CONSCIÊNCIA COLETIVA

O carnaval e o que esconde a hashtag #PernambucoPedeSocorro

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Com a chegada do carnaval, a insegurança e a violência são os principais temas presentes nas redes sociais. Aqui em Pernambuco não se fala em outra coisa. As palavras do momento são: arrastão, tiroteio, assalto e explosão. Todos os dias acompanhamos de perto as notícias e os vídeos repletos de violência gravados pela população. Até no galo da madrugada grafitado tentaram tocar fogo, a situação não está mesmo nada fácil.

O governo do Estado parece viver em outro planeta, nem digo em outro país. Ao som de alguma marchinha fúnebre, diz que está tudo sobre controle, não se sabe quem está sendo controlado. Talvez esse cenário esteja fazendo alguém feliz, certamente não é o folião. Com Pernambuco se tornando uma referência nacional quando o assunto é festa privada e a implantação de grandes galpões gourmetizados, a ideia talvez seja essa, permitir a instalação do caos. Com ele correndo nas veias, viver nas altas torres, aquelas que aterrizam como naves alienígenas no meio da nossa abandonada arquitetura, será para alguns, a única saída.

A imprensa, com raras exceções (salve Graça Araújo), alimenta todo esse ciclo. O seu combustível vem em forma de denúncia, mas o panfleto já é bem conhecido. Nas capas dos grandes jornais, o retrato do caos, a indignação dos veículos que há muito tempo estão curvados. Onde estão as capas com grandes manchetes denunciando os inúmeros equívocos conjunturais e estratégicos das gestões que estão a frente do estado? A revolta vem num momento importante, mas ainda assim, soa oportunista. A falta de segurança, quando atinge as camadas mais pobres, serve apenas como recheio para os inúmeros programas sensacionalistas do meio-dia, mas quando cria raízes nos outros extratos sociais, viram a principal engenharia da política do medo. É quase como se essa mídia gritasse: alô governador, a gente te venera, mas o cano do revolver chegou na saída dos nossos prédios.

Um plano emergencial deve estar sendo colocado em prática, mas todo mundo sabe que a questão não será resolvida apenas com o aumento do número de armas nas ruas. A verdade é que imersos na nossa militância virtual, que é importante, mas limitada, não denunciamos constantemente a falta de investimento nos setores mais necessitados. Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça, ecoa a voz sempre atual de Chico Science. O preço já está sendo pago.

Nas redes sociais, os justiceiros, também conhecidos como cidadãos de bem, já estão exigindo o exército nas ruas, a ideia é a mesma de sempre, garantir a própria cerca, a paz comprada e cara, como de costume. Apesar da forte campanha no twitter e no facebbok, que levantou a hastag #PernambucoPedeSocorro, a folia de rua, aquela que sobe ladeira e sai de casa pedindo para que o dia acabe bem, não se intimida. O governo tem esse grande obstáculo, a força do povo, que apesar do medo, resiste. Que o carnaval, apesar da lama, não se transforme em um grande e incontrolável caos.

selecionei algumas postagens para ilustrar o texto, segue :

Olha um clássico registro da indignação:

Aqui alguém exige o bem ofertado de volta. 

Aqui temos alguém que encontrou um refúgio :

Esse aqui trabalha com imagens

Por fim, aqui estão os nossos preciosos conselhos para quem vai brincar o carnaval:

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Raphael é professor, formado em Ciências Econômicas, Letras e atualmente se dedica ao mestrado em Educação. Escreve sobre música, comportamento e cinema. É apaixonado por Twin Peaks, playlists e quase sempre pelos amigos. Publica mensalmente dia 9, save the date | Para segui-lo no Twitter: @RaphaelAlves

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