CONSCIÊNCIA COLETIVA

Vento em Madeira apresenta “Arraial”

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Dia 7 de julho, sexta-feira, o Vento em Madeira faz o show de lançamento do seu terceiro disco, Arraial, no Teatro Paulo Autran. Arraial é um disco festivo, o nome sintetiza o espírito no qual ele foi criado, uma festa de quintal, entre família, com música, comida e bebida. Na reunião de cinco grandes amigos, que se divertem e gostam muito de fazer música juntos. O quinteto instrumental paulista receberá a cantora Mônica Salmaso, que participa do novo álbum.

 Arraial traz 9 composições instrumentais inéditas, com direção musical de Teco Cardoso e engenharia de som de Homero Lotito, que juntos trabalharam na mixagem e masterização. Na execução, Léa Freire atua nas flautas, Teco Cardoso nos saxofones e flautas, Tiago Costa no piano, Fernando Demarco no contrabaixo acústico e Edu Ribeiro na bateria. O disco foi gravado no Estúdio Gargolândia, espaço onde os músicos já sentem-se naturalmente em casa e, desta vez, foram acompanhados durante as gravações por suas famílias, convivendo no mesmo ambiente.

Totalmente autoral, o repertório continua variado, mas com forte e expressiva identidade. Mais uma vez, o quinteto convida a cantora Mônica Salmaso, que faz participação especial utilizando a voz como instrumento, interagindo com os demais, numa sonoridade inusitada.

“A música instrumental eu acho que é uma coisa ultra necessária pro mundo de hoje e esta música instrumental que a gente faz, demanda do ouvinte uma atenção, uma concentração e uma entrega de audição. O que a gente faz é sugerir às pessoas a sentirem coisas, a embarcar em viagens, o mais legal desta música é isso, uma mensagem universal”, compartilha Teco Cardoso.

O novo trabalho representa o auge da maturidade na interação entre os músicos do quinteto. Pode-se dizer que Arraial é o álbum mais coletivo de todos, nele percebe-se todos os integrantes, na criação das composições e na troca, uma intensa interação promovida pela convivência e explícita afinidade entre todos eles.

É Léa Freire que comenta sobre, “O Vento em Madeira tem uma cara cada vez mais de grupo, de soma, amalgamando as diferentes personalidades de seus integrantes num coletivo coeso, afiado e feliz. Essa felicidade vem da busca pelo ambiente perfeito para a prática da música, que passa pela convivência frequente do ensaio, pela gastronomia, pelo humor e pelo respeito mútuo, pra desembocar no criativo, na intimidade musical, no ouvir e até adivinhar o outro. Sinto também que esse trabalho fecha um ciclo e inicia outro. Prevemos voos em diferentes contextos musicais daqui pra frente, num processo completo de criação coletiva.

A flautista e compositora dá ainda a dica para a escuta, “A música instrumental é pra você pensar o que você quiser, para você sentir o que você quiser, pra você criar seu próprio enredo”.

Vento em Madeira traz em sua música complexidade, ao mesmo tempo que, com a devida fluência e criatividade.

Arraial, faixa a faixa, comentado pelos autores:

1 – Samba da Lana (Léa Freire)

Fiz pra minha primeira neta, Lana, criatura que desde o anúncio já mudou a minha vida. É um partido alto pequenino, com uma melodia no contratempo, que a certa altura transfere o batuque para o agudo enquanto a melodia fica no grave.

2 – Azul Cobalto (Tiago Costa)

Surgiu de brincar com a figura rítmica de 5 contra 3. Escrevi ela na véspera de uma gravação de um projeto coletivo nos EUA em 2016. Me deixei levar pelo colorido de lá misturado com o lirismo das terra de cá. Lá, ganhou o nome de Cobalt Blue pelo seu tom de lamento noturno. Na versão de cá, ficou da cor do céu do fim da madrugada.

3 – Maracatim (Edu Ribeiro)

A palavra Maracatim não existe e nem adianta procurar nos dicionários. Foi o nome de batismo criado para a primeira música que fiz pensando exatamente nos músicos do Vento. Dentro da minha limitação como compositor e arranjador lembrei dos ensaios onde todos discutem que voz vão dobrar ou abrir ou responder enquanto o baterista faz palavra cruzada, e comecei então a ouvir na minha cabeça o Fernando tocando a linha de baixo, o Tiago tocando as melodias, o Teco e a Léa respondendo e assim foi saindo uma série de perguntas e respostas que mais parecia um exercício de improvisação onde você dá o motivo para o outro responder. Num dos primeiros ensaios onde ela apareceu, o Teco trouxe uma flauta contrabaixo para a Léa. Instrumento super estranho de se ver mas com uma sonoridade linda e a Léa comentou que queria usá-la no grupo. Imediatamente com a minha total falta de noção de arranjador fiz umas linhas para ela e adicionamos aquela sonoriade grave na música que por sorte, contou com a ajuda de todos os meus amigos do grupo para o arremate. Os direitos podem até ser meus, mas a música é coletiva.

4 – Temperança (Léa Freire)

Feita para a cantora Liliana Herrero, com letra de Francesca Ancarola, que fala sobre as pessoas que enfrentaram ferro e fogo e continuam doces, como o aço doce, que sofre um processo a temperaturas altissimas. Liliana é argentina, Francesca, chilena. Daí o ar de chacarera.

5 – Sete Almas (Teco Cardoso)

Acordei de madrugada com uma linha de baixo em 7 por 8, com cara de quem não ia me abandonar fácilmente caso não fizesse algo com ela, então da cama mesmo fui improvisando linhas melódicas sobre ela, que já vinham com uma segunda voz inclusa com cara de Vento em Madeira. Resultado, nasceu o sol e o Sete Almas, que dediquei inicialmente àqueles cujo conhecimento transcende uma só existência (no caso me lembrei inicialmente do Egberto Gismonti e a medida em que fui trabalhando as vozes e a harmonia, vi que tinha que incluir o Wayne Shorter nesta homenagem também).

6 – Ares de Bolero (Léa Freire)

Tirei essa do baú, é de 96. Gostei muito da cara que o Vento deu pra ela, me dá vontade de dançar.

7 – Pintou um Grilo (Léa Freire)

É um experimento visual de um grilo pulando, que acabou gerando compassos estranhos, mas que soa muito natural, quase pop, divertido e desafiador, bom de tocar, bom de ouvir. A parte mais difícil foi descobrir que raio de compasso era aquilo. Edu Ribeiro foi preciso: 31/16.

8 –  Zezé (Léa Freire)

É uma bossa que fiz para o melhor cachorro da história do universo, cujo nome completo era José Carlos Freire. Um pit bull de caráter irretocável, manso ao extremo, grande companheiro, tudo de bom.

9 – Arraial na Rumaica (Tiago Costa)

Os encontros gastro-musicais regulares que iniciamos em 2008 até os dias de hoje tiveram imenso impacto no meu modo de compor (e possivelmente na minha silhueta). Quando fiz esta música levei ela intencionalmente incompleta para o ensaio na rua Rumáica, já sabendo que o nascimento dela se completaria nas primeiras passadas com o Vento. No esboço original já havia um pouco de cada um destes meus geniais amigos e nada mais lógico que levar o rebento pra receber a benção deles.

Disco digital> Disponível em todas as plataformas digitais para download ou streaming: iTunes, Google Play, Spotify, Deezer, Apple Music etc.

Serviço

Vento em Madeira – Lançamento do disco Arraial
Show com participação especial de Mônica Salmaso
Data: 07/07/2017 (sexta-feira)
Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran
Horário: 21h
Duração: 90 minutos
Rua Pais Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo – SP
Fone: (11) 3095-9400
Capacidade: 1.010 lugares
Recomendação etária: 10 anos

Ingressos: R$ 40,00 (Inteira). R$ 20,00 (meia: estudante, servidor da escola pública, +60 anos, aposentados e pessoas com deficiência). R$ 12,00 (Credencial Plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

Bilheteria: Terça a sábado das 10h às 21h. Domingos e feriados das 10h às 18h.

Mais Informações aqui

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Raphael é professor, formado em Ciências Econômicas, Letras e atualmente se dedica ao mestrado em Educação. Escreve sobre música, comportamento e cinema. É apaixonado por Twin Peaks, playlists e quase sempre pelos amigos. Publica mensalmente dia 9, save the date | Para segui-lo no Twitter: @RaphaelAlves

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