um bom filme, mesmo não estando preocupado em trazer grandes atuações ou um excelente roteiro,  decisões a meu ver parcialmente propositais.  O que parece é que o diretor sabia muito bem as limitações que tinha e conseguiu dentro dessa realidade construir uma história que pode agradar o público lançando mão de bons recursos como música e carros velozes, sem abusar ou utilizar de forma inadequada qualquer um deles.

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Professor, editor e fundador do Nerd Subversivo. Escreve sobre quadrinhos. É apaixonado por leitura, animações, design gráfico e hqs. Publica mensalmente no dia 15, save the date| Para segui-lo no Twitter: @lourinaldojr

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