CONSCIÊNCIA COLETIVA

O mês do orgulho LGBT e a polêmica envolvendo marcas e programas infantis

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O mês do orgulho LGBT vem levantando debates importantes para o amadurecimento político dos movimentos sociais e midiatizados que tratam das nossas pautas. Nos últimos dias blogs e jornais no mundo inteiro não só celebraram a data, como apontaram para algumas questões que ainda precisam ser amplamente discutidas; entre elas o que estão chamando de propaganda pró-LGBT para crianças.Tudo começou quando algumas marcas de brinquedos e alguns programas infantis passaram a usar a bandeira colorida nas suas publicações. Rapidamente um grupo de pessoas passou a questionar nas redes sociais se essa decisão era necessária e positiva.

Esse questionamento surge também por que marcas como Lego, Mattel e Hasbro já começaram a criar e a promover brinquedos que não dialogam com a visão binária de gênero, ou seja, estão aos poucos procurando comercializar produtos que atraiam igualmente meninos e meninas; é o que diz um artigo da revista Fortune.

Essas mesmas empresas estão ao poucos defendendo a não divisão dos seus brinquedos em prateleiras separadas, geralmente agrupadas por cores em “para meninos” e “para meninas”. Essa decisão é vista por muitas pessoas apenas como uma estratégia de marketing, que visa exclusivamente o lucro. Em sua  defesa elas afirmam que na verdade querem contemplar os pais que procuram evitar que os seus filhos e filhas aprendam desde cedo a reproduzir comportamentos estereotipados de gênero.

A polêmica tende a crescer, visto que essa decisão deixa de ser algo do âmbito particular, de cada família, e passa a ser uma atitude coletiva e comercial,  que certamente exigirá uma necessidade ainda maior de diálogo sobre as temáticas de sexualidade e gênero dentro dos lares.

Nova linha Ken da Mattel

A Mattel , por exemplo, lançou recentemente várias versões do Ken, incluindo por exemplo o Ken fashionista, onde ela tenta quebrar com o antigo padrão adotado pela marca.  Não demorou  para que as imagens de divulgação virassem memes, visto que  retrato feito pela empresa estava longe de representar a diversidade e os padrões estéticos que existem entre os homens, gays ou não. As legendas eram as mais engraçadas, muitas chamavam a nova série de bonecos de : turma de garotos padrão Lolapalloza. Isso mostra que nessa empreitada repleta de intencionalidades contraditórias, outros tipos de esteriótipos acabam sendo alimentados.

As pessoas continuam enxergando as crianças como seres exclusivamente passivos, que não conseguem se relacionar com as questões do mundo sem a interferência impositiva de um adulto.

O desenho Vila Sésamo também postou foto apoiando o mês do orgulho LGBT, o que rapidamente fez com que as pessoas passassem a questionar se era preciso inserir as crianças dentro do debate político, alegando que elas não possuem maturidade para entender a complexidade atual dos conflitos sociais.

Penso que essa reação apresenta inúmeros problemas, entre eles podemos citar o fato de que essas pessoas continuam enxergando as crianças como seres exclusivamente passivos, que não conseguem se relacionar com as questões do mundo sem a interferência impositiva de um adulto. Um grande equívoco, visto que elas utilizam muitas vezes códigos de ética e de respeito mais elaborados e empáticos que os adultos.

Outro é achar que a reconfiguração da criação e da distribuição dos brinquedos vai interferir negativamente na construção de identidade delas, esquecendo que esse é um processo muito dinâmico, onde participam conjuntamente os objetos culturais, as suas próprias experiências de vida, a relação com o ambiente e com as pessoas que  fazem parte da sua vida… Sem falar que ao criticar essa mudança as pessoas acabam defendendo a ideia de que o modelo héterocis-normativo é o ideal.

O debate é importante e complexo, mas e vocês, o que acham?

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Raphael é professor, formado em Ciências Econômicas, Letras e atualmente se dedica ao mestrado em Educação. Escreve sobre música, comportamento e cinema. É apaixonado por Twin Peaks, playlists e quase sempre pelos amigos. Publica mensalmente dia 9, save the date | Para segui-lo no Twitter: @RaphaelAlves

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