CONSCIÊNCIA COLETIVA

O que achamos: Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita não É um Urso que Dança

em Cinema/O que achamos por

Review

Nota de Gabriel
8.5/10
Média
8.5/10

Qual a sua utopia?

Assim começa “Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita não É um Urso que Dança”, lançando um questionamento provocador enquanto artistas realizam uma performance em um palco. Como se presume, o filme é essencialmente político. Mas não trata-se de uma política rasa e reprodutora de discursos como se observa bastante na internet. Por se tratar de cinema marginal, Jovens Infelizes mostra a cara e avisa para que veio. Suas críticas sociais são extremamente pesadas, flertando por vezes com a radicalização do discurso. Não é incomum vermos por exemplo bonecos com cara de políticos sendo espancados.

Tudo entretanto não está jogado, o filme teve uma narrativa muito bem pensada e construída, mas não da forma tradicional. Assumindo um caráter episódico, algo semelhante aos “atos” no teatro, o filme narra uma história, mas recorre a sketches rápidas quando querem apresentar metáforas. A linha cronológica é invertida, iniciando-se então pelo “ato final” da grande peça que o enredo constrói.

As sketches talvez sejam as partes mais fortes do filme, são extremamente ácidas e polêmicas. Em uma delas podemos ver um jovem sendo considerado por uma senhora (que aparenta pertencer à classe média) assaltante. Este é amarrado em, um poste e apanha enquanto transeuntes cantam “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” usando máscaras da Klu Klux Klan. Eis o nível do filme.

Mas não tratando apenas da questão política, o filme faz reflexões sobre o processo de criação artística, as orgias juvenis, e os bares que tornam-se templo dos artistas. O empoderamento feminino, o amor livre e várias outras lutas juvenis também são abordadas aqui.

O problema do longa encontra-se na parte técnica. A fotografia em preto e branco não conseguiu responder quando precisava-se de cenas externas, o preto tomou conta das cenas, e prejudicou um pouco a visibilidade. O som também aparenta ser captado por poucos dispositivos, trazendo diversos ruídos, e diminuindo um pouco a presença das vozes em cena.

O filme faz reflexões sobre o processo de criação artística, as orgias juvenis, e os bares que tornam-se templo dos artistas.

Jovens Infelizes ou Um Homem que Grita não É um Urso que Dança é um filme brasileiro que habita um lugar importante e pouco comum. É uma crítica social sem pudores, que não adota o discurso polido da internet, mas o grito da juventude revoltada, que precisa e luta por mudanças e por um futuro mais justo. Um filme político genuíno, e que por si só justifica sua importância. A juventude aqui representada, sabe o que quer, corre atrás e não deixa de sonhar com um futuro que (ainda que utópico) faça a luta valer a pena. E você?

Qual a sua utopia?

  •  O filme está em cartaz  nas salas que tão exibindo o Festival Lume.
  • Ficar na torcida para que entre forte no circuito nacional.

Trailer 

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