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O que achamos: A Múmia

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Review

Nota do Cézar
4/10
Média
4.0/10

Querendo aproveitar a onda de universos compartilhados e refilmagens de clássicos do cinema, a Universal anunciou seu “Dark Universe”, formado por monstros clássicos da literatura e também do cinema. E o primeiro produto dessa nova leva é A Múmia, que estreou nesta quinta-feira, 09/06, trazendo Tom Cruise como protagonista. Este universo deve ser formado pela Múmia, já citada, o Homem Invisível, o Lobisomen, Mr. Hyde, Frankenstein, Drácula, e, especula-se, o Fantasma da Ópera e o Corcunda de Notre Dame.

O filme traz ainda no elenco Annabelle Wallis, Sofia Boutella, Jake Johnson, Marwan Kenzari, Courtney B. Vance, Kim Adis e Russell Crowe, sendo esse úlitmo, encarnando o Dr. Jekyll/Mr. Hyde, o ponto de ligação entre todos os longas.

Temos aqui mais um exemplo em que a preocupação é apresentar cenas de ação cada vez mais elaboradas se sobrepõe à elaboração de um roteiro. Tecnicamente o filme impressiona em algumas cenas. Com Tom Cruise como astro, e com sua experiência em outra franquia: Missão: Impossível, era esperado que tivéssemos cenas de tirar o fôlego. Chamo a atenção para a cena do avião, na qual o espectador acompanha Cruise durante uma queda livra alucinante.

Por outro lado, temos um roteiro raso, que mais parece se preocupar em amarrar as sequências de ação do que contar uma história. Ele usa e abusa de diversos clichês para chamar nossa atenção e não desenvolve os personagens e suas motivações. Parece que o acaso é o grande motivador para tudo nesse filme. O filme se preocupa muito em criar pontes para o que virá mais à frente do que desenvolver uma história que possa ser agrupada com os outros personagens que virão. Um exemplo é a própria presença do Dr. Jekyll / Mr. Hyde, que poderia ficar nos bastidores e nos deixar usar a imaginação para especular o seu papel nisso tudo, mas que além de fazer parte do filme, ainda sai no braço com Cruise. Achei desnecessário.

O filme peca em apresentar diversas cenas de ação de formatos diferentes, na tentativa de prender a atenção do telespectador. Temos cenas no deserto, debaixo d’água, nas ruas de Londres, num píer, no Egito Antigo e num Mausoléu Medieval (ufa!!!). O filme poderia ser mais contido e ter desenvolvido melhor seus personagens, principalmente por ter que trabalhar a questão da dualidade do bem e do mal dentro que cada um. Num determinado momento ficamos em dúvida quem é o vilão e quem é o herói. Essa dúvida, quando bem trabalhada surpreende a audiência, mas quando não, destrói todo o filme. A Universal tem um desafio muito grande pela frente em apresentar monstros, sem que sejam necessariamente, vilões. Na sua primeira tentativa, não foi muito bem.

Um outro ponto que chama a atenção é a tentativa de diversificar os personagens. Pela primeira vez a Múmia em questão é interpretada por uma mulher (Sofia Boutella), que desperta no mundo atual com superpoderes, mas que fica apagada porque necessita de ter o personagem masculino para alcançar seus objetivos. E isso se intensifica por que esse personagem é Tom Cruise, muito mais badalado e conhecido que ela. O mesmo ocorre com a sidekick de Cruise, que começa como uma doutora cheia de conhecimento, mas termina como a donzela em perigo. Isso também poderia ter sido melhor trabalhado.

Enfim, o novo A Múmia assume seu perfil blockbuster fantástico e se aproxima mais de filmes como Jurrassic World e Piratas do Caribe, do que do terror, propriamente dito. Ou seja, um filme tecnicamente muito bem feito, mas que no final é mais um dentre vários que circulam por aí. Para uma diversão descompromissada, tipo Sessão da Tarde, cumpre seu papel.

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Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

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