CONSCIÊNCIA COLETIVA

Dia do Cinema Brasileiro: Dez filmes Inesquecíveis

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Hoje, dia 19 de junho, é comemorado o Dia do Cinema Brasileiro. Curiosamente, a instituição dessa data se dá devido a uma produção pioneira realizada por um cinegrafista italino,  Affonso Segretto.

O fato é que, em 19 de junho de 1898, Segretto desembarcava no Rio de Janeiro fazendo história ao filmar sua chegada ao Brasil. O registro, infelizmente, não sobreviveu à dureza do tempo, mas desde a década de 70 que, no dia da feitura de Uma vista da Baia de Guanabara, entendido como o primeiro registro em filme feito em nosso solo, é celebrado o Dia do Cinema Brasileiro.

No entanto, quando falamos de ficção brasileira, é só no começo do século XX que ela passa a ser explorada. A empreitada se inicia com produções realizadas por pequenos donos de salas de cinemas no Rio de Janeiro e São Paulo que geralmente reconstituíam crimes explorados pela mídia da época, no maior estilo Linha Direta. Mais de um século se passou desde o começo dessa jornada e hoje elegeremos alguns filmes nacionais para celebrar o nosso cinema.

1) Limite (1930), de Mário Peixoto.

Figurando quase todas as listas de filmes nacionais, Limite (1930), de Mário Peixoto, é entendido como o melhor filme brasileiro para a Abracine – Associação Brasileira de Críticos de Cinema, além de estar entre os dez filmes favoritos de David Bowie.

Sinopse: “Um tema, uma situação e três histórias. O tema, a ânsia do homem pelo infinito, seu clamor e sua derrota. A situação, um barco perdido no oceano com três náufragos – um homem e duas mulheres. As três histórias são aquelas que os personagens mutuamente se contam. Na situação se esboça o tema que as três histórias desenvolvem. A tragédia cósmica se passa no barco. E para ele convergem as histórias.”

2) Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Glauber Rocha.

Considerado um marco do Cinema Novo, foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1964. Além de figurar como segundo lugar na lista dos 100 melhores filmes brasileiros segundo a Abraccine.

Sinopse: Manuel (Geraldo Del Rey) é um vaqueiro que se revolta contra a exploração imposta pelo coronel Moraes (Mílton Roda) e acaba matando-o numa briga. Ele passa a ser perseguido por jagunços, o que faz com que fuja com sua esposa Rosa (Yoná Magalhães). O casal se junta aos seguidores do beato Sebastião (Lídio Silva), que promete o fim do sofrimento através do retorno a um catolicismo místico e ritual. Porém ao presenciar a morte de uma criança Rosa mata o beato. Simultaneamente Antônio das Mortes (Maurício do Valle), um matador de aluguel a serviço da Igreja Católica e dos latifundiários da região, extermina os seguidores do beato.

3) O lobo atrás da porta (2013), Fernando Coimbra.

Figurando a 60º posição na lista de melhores filmes brasileiros da Abraccine, O lobo atrás da porta é um ótimo representante para o gênero drama/suspense que ainda é pouco explorado no cinema brasileiro. Filme ganhador, dentre outras categorias, do Melhor Roteiro Original no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (2015), ainda possui Leandra Leal como ganhadora na categoria Melhor Atriz do Premio Iberoamericano de Cine Fénix (México, 2014).

Sinopse: Numa delegacia, um homem (Milhem Cortaz), sua mulher (Fabíula Nascimento) e a amante dele (Leandra Leal) são interrogados. Arrancados pacientemente pelo detetive (Juliano Cazarré), um após o outro, seus depoimentos vão tecendo uma trama de amor passional, obsessão e mentiras que levará a um final completamente inesperado.

4) O Som ao Redor (2012), direção de Kleber Mendonça Filho.

Conseguindo resumir a história do Brasil em uma rua do Recife, O som ao redor é considerado o décimo quinto melhor filme brasileiro segundo a Associação Brasileira de Críticos de Cinema.

Sinopse: A vida numa rua de classe média na zona sul do Recife toma um rumo inesperado após a chegada de uma milícia que oferece a paz de espírito da segurança particular. A presença desses homens traz tranquilidade para alguns, e tensão para outros, numa comunidade que parece temer muita coisa. Enquanto isso, Bia, casada e mãe de duas crianças, precisa achar uma maneira de lidar com os latidos constantes do cão de seu vizinho. Uma crônica brasileira, uma reflexão sobre história, violência e barulho.

5) Lavoura Arcaica (2001), Luiz Fernando Carvalho.

Baseado no romance homônimo publicado em 1975, do escritor brasileiro Raduam Nassar, vencedor do Prêmio Camões em 2016, Lavoura Arcaica, ao total, possui mais de 50 prêmios conquistados. Homenageado em 2017 no Festival Internacional de Cinema do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, é considerado o 16º melhor filme brasileiro da história pela Abraccine.

Sinopse: André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e o sufocamento da ternura materna. Pedro (Leonardo Medeiros), seu irmão mais velho, traz ele de volta ao lar a pedido da mãe. André aceita retornar, mas irá irromper os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã Ana. Um dos grandes filmes brasileiros da década de 2000, cheio de poesia visual.

6) Estômago (2007), Marcos Jorge.

Um drama, uma comédia, um suspense ganhador de diversos prêmios nacionais e internacionais, Estômago ocupa a posição 74º na lista dos melhores filmes brasileiros da Abreccine.

Sinopse: Raimundo Nonato (João Miguel) foi para a cidade grande na esperança de ter uma vida melhor. Contratado como faxineiro em um bar, logo ele descobre que possui um talento nato para a cozinha. Com suas coxinhas Raimundo transforma o bar num sucesso. Giovanni (Carlo Briani), o dono de um conhecido restaurante italiano da região, o contrata como assistente de cozinheiro. A cozinha italiana é uma grande descoberta para Raimundo, que passa também a ter uma casa, roupas melhores, relacionamentos sociais e um amor: a prostituta Iria (Fabiula Nascimento).

7) Febre do Rato (2012), Cláudio Assis.

Em preto e branco, Febre do Rato é Recife em versos. É marginal, visceral, sexual e, principalmente, poético.

Sinopse: Febre do rato é uma expressão popular típica da cidade de Recife (localizada na Região Nordeste do Brasil), que designa alguém que está fora de controle, alguém que está danado. E é assim que Zizo, um poeta inconformado e de atititude anarquista, chama um pequeno tablóide que publica às próprias custas. O personagem está sempre às voltas com o universo que criou ao seu redor. Um mundo todo particular, onde saciar os desafortunados é uma mistura de benefício com altas doses de maldade. Um dia todas as convicções de Zizo parecem ruir ao se deparar com Eneida, a consciência contemporânea e completamente periférica. As relações de Zizo entram em conflito e todos que fazem parte do jogo festivo do anarquista se manifestam de forma egoísta. O conflito entre o indivíduo e a coletividade se instaura.

8) Abril Despedaçado (2001), Walter Salles.

Indicado ao Globo de Ouro e ao BAFTA como Melhor Filme Estranhangeiro, Abril Despedaçado ganhou prêmio de Melhor Direção no Festival de Cinema de Havena. Figurando a 58º posição no ranking dos 100 melhores filmes segundo a Abraccine,

Sinopse: Em abril de 1910, na geografia desértica do sertão brasileiro, uma camisa manchada de sangue balança com o vento. Tonho, filho do meio da família Breves, é impelido pelo pai a vingar a morte do seu irmão mais velho, vítima de uma luta ancestral entre famílias pela posse da terra. Se cumprir sua missão, Tonho sabe que sua vida ficará partida em dois: os 20 anos que ele já viveu, e o pouco tempo que lhe restará para viver. Ele será então perseguido por um membro da família rival, como dita o código da vingança da região. Angustiado pela perspectiva da morte e instigado pelo seu irmão menor, Pacu, Tonho começa a questionar a lógica da violência e da tradição. É quando dois artistas de um pequeno circo itinerante cruzam o seu caminho.

9) Que horas ela volta? (2015), Anna Muylaert

Antes mesmo da sua estreia no Brasil, Que horas ela volta? já havia sido visto por cerca de meio milhão de pessoas no continente europeu. Indicado e vencedor de diversos prêmios nacionais e internacionais, o filme ocupa a posição 71º do ranking da Abraccine.

Sinopse: A pernambucana Val se mudou para São Paulo a fim de dar melhores condições de vida para sua filha Jéssica. Com muito receio, ela deixou a menina no interior de Pernambuco para ser babá de Fabinho, morando integralmente na casa de seus patrões. Treze anos depois, quando o menino vai prestar vestibular, Jéssica lhe telefona, pedindo ajuda para ir a São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, só que quando ela deixa de seguir certo protocolo, circulando livremente, como não deveria, a situação se complica

10) Linha de Passe (2008), Daniela Thomas e Walter Sales.

Ovacionado com 9 minutos de aplausos no Festival de Cannes, indicado a Palma de Ouro e tendo Sandra Corveloni como vencedora na categoria Melhor interpretação Feminina, Linha de Passe é um filme sobre limites.

Sinopse: São Paulo. Reginaldo (Kaique de Jesus Santos) é um jovem que procura seu pai obsessivamente. Dario (Vinícius de Oliveira) sonha em se tornar jogador de futebol mas, aos 18 anos, vê a idéia cada vez mais distante. Dinho (José Geraldo Rodrigues) dedica-se à religião. Dênis (João Baldasserini) enfrenta dificuldades em se manter, sendo também pai involuntário de um menino. Os quatro são irmãos, tendo sido criados por Cleuza (Sandra Corveloni), sua mãe, que trabalha como empregada doméstica e está mais uma vez grávida, de pai desconhecido. Eles precisam lidar com as transformações religiosas pelas quais o Brasil passa, assim como a inserção no meio do futebol e a ausência de uma figura paterna.

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Dany é formada em Letras. Escreve principalmente sobre séries. É apaixonada por literatura e boa comida. Publica mensalmente dia 13, save the date | Para segui-la no twitter ou no Instagram: @teofaga

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