CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos de Alien: Covenant

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Cezar
6/10
Média
6.0/10

Estamos sendo apresentados, mais uma vez, à tentativa de renascimento de uma franquia que fez sucesso nos anos oitenta e que é requentada para um novo público separado por quase 40 anos do seu original. Partindo dessa situação, a questão que mais se apresenta é se o modelo e tipo de cinema feito em 1979, como em Alien, o 8º Passageiro, pode dialogar com o cinema contemporâneo. Construir essa ponte é um importante objetivo a ser trabalhado pelo diretor Ridley Scott.

E as respostas não são exatamente boas, dentro do contexto do cinema Blockbuster contemporâneo, que apresenta filmes com fórmulas manjadas e com uma obrigação muito grande em ter que grandes quantias de dinheiro em suas bilheterias. A sua primeira tentativa, com Prometheus, que se passa antes dos acontecimentos do primeiro Alien, para explicar as causas que geram os problemas que também vamos encontrar nesta nova empreitada. O filme foi criticado muito fortemente e dividiu opiniões, entre outras situações por te se afastado bastante de vários dos conceitos do filme original.

Neste Alien: Covenant temos uma tentativa de criar uma ponte entre os conceitos que foram reapresentados (com muita dificuldade) em Prometheus, apresentando o trabalho de exploradores espaciais a bordo de uma nave homônima, que tem a missão de transportar duas mil pessoas em estágio embrionário, para colonizarem um novo planeta, Origae-6. A tripulação e os colonos estão num sono induzido para completarem a viagem e a nave é guiada tranquilamente pelo sintético Walter (Michael Fassbender, de longe, o que há de melhor no filme), até que a explosão de uma estrela próxima destrói partes da nave e altera os cursos da missão. A tripulação é acordada para poder se reorganizar e voltar ao curso da missão original. Mas eis que uma mensagem perdida no espaço chama a atenção para um planeta próximo desconhecido e que se encaixa perfeitamente nos moldes procurados pelos colonizadores, um verdadeiro jardim do Éden. O capitão da missão decide investigar esse planeta, que misteriosamente é o mesmo explorado dez anos atrás pelos tripulantes da Prometheus.

Michael Fassbender em ação.

Mas ao chegar no planeta, temos algumas reviravoltas que vão mudar esse conceito de paraíso. O planeta, na verdade, é um local sombrio e mortal, cheio de perigos e reviravoltas, que se apresentarão a tripulação de diversas formas, culminando no velho Xenomorfo conhecido de todos.

A aparição do Xenomorfo e os acontecimentos no Planeta Origae-6 caminham na direção de revelar a misteriosa origem dos Aliens e assim ligar definitivamente os pontos para Alien, o 8º passageiro. Mas é aí que começam as distinções evidentes e graves desse filme para o clássico de 1979.

O primeiro ponto é o terror em si. Em 1979 tinhamos várias dificuldades técnicas quanto ao design do monstro e para resolver esses problemas, Ridley Scott encontrou soluções muito criativas, e grande parte do medo que sentimos vêm de nossas cabeças, induzidas pela sensação de perigo que temos o tempo todo. Hoje com a computação gráfica resolvendo vários desses problemas, o monstro aparece várias vezes e caímos na vala comum de cenas com muito sangue e pedaços humanos voando, mas que já vimos em diversos outros lugares.

Outro ponto diz respeito à personagem principal, que claramente sofreu uma tentativa de reviver a Ellen Ripley (Sigourney Weaver), mas que não chega nem perto. A personagem vivida por Katherine Waterston não consegue transmitir a complexidade de sua predecessora. Os demais personagens são coadjuvantes que morrerão ao longo do filme, como sempre acontece em filmes desse formato. Isso não é spolier.

O conjunto da obra não é de todo ruim. O filme prende sua atenção durante o seu desenrolar e não termina de forma chata. O problema é que se comparado com o seu próprio filme original, ele ainda está bem aquém. Serve apenas para um momento de divertimento passageiro. Ele entrega isso para o telespectador, mas não traz nada que já não esteja acontecendo em vários outros filmes de terror blockbusters que estão em demasia no mercado.

Forte abraço.

Cézar é economista de formação e fã de quadrinhos por opção. Escreve e participa de vídeos e podcasts sobre cinema e Hqs. É fã ardoroso de Batman, Neil Gaiman, Edgar Alan Poe, Morrissey e Nina Simone. Publica reviews de filme mensalmente | Para segui-lo no Face: /cezar.vasconcelos.1

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