CONSCIÊNCIA COLETIVA

Você ama o seu companheiro ou aquilo que ele te provoca?

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Há quem ame pela camisa que o outro veste, pela popularidade, pelo corte de cabelo, pelo telefone que usa, pela cerveja que bebe.

Há quem ame pela música que ela ou ele escuta, pelos filmes a que já assistiu, pelo arsenal de livros, pela listinha de séries favoritadas na Netflix, pelos lugares que frequenta, pelas pessoas que conhece, pela possibilidade de ascensão profissional.

Há quem ame pela estabilidade financeira: cartão de crédito, crise econômica, saldo da conta bancária, passaportes de viagens, presentinhos.

Há quem ame por estar carente. Pela urgência da necessidade, pelo equilíbrio emocional, por não conseguir estar só, por não saber lidar com suas próprias questões e conviver com o próprio silêncio.

Há quem ame pelo número de vezes em que escuta um “eu te amo” ao longo do dia ou pela quantidade de ligações que recebe, por apego, rotina, há quem ame por pena.

Pelos atributos físicos, silicone, músculos há quem ame também. Pela assiduidade com que frequenta a academia ou pelo número de orgasmos proporcionados numa única transa.

Há quem ame pela combinação astrológica, porque jogou búzios, por contingência religiosa, por circunstâncias de interesses familiares de toda sorte e azar.

Há quem ame a aventura de estar numa relação, seja por uma temporada, por uma viagem, por querer viver um belo romance, testar os próprios limites, experienciar um sentimento já entediado da solteirice.

Há quem ame para (ou por) ser amado, e é preciso berrar aos quatro cantos esse amor, à agitação dos mares e das tempestades, do barulho e ranger de dentes.

Há quem ame por medo de ser trocado, saber que a relação já deu o que tinha de dar e continuar ali, aos murros em ponta de faca, no esforço de querer negar o fim, tão óbvio, até a si mesmo.

Há quem ame por medo de jamais ser amado, não correspondido. Trocas de olhares no meio da rua… e: estou amando. Há quem ame à primeira vista.

Há quem ame a conveniência de se estar amando e esse é o pior tipo de sentimento: o amor-expectativa, o amor-egoísmo, o amor-barganha. Bouquet de flores, jantarzinho à luz de velas, café de manhã na cama, companhia pro filminho do domingo.

O poeta já disse que o Amor tem razões que a própria razão desconhece. Quando o desconhecido passa a dar lugar ao jogo de interesses, chegou a hora de se perguntar: você ama o seu companheiro ou aquilo que ele te provoca?

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