CONSCIÊNCIA COLETIVA

A polêmica sobre o vídeo LGBTQI exibido em escola americana

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Recentemente uma polêmica  envolvendo uma escola nos EUA invadiu as redes. Tudo começou quando um professor do oitavo ano, que leciona na Lincoln Junior High School (Indiana), exibiu para sua turma um vídeo onde questões como orientação sexual, expressão de gênero e identidade de gênero eram discutidas. Como esperado (assim como também acontece aqui no Brasil), alguns pais compareceram à escola criticando a atitude do professor e alegando que crianças com 12 anos não deveriam ser “obrigados(as)” a ter contato com “conteúdos” como esse.

Após exibir o vídeo, chamado LGBT: Compreendendo a orientação sexual e identidades de gênero,  o professor também distribuiu um questionário, na tentativa de verificar se a turma havia compreendido alguns conceitos. Como existe uma diretriz nacional, assinada pelo ex presidente Obama, que insere no currículo da 8ª série temas como esse, não é possível formalizar uma denúncia (esse foi o argumento de defesa levantado pela escola). As famílias defendem que precisam ser comunicadas oficialmente sobre a abordagem desses conteúdos e já estão reunindo argumentos para exigir que o Secretário de Educação retire esse tópico da politica de diretrizes.

Com o material nas mãos, esse grupo procurou apoio de instituições cristãs, como a Indiana Liberty Coalition, que já publicou uma nota intitulada Stop LGBT Indoctrination in Plymouth Schools (Parem a doutrinação LGBT nas escolas de Plymouth). Abaixo- assinados e petições estão sendo distribuídas e espera-se que a equipe de Trump apoie o pedido. O mais curioso é o depoimento de uma mãe contrária a exibição do material, que diz:  “A mensagem era basicamente que os alunos agem de forma ilegal se eles não foram apoiadores das causas LGBT”.

Polêmicas como essa estão ocorrendo no mundo inteiro, por isso, enquanto educadores(as), é preciso manter a leitura sobre esses temas e procurar manter um diálogo produtivo com a equipe gestora, visto que ela geralmente se mostra resistente quanto a presença dessa discussão nas salas de aula (principalmente escolas particulares).  Aqui no Brasil o caso não está presente na grande imprensa, mas foi publicado por sites evangélicos, com conteúdo gospel. O JM notícias e o GUIAME, bebendo de fontes estrangeiras, com o Charisma News, publicaram a matéria usando, claro, um discurso pouco enriquecedor, bastante verticalizado. O título usado é Crianças são obrigadas a assistir vídeo LGBT e pais se revoltam: “Isso é doutrinação”, no texto eles afirmam que as crianças foram obrigadas a realizar a atividade, usando como fonte (não sei se podemos chamar de fonte) apenas o relato de alguns pais, eliminando a possibilidade do professor ter realizado uma negociação prévia com a turma.

O perigo de textos como esse circularem na mídia informal é que eles chegam na casa de milhares de brasileiros(as), sem pesquisa, sem que pelo menos as informações não tenham sido tratadas com honestidade.

Abaixo é possível ver cópias da atividade usada pelo professor. São 9 perguntas que deixam claro que a atividade não possui caráter doutrinador, por sinal, é uma ótima lista para quem está trabalhando essas questões na sala de aula.

What is sexual orientation? (O que é orientação sexual?)
What is gender? (O que é gênero?)
At what age do kids start being exposed to gender stereotypes? (Com que idade as crianças começam a ser expostas aos esteriótipos de gênero?)
What is an LGBTQ ally? (O que é um apoiador(a) LGBTQ?)
What is gender expression? (O que é expressão de gênero?)
What is “coming out”? (O que é sair do armário?)
Name at least 3 resources that you can use to support you if you come out. (Diga pelo menos 3 recursos que podem te apoiar caso você decida sair do armário.)
What does GSA stand for and what does it do?  (O que a Gay-Straight Alliance representa e o que ela faz?)
What are 2 things you can do to show support of the LGBTQ community?  (Diga duas coisas que você pode fazer para apoiar a comunidade LGBTQ?)

No portal guiame, os cometários seguem o comando superficial ofertado pelo texto tendencioso, mas é possível ver  em alguns deles, a luta de um rapaz para trazer outro ponto de vista par ao debate. Vejam que no print 1, uma seguidora do site indignada com o caso, defende até o uso da bíblia nas escolas e é em seguida apoiada por outra pessoa, até que o rapaz, no último comentário, pontua a questão da obrigatoriedade e fala que tratar desses temas não influenciam as crianças.

Print 1

No print 2 (abaixo), outro rapaz, que se diz “nada religioso”, também se mostra contrário ao uso do material, até que o mesmo usuário do print 1 aparece e tenta contra- argumentar de forma bastante sintética.

Print 2

O perigo de textos como esse circularem na mídia informal é que eles chegam na casa de milhares de brasileiros(as), sem pesquisa, sem que pelo menos as informações não tenham sido tratadas com honestidade. Esse discurso é compartilhado em abundância (a matéria do guiame teve 1725 compartilhamentos até agora) e acaba chegando nas salas de aula, visto que alguns(mas) estudantes, sem contato com um conteúdo mais aporfundado e sem a oferta de leitura sobre esses temas, acabam internalizando essas falas sem muita reflexão.

Informações retiradas do portal Todd Starnes
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Raphael é professor, formado em Ciências Econômicas, Letras e atualmente se dedica ao mestrado em Educação. Escreve sobre música, comportamento e cinema. É apaixonado por Twin Peaks, playlists e quase sempre pelos amigos. Publica mensalmente dia 9, save the date | Para segui-lo no Twitter: @RaphaelAlves

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