CONSCIÊNCIA COLETIVA

Você não vai encontrar alguém especial

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Como consolo, ao final de todos os relacionamentos, costuma-se ouvir: “Você vai encontrar alguém especial”, e apesar de saber que essas palavras são sempre vindas de pessoas que nos querem bem, é difícil aceitá-las como verdadeiras.

Difícil não pela negação pessimista de que jamais encontraremos “aquela pessoa especial”, mas pelo pressuposto escondido por trás da frase de que até então as pessoas que passaram pela sua vida não foram especiais.

Tomar a tal pressuposição como verdadeira significa negar um passado eternamente presente. Relacionamentos felizes ou sufocantes, duradouros ou rápidos, tranquilos ou instáveis nem por acaso da sorte ou azar do fim deixam de marcar um período das nossas vidas em que foram especiais.

Não existe pessoa especial, aliás, somos todos!

Especial porque a lembrança longamente guardada esconderá sentimentos, sorrisos, lágrimas, risadas… coração aos tropeços. Especial porque se fez especial.

Converso particularmente com mulheres e alguns homens e ouço relatos de desilusões amorosas, frustrações, sentimentos difusos. Esses amantes ainda esperam a tal pessoa especial com a mesma veemência com que afirmam que sua vida pregressa com outros parceiros foi nada especial.

É que o tal príncipe encantado ainda habita a utopia dos nossos inconscientes: como se num passe de mágica, mais cedo ou mais tarde, brotasse em nossas vidas aquela pessoa que resolveria todos os nossos problemas, curaria todas as feridas, conteria nossas aflições.

Essa espera, de um modo ou de outro, impossibilita que pessoas reais, de carne e osso, gente como a gente, cruzem os nossos caminhos e se façam especiais ou que, ao menos, consigamos olhar para o nosso passado e carregá-lo com algum significado positivo.

Desconfio honestamente da pessoa especial, do príncipe encantado, do Cauã Reymond… seja lá o nome que se intitulem.

Não existe pessoa especial, aliás, somos todos!

Especial, na verdade, é a circunstância, o momento. Ou aquilo que alguns chamam exoticamente de energia.

Há casais que constroem ao longo do tempo uma história e, por acaso, a “energia” deixou de se reverberar e nem por isso a relação que construíram deixará de ser especial e muito menos impedirá que outras sejam especialmente construídas.

Uma grande amiga conheceu o noivo ainda na infância. Namoraram ainda muito jovens, terminaram, viveram outras experiências, se reencontraram, namoraram novamente e hoje estão programando o casamento. Moral da história: decidiram-se fazer especiais um ao outro.

Conheço casais que se fazem especiais há mais de 3 décadas, outros se fizeram por 1, e há aqueles que se fazem por alguns meses… Porque decidiram beijar o sapo a esperar eternamente pelo príncipe encantado.

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