CONSCIÊNCIA COLETIVA

10 filmes para você amar o cinema coreano!

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Os filmes coreanos vêm cada vez mais ganhando espaço e recrutando cinéfilos devido as suas produções de qualidade, seus roteiros complexos, sua violência sem filtros e por não se prender a necessidade de um happy end, o que para muitos causa estranheza.

Não é de agora que a Coréia produz bons filmes e existem ótimas produções já na década de 80 e 90, mas provavelmente foi “Oldboy” (2003) que deu uma maior visibilidade no ocidente para o cinema coreano. Com seu enredo perturbador e uma cruel história de vingança, Oldboy foi indicado nos principais festivais de cinema e arrastou o Grand Prix no Festival de Cannes de 2004. Daí pra frente os filmes coreanos fizeram fama e receberam vários prêmios em diversos festivais pelo mundo.

Eu criei uma pequena lista apenas para mostrar um pouco da grandeza desse cinema, mas explorem todos os tipos de filmes que a Coréia produz que vocês não irão se arrepender!!!

1)Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera (2003, Kim Ki Duk)

Essa lista não poderia começar melhor!

Muitas vezes, quando estamos sem paciência para esse mundo capitalista, fechamos os olhos e imaginamos um lugar calmo, onírico, com uma casa no meio de um lago cercada por montanhas e subjugado pelo silêncio. É nesse cenário que se passa a história de “Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera”, uma obra-prima cinematográfica. Tendo dois monges como protagonistas principais, o filme mostra que mesmo em um lugar como esse e com pessoas mergulhadas em uma ideologia de paz, a natureza obscura humana pode sufocar o silêncio e a tranquilidade, fazendo emergir desejos primitivos da nossa condição mortal. Esse filme retrata de forma poética a perda da inocência e a luta para salvar uma alma das trevas.

Sinopse: Ninguém é indiferente ao poder das quatro estações e de seu ciclo anual de nascimento, crescimento e declínio. Nem mesmo os dois monges que compartilham a solidão, em um lago rodeado por montanhas. Assim como as estações, cada aspecto de suas vidas é introduzido com uma intensidade que conduz ambos a uma grande espiritualidade e a tragédia. Eles também estão impossibilitados de escapar da roda da vida, dos desejos, sofrimentos e paixões que cercam cada um de nós. Sobre os olhos atentos do velho monge vemos a experiência da perda da inocência do jovem monge, o despertar para o amor quando uma mulher entra em sua vida, o poder letal do ciúme e da obsessão, o preço do perdão, o esclarecimento das experiências. Assim como as estações vão continuar mudando até o final dos tempos, na indecisão entre o agora e o eterno, a solidão será sempre uma casa para o espírito.

2) O Lamento (2016, Hong-jin Na)

Eu posso falar sem medo que esse é um dos maiores filmes de terror psicológico já feito!

Ao assisti-lo lembrei de uma pergunta que tinha no DVD do filme “O Iluminado”: qual o nosso maior medo? É com essa pergunta que nos pegamos após assistir “O Lamento”. O filme explora de forma soberba vários medos que nos assombram, de forma bem profunda, resgatando aquele medo dos pesadelos que tínhamos quando criança, em uma ambientação demoníaca da mais pura agonia e terror. Esse filme é OBRIGATÓRIO para quem é fã do terror e suspense psicológico.

Sinopse: A chegada de um misterioso estranho (Jun Kunimura) em uma aldeia tranquila coincide com uma onda de assassinatos cruéis, causando pânico e desconfiança entre os moradores. Quando a filha do oficial de investigação Jong-Goo (Kwak Do-won) cai sob a mesma magia selvagem, ele chama um xamã (Hwang Jung-min) para ajudar a encontrar o culpado.

3) Mr. Vingança (2002, Park Chan-wook)

Esse filme foi a porta de entrada para a trilogia da vingança – junto com Oldboy e Lady Vingança, que falarei abaixo – que   diretor o Park Chan-wook queria nos presentear, e que presente! Com esse filme o diretor mostrou para que veio e nos entregou uma trama digna de ter na prateleira. Mr Vinganaça é um filme sobre vingança (pam!) que aos poucos vai mostrando seu real objetivo, de como o ser humano pode se destruir aos poucos ao se entregar a sentimentos que estão escondidos em nossa alma.

Sinopse: Ryu, jovem surdo-mudo, cuida da irmã, que precisa de um transplante de rim. Após ser demitido e enganado em uma negociação em que perde o próprio rim, Ryu, decide sequestrar a filha do ex-patrão, que desencadeará uma espiral de sangue, violência e vingança.

4) Oldboy (2003, Park Chan-wook)

Sem dúvidas, esse é o filme coreano de maior sucesso no ocidente, e a qualidade da história de Oldboy não se deve apenas ao seu roteiro complexo, mas também as várias dimensões humanas que o filme explora.

Até que ponto podemos ir para nos vingarmos de alguém? Qual o limite? Mas, se possuo o tempo e as ferramentas, quais as possibilidades? Oldboy nos dá todas essas respostas da melhor forma possível. Com um dos roteiros mais inteligente que já vi e um dos melhores plot twist do cinema, esse filme dramático é um deleite para os olhos e para os espíritos vingativos, deixando a vingança do Conde de Monte Cristo a ver navios e mostrando que a vingança é um prato que se come frio, com calma e com sangue, bastante sangue.

E gente, por favor, NÃO ASSISTAM a versão americana, é uma ofensa a essa obra maravilhosa!

Sinopse: Oh Dae-su é preso depois de uma bebedeira. Ao sair da cadeia ele resolve ligar para casa. É aniversário de três anos de sua filha. Na cena seguinte acorda em um quarto onde há apenas uma televisão. Sem saber por quem e nem por que, Oh Dae-su fica preso durante 15 anos. Ao sair daquele lugar, procura entender o que se passou em sua vida. Mesmo afastado de tudo ele foi acusado de matar sua mulher. Oh Dae-su quer vingança. Custe o que custar. Para isso terá que viver uma história perturbadora, de fortes emoções.

5) Lady Vingança (2005, Park Chan-wook)

O último filme da trilogia da vingança de Park Chan-wook, pode ser considerado o mais “morno” da trilogia, mas longe de ser um filme ruim. A narrativa de “Lady Vingança”, visivelmente mais lenta que a de seus antecessores, fecha o ciclo da jornada humana pela busca da vingança, e demonstra novamente todo o brilhantismo do diretor, e a lentidão talvez se deva a própria personalidade da protagonista que não vê problema em esperar o tempo que for preciso para saciar sua sede de retaliação.

Uma diferença crucial de “Lady Vingança” em relação aos seus antecessores é o fato da violência estar bem menos presente, mas em compensação o diretor explorou mais a fotografia,  os cenários e a trilha sonora, deixando o filme mais sofisticado audiovisualmente.

Sinopse: Aos 19 anos Lee Geum-Ja, é condenada a 13 anos de prisão pelo sequestro e assassinato de um menino de 6 anos. Ela está acobertando o verdadeiro culpado, seu namorado e professor Sr. Baek. Quando descobre que está sendo traída, Geum-Ja, passa todo o seu tempo na cadeia preparando uma vingança para o ex-amante. Treze anos depois ela sai da cadeia e, com a ajuda de algumas ex-colegas da prisão, encontra Srr. Baek ,e põe em prática seu minucioso plano.

6) Eu Vi o Diabo (2010, Kim Jee Woon)

Apesar de não fazer parte da trilogia da vingança, esse filme conta uma história de vingança – pois é meus amigos, coreano adora falar de vingança – de forma linear, sem ter um roteiro rebuscado, mas não menos visceral.

Sendo o sexto filme do excelente diretor Kim Jee Woon – vejam todos os filmes desse carinha –, “Eu Vi o Diabo” é daqueles filmes inquietantes, que incomoda nossa frágil moralidade. O conflito da trama se dá logo na primeira meia hora do filme, em que os protagonistas principais nos são apresentados de forma convincente e já nos leva a pensar: “esse vai ser um filmão da porra!”. A forma que os protagonistas se flertam é hipnotizante, nos conduzindo por um sanguinário caminho sem volta, caminho esse que poderia ser percorrido por qualquer pessoa que tivesse um ente querido assassinado, ou não.

Sinopse: A noiva de um agente secreto é morta por um serial killer. Cego pela fúria, ele começa a investigar os possíveis suspeitos do crime, até finalmente identificar o culpado. Mas, ao invés de matá-lo, resolve pôr em prática uma terrível e lenta vingança.

7) Casa Vazia (2004, Kim Ki Duk)

Vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza, talvez esse filme do Kim Ki Duk seja ainda mais poético do que o maravilhoso “Primavera, Verão, Outono, Inverno e… Primavera”. Digo isso porque a história do filme se passa na agonia do meio urbano e mesmo assim é marcada pelo silêncio dos personagens, uma marca registrada do diretor.

No filme, um jovem se vê impossibilitado de se comunicar com uma garota que se apaixona acidentalmente e com isso o diretor nos conta uma história por meio de símbolos. Esse amor silencioso caminha por vários cenários/casas como uma reivindicação a agonia que é viver em uma cidade grande, nos presenteando com um final metafisicamente possível.

Sinopse: Um jovem vagabundo invade a casa de estranhos e mora nelas enquanto os donos estão fora. Para pagar a estadia ele realiza pequenos consertos ou faz limpeza na casa. Ele costuma ficar um ou dois dias em cada lugar, trocando de casa constantemente. Até que um dia encontra uma bela mulher em uma mansão, que assim como ele também está tentando escapar da vida que leva.

8) Mother – A Busca Pela Verdade (2009, Bong Joon-ho)

Ah, o amor de mãe… pode ser bem doido! Agatha Christie já tinha nos alertado: “O amor de mãe por seu filho é diferente de qualquer outra coisa no mundo. Ele não obedece lei ou piedade, ele ousa todas as coisas e extermina sem remorso tudo o que ficar em seu caminho”. Essa frase é a base desse filme tão elogiado pela crítica mundial.

O filme retrata a odisseia de uma mãe determinada a inocentar o filho da acusação de um crime que ela tem certeza que ele não cometeu. Estamos falando aqui de um excelente suspense policial, em que a arma é o amor de uma mãe e a mão que a segura é a busca por justiça. Além da perfeição do roteiro, a atriz Kim Hye-ja nos brinda com uma interpretação assombrosa.

Sinopse: Uma mulher viúva cuida sozinha de seu filho único, Do-joon. Este homem de 28 anos, ingênuo e infantil, costuma se comportar de maneira inconsequente, dependendo com frequência da atenção materna. Um dia, ele é acusado do assassinato de uma adolescente, mas parece sequer compreender a acusação que enfrenta. Diante da incompetência do advogado encarregado de defendê-lo, a mãe parte em busca do verdadeiro assassino, para provar a inocência de seu filho.

9) A Criada (2016, Park Chan-wook)

Quando Park Chan-wook lança um filme gera sempre um frisson em quem conhece o trabalho do diretor. “A Criada”, o filme mais recente dele, foi uma das melhores coisas que aconteceu no cinema coreano em 2016, no qual o diretor continuou seu estudo sobre a violência.

O filme é um suspense erótico cheio de reviravoltas que se passa durante a ocupação nipônica na Coréia. Com um figurino e fotografia impecáveis, “A Criada” é uma trama avassaladora de paixão, violência e sexo, muito sexo. Antes visto como um ato de amor entre as duas protagonistas principais – Sook-Hee e Hideko –, o sexo ganha contornos perversos nas sequências que apresentam a leitura de poesias eróticas a uma plateia sedenta de prazer, a partir do qual a história vai cada vez mais incrementando violência a sua trama.

Vale ressaltar que “A Criada” possui uma das cenas de sexo mais quentes do cinema.

Sinopse: Coreia do Sul, anos 1930. Durante a ocupação japonesa, a jovem Sookee (Kim Tae-ri) é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko (Kim Min-Hee), que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo corre bem com o plano, até que Sookee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko.

10) Pietá (2012, Kim Ki Duk)

Com Pietá, mais uma o diretor Kim Ki Duk levou para casa o prêmio Leão de Ouro do Festival de Veneza.

O filme narra a história de Kang-do, um jovem perturbado que ganha a vida cobrando dinheiro de comerciantes devedores com métodos violentos. Mas sua rotina muda por completo quando uma mulher misteriosa surge em sua vida dizendo ser sua mãe. A partir daí, uma série de eventos desmantela a frágil estrutura psicológica de Kang-do, que se vê amarrado em uma relação de afeto e brutalidade.

Para muitos, Pietá é um filme desagradável, que incomoda o emocional por enfrentá-lo de forma aparentemente desnecessária, e esse seria o ponto negativo do filme. Porém, em minha opinião, esse é o diferencial do filme, já que explorar as inquietudes da ética social é necessário, por vezes, para nos fazer pensar e refletir sobre o que é o ser humano.

Sinopse: Kang-do trabalha cobrando empréstimos devidos a agiotas. Sem família, ele vive um cotidiano brutal e solitário, empregando métodos violentos para extorquir suas vítimas. Tudo muda quando ele é abordado por uma mulher que afirma ser sua mãe.

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Joelson é Biólogo, mestrando em Etnobiologia. Escreve sobre cinema. É apaixonado por uma cerveja trincando. Publica mensalmente dia 15, save the date | Para segui-lo no Instagram: @joelsonbrito

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