CONSCIÊNCIA COLETIVA

A luta pela igualdade de direitos ou quando o silencio já não é permitido.

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Nos últimos dias tenho participado de algumas discussões sobre a luta do movimento LGBT+ e tenho ido verdadeiramente de peito aberto para ouvir e dialogar com as(os) interlocutoras(es). Tenho recebido mensagens de pessoas evangélicas no facebook que não são minhas amigas nem na rede e nem pessoalmente, mas tem tido acesso as minhas postagens e discussões. Elas têm vindo numa perspectiva de curiosidade não vejo problemas em esclarecer algumas dúvidas acerca de temáticas específicas da nossa comunidade.

No ambiente de trabalho também ocorre com muita frequência conversas debates e embates acerca das múltiplas sexualidades (ou pelo menos a luta para que sejam aceitas como múltiplas). Cheguei num nível que não me permito mais a omissão. Se me perguntar eu respondo e se falar algo a respeito da galera LGBT+ me coloco mesmo! A última dessas provocações que acontecem não por acaso e não de forma ingênua foi durante uma discussão sobre as juventudes e o mercado de trabalho numa disciplina do mestrado em Educação Culturas e Identidades do qual sou aluno regular

Discutíamos sobre as perspectivas de emprego e trabalho das(os) jovens e como elas(es) lidam com isso. Como meu objeto de estudo está diretamente ligado à temática LGBT+ ( investigo o bullying homofóbico e atuação da escola), “puxei a brasa para minha sardinha” como, aliás, tenho feito bastante nas discussões que participo. Da barbearia à igreja (quando sou convidado por alguém porque penso que todas as religiões são redentoras e por isso não me atendem. Não sou ateu!).

Precisamos de representantes nossas na política, precisamos de pessoas LGBT+ nos mais diversos segmentos da sociedade.

Eu destacava o quanto é limitante o mercado de trabalho para os gays declarados, afeminados, as travestis e/ou as pessoas trans. Uma das professoras da disciplina olha para mim com um olhar desafiador e diz: o que você sugere para essas pessoas? Falou como se quisesse uma resposta que fosse capaz de resolver essa problemática da exclusão social das(os) LGBT+ que muitos fingem que não é real? Tipo: você me diz o que quer e a gente ver se é possível fazer isso e nos livrarmos dessa insistência em querer ser…

Cruzei minhas pernas como se este gesto corporal me emponderasse e disse a ela com todo esforço para que em minha resposta eu fosse claro o suficiente. Primeiro, professora, eu sugiro que estas pessoas das quais eu faço parte sejam tratadas como cidadãs(os) plenos. Não dá para admitir que as pessoas LGBT+ Sejam tratadas(os) como cidadãos de segunda classe. Pelo menos no que diz respeito às garantias de direitos e políticas públicas, porque quanto a cumprir as exigências legais, não conheço nenhuma lei que as(os) abone de tais compromissos. E nem queremos!!

É preciso encarar a realidade! Não dá para fingir que não vemos as travestis serem obrigas à prostituição. Se elas quiserem seguir esta profissão, têm esse direito, mas não dá para aceitar sem um tanto de indignação, ser esse o único caminho.

Precisamos de representantes nossas na política, precisamos de pessoas LGBT+ nos mais diversos segmentos da sociedade. Quantas(os) professoras(es) trans a senhora conhece? Não vamos nos calar. Se for preciso o embate, não hesitaremos! Eu não aguento mais assistir a cenas de ódio porque o cara passou rebolando com um cabelo maravilhoso e se achando um sujeito livre, ou porque a menina passou andando de um jeito mais “másculo” Precisamos problematizar o tratamento que temos dado às nossas colegas lésbicas, aos nossos colegas gays negros ou às nossas “bichas” afeminadas.

Penso que é chegada hora de deixarmos de fingir que não precisamos nos unir.

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