CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos : Laerte-se (2017)

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Gabriel
9/10
Média
9.0/10

Embora a notícia tenha me chegado a pouco tempo, é inegável que se crie expectativa sobre um produto tão importante: Um documentário original Netflix sobre uma das figuras mais polêmicas e apaixonantes da cena artística brasileira.

Laerte-se encheu então este que vos escreve de uma expectativa muito diferente do que o produto de fato entregou. Confesso que esperava um documentário provocante, acusador e refinado. Mas me surpreendi com uma decisão que fez essa obra ficar ainda mais marcante e tal como seu objeto, apaixonante.

De início nos damos de frente com a negação da própria Laerte, ela se acha um indivíduo comum, que não merece ser o objeto de uma entrevista, ou até de um documentário. Por insistência da diretora, a cartunista abre a porta de sua casa (e de sua vida) para uma viagem de 1h40 dentro de sua vida e sua obra.

O poder metafórico da obra, como se percebe, é incrível. Se pudesse resumir a experiência em uma palavra esta seria transformação. Tudo é construído de forma gradual e acertiva, desde um início com a personagem iniciando um desenho e finalizando-o no final do documentário, a cenas como ela se montando, se depilando e passando por toda essa transformação.

A câmera é ágil e foge dos enquadramentos típicos, aqui ela está numa proximidade por vezes incomoda, reforçando que a vida, até mesmo a de uma grande personalidade do quadrinho brasileiro, não é um mar de rosas como se imagina. A direção resolve também mostrar o dia-a-dia, a insegurança de Laerte, sua relação com pais, netos, filhos… Nada está ali por acaso, tudo está ali para te situar dentro do mundo, da casa, da Laerte.

Mas afora o primor que a construção narrativa oferece, uma das coisas que mais me chamou atenção foi a relação criada entre a obra e a artista, reforçando aqui que tudo vem de um lugar. Tudo está relacionado, e a obra não é nada sem a autora, que não é nada sem sua obra. Muitas vezes nos deparamos com tirinhas sendo animadas, com os sinais que Laerte vem deixando ao longo de sua obra sobre sua transformação, e com a relação disso com os momentos que ela viveu. Isso com certeza enriquece por demais o documentário.

Se o produto peca, este pecado é sua brevidade, 1h40 passam como vinte minutos, é impossível terminar o filme sem querer mais e mais. Faça parte dessa vida, pare o que está fazendo e assista. Transforme-se. Conheça. Viva. E por fim, Laerte-se!

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