CONSCIÊNCIA COLETIVA

Schadenfreunde, um sentimento proibido

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A atração pela tragédia, fracassos e infortúnios alheios é, de certa forma, um tema muito intrigante. A psicologia trata essa sensação como inerente ao ser humano e a língua alemã tem até um nome pra isso: schadenfreunde. A palavra é uma combinação entre dano e alegria e define o sentimento que se tem quando há prazer na desgraça alheia. Algumas pessoas conseguem canalizar esse sentimento de forma positiva, com empatia e solidariedade, pois, apesar de aliviadas por não ter sido algo ocorrido com elas mesmas, conseguem se colocar no lugar de quem sofre e conservam certo grau de equilíbrio emocional e autoavaliação. Já outros, partindo de sentimentos de inferioridade e frustrações, não se mostram envergonhados em cultivar essa emoção tão clandestina. 

O “schadenfreunde” está em todos os lugares e acontece nas situações mais corriqueiras. Desde a alegria em ver aquele time adversário ser derrotado por outro de menor relevância, aquele (a) ex que teve um novo relacionamento fracassado, os infortúnios de uma super celebridade que todos admiram, aquele casamento perfeito do amigo que desmoronou ou aquele colega de trabalho que perdeu a promoção, são fatos que trazem à tona o lado sombrio da natureza humana. Um professor de psicologia da Universidade de Kentucky (EUA) afirma que essa sensação está relacionada à identificação social, já que são as comparações sociais que nos possibilitam estipular nossa posição na sociedade.

E o ser humano é realmente dado às comparações. Sendo assim, quando enxergamos alguma característica “superior” em terceiros, queremos “rebaixá-lo” ao nosso nível; ocorrência típica da baixa autoestima.

O “schadenfreunde” está em todos os lugares e acontece nas situações mais corriqueiras.

A abordagem mais comum para o tema é a relação dessa emoção à inveja, mas, apesar da correlação, elas partem de características contrárias. A inveja é provocada tendo em vista o sucesso do outro, o schadenfreund, pelo insucesso, as falhas. E essa é uma maneira científica para explicar porque as pessoas torcem pelo fracasso dos outros, deixando aflorar este lado tão obscuro da natureza humana.

A psicologia esclarece que só casos extremos de prazer com o sofrimento alheio são preocupantes e patológicos, no entanto, disse Arthur Schopenhauer: “Sentir inveja é humano, gozar do infortúnio dos outros é diabólico.”. E isso pode até fazer parte da estrutura do psiquismo humano, contudo, na prática, o melhor é não deixar que o inferno dos outros ocasione o seu próprio.

Everly é formada em Letras, estudante de Direito e atua em área relacionada ao Direito do Consumidor. Escreve, principalmente, textos de opinião sobre os mais variados temas e é apaixonada por viagens. Publica mensalmente dia 30, save the date Para segui-la no instagram: @everlynascimento.

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