CONSCIÊNCIA COLETIVA

Kim and Kim e a excelente abordagem queer nas HQs

em HQ/Nerd por

Review

Média
10.0/10

Sabemos que aos poucos as temáticas LGBTQs estão fazendo parte do universo nerd, especialmente das Hqs, mas nem sempre histórias protagonizadas e escritas por membros da comunidade são colocadas a disposição. É por isso que precisamos apoiar trabalhos como KIM AND KIM,  HQ lançada pela Black Mask (ainda não traduzida e lançada aqui) que concorre ao Eisner Awards (maior premiação de HQs).

KIM and KIM é uma história sobre duas mulheres bissexuais com o mesmo nome (KIM Q. e KIM D.) que trabalham juntas como caçadores de recompensas interdimensionais. Ela foi criada pela escritora Magdalene Visaggio, uma lésbica transgênero que deu vida a KIM Q. como uma persona que ela poderia viver logo após a sua própria transição. Além disso, nomes como Eva Cabrera e Claudia Aguirre também estão envolvidas e juntas elas conseguem fazer com que as suas personagens revelem camadas bem amplas e apresentem personalidades complexas. Isso é um diferencial, visto que muitas vezes na tentativa de abraçar plenamente as pautas LGBTQs, muitos escritores (geralmente héteros /cis) acabam esquecendo de explorar outros aspectos das identidades das personagens que criam.

Kim Q., por exemplo, sonha em ser dona de uma padaria feminina punk e Kim D. tem como fonte de inspiração sua tia lésbica. Existe comédia no enredo, ação, naves espaciais e galáxias surpreendentes, tudo bem amarrado e colocado em diálogos e quadros bem criativos. A mensagem principal é que não devemos caminhar de acordo com as expectativas criadas por outras pessoas, devemos apostar na multiplicidade e na fluidez. Esse é outro grande trunfo do texto, a HQ é queer em essência, ou seja, todas as regras de gênero vão sendo desconstruídas e não são tratadas apenas como escolhas para justificar determinados comportamentos.

A paleta de cores, com forte presença do roxo e a forma como a linguagem é trabalhada (o não uso de pronomes por exemplo é um dos recursos utilizados em alguns momentos) , mostram como  o trabalho é bem pensado e ousado.

Vamos torcer para que algum dia a HQ possa entrar no mercado brasileiro, acho difícil, mas seria uma maravilha.

 

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Raphael é professor, formado em Ciências Econômicas, Letras e atualmente se dedica ao mestrado em Educação. Escreve sobre música, comportamento e cinema. É apaixonado por Twin Peaks, playlists e quase sempre pelos amigos. Publica mensalmente dia 9, save the date | Para segui-lo no Twitter: @RaphaelAlves

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