CONSCIÊNCIA COLETIVA

Tempestade

em Autoral/Poesia por

Eu me apaixonei pelo meu amigo.

Me apaixonei pela sua forma tão encantadora e apaixonada de falar dos seus amores.

Me apaixonei pela sensibilidade intensa expressa naquele olhar quando partilhava comigo suas dores.

Me apaixonei pelos nossos jantares, planejados ou não, improvisados ou não, em pizzarias ou não.

Me apaixonei pela ansiedade que me enchia ao pegar o ônibus para encontrá-lo.

Me apaixonei tanto e tão intensamente que me senti imenso de tanta paixão… e me senti minúsculo quando descobri que não era recíproco.

Me apaixonei e não conseguia mais desejar que ele fosse feliz sem mim.

Me apaixonei e fui egoísta querendo ser dono dos seus melhores momentos.

Me apaixonei e deixei a paixão me cegar. Não, a paixão não. A insegurança.

Me apaixonei e permiti que minha insegurança tomasse o controle.

Permiti que a minha insegurança tomasse conta e de repente formou-se uma tempestade dentro de mim.

Me assustei e recuei

Recuei de seu carinho

Recuei de sua atenção

Recuei de suas palavras

Recuei do seu olhar

Recuei e tentei acalmar a tempestade sozinho

Recuei para que a tempestade não te alcançasse

Mas tempestades não foram feitas para serem controladas

E a minha tempestade te atingiu. E a minha tempestade me atingiu.

E, ferido, eu comecei a correr

Corri dos seus protestos

Corri das suas palavras gentis (porque suas palavras gentis se tornaram espinhos)

Corri das suas feridas

Corri porque descobri que não estou pronto

Corri porque descobri que sou imaturo

Corri para lamber minhas feridas

Corri para longe do seu alcance

Eu me apaixonei pelo meu amigo e talvez minha paixão desregulada

errada
egoísta
mesquinha
desenfreada

tenha apenas me ensinado que no fundo, no fundo, eu não sei amar.

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Professor de inglês, DCnauta, Nintendista e aspirante a Mestre Pokémon, gosto de usar minhas horas vagas para ver seriados, ler HQs, jogar, escrever e, claro, problematizar.

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